Os resultados do Sevilla na temporada são agridoces. O time que voltou às quartas de final da Liga dos Campeões após 60 anos e alcançou também a final da Copa do Rei é o mesmo que faz uma campanha claudicante no Espanhol, engolindo a seco diversas goleadas. A inconstância dos andaluzes rendeu a demissão de dois técnicos, mas ainda há a oportunidade de brigar por uma vaga na próxima Liga Europa. Um objetivo que ficou mais próximo nesta quarta-feira, em jogo atrasado por La Liga, que serve para elevar o moral de qualquer equipe. Os rojiblancos protagonizaram uma boa partida no Estádio Ramón Sánchez-Pizjuán e venceram o Real Madrid por 3 a 2 – placar apertado que engana bem sobre a forma como os anfitriões abriram vantagem.

Cabe ponderar que, evitando o desgaste rumo à decisão da Liga dos Campeões, Zinedine Zidane preferiu poupar a maioria absoluta de seus titulares na viagem à Andaluzia. Sergio Ramos, Casemiro e Karim Benzema estiveram entre os raros nomes tarimbados no 11 inicial, juntamente com outros atletas importantes na rotação – Lucas Vázquez, Marco Asensio, Mateo Kovacic e Nacho Fernández. Sem ter nada a ver com isso, o Sevilla partiu em busca do resultado, importante a esta altura do campeonato.

O Sevilla jogou em suas características, marcando alto, atacando com velocidade. Por mais que o Real Madrid controlasse a posse de bola, os andaluzes respondiam com perigo. O primeiro gol saiu aos 25 minutos. Em bola esticada a partir do campo de defesa, Luis Muriel brigou pelo alto e Wissam Ben Yedder saiu nas costas da zaga, fuzilando Kiko Casilla. Com dificuldades no meio-campo, os merengues pouco criavam. Melhor para os rojiblancos, que aproveitavam as debilidades da zaga para acelerar. O segundo gol quase saiu em lance que Nacho salvou em cima da linha. Já aos 45, ninguém pararia Miguel Layún. Ben Yedder puxou o contra-ataque e passou para Steven N’Zonzi, que, travado, deixou para o mexicano arrematar.

Cobrava-se uma postura mais incisiva do Real Madrid. Na volta para o segundo tempo, o time de Zidane passou a buscar mais o ataque. E poderia ter descontado logo aos 13 minutos, em um pênalti a seu favor. Sem Cristiano Ronaldo, Sergio Ramos pegou a bola. Provocou um enorme deleite nos “torcedores traídos” do outro lado, que viram o seu antigo xodó estalar o travessão. Mas não que o Sevilla diminuísse o ritmo. Pelo contrário, Casilla seguia tendo trabalho diante das investidas dos anfitriões.

A entrada de Borja Mayoral no lugar de Dani Ceballos aumentou a presença de área do Real Madrid, que passou a arrematar de maneira mais insistente. Mas quando se esperava uma reação, o Sevilla deu outro banho de água fria. Aos 39, Gabriel Mercado chutou prensado, a bola bateu em Sergio Ramos e acabou nas redes. Somente depois dos 42 é que os merengues fariam seus gols de honra. Mayoral anotou o primeiro, desviando de cabeça o cruzamento de Asensio. Por fim, um pênalti marcado fora do lance, nos acréscimos. Desta vez, Sergio Ramos não vacilou, deslocando o goleiro. De qualquer maneira, não havia tempo suficiente, com o apito final logo soando.

O Real Madrid não sente grande impacto pela derrota. Perde a chance de se igualar aos 75 pontos do Atlético de Madrid, vice-líder, mas não que isso atrapalhe. Um pouco mais preocupante é a sequência de duas vitórias nas últimas seis rodadas de La Liga. Se o título da Champions vier, todavia, ninguém vai se lembrar disso. Mais importante é descansar para o jogo do ano.

Já ao Sevilla, o resultado tem um papel também anímico. O time assume o sétimo lugar, com 54 pontos, na última posição da zona de classificação à Liga Europa – dois pontos à frente do Getafe, seu principal concorrente. E na próxima rodada, faz o clássico contra o Betis no Estádio Benito Villamarín, tentando se vingar da histórica derrota por 5 a 3 em casa. Os verdiblancos estão confirmados na próxima Liga Europa, o que garante ainda mais significado ao dérbi. Apesar do cenário de poucas alegrias, os rojiblancos ganham um motivo a mais para acreditar.