A aventura estrangeira de Unai Emery não correu como o esperado. Depois do trabalho de sucesso no Sevilla, entre 2013 e 2016, o treinador basco teve oportunidades em PSG e Arsenal, mas não conseguiu repetir o êxito passado. Desta forma, quatro anos depois, retorna à Espanha, para assumir um projeto interessante, em que terá supostamente plenos poderes. No Villarreal, encontra um clube com ganas de dar um salto.

Emery construiu grande reputação não apenas local, como continental, ao levar o Sevilla ao tricampeonato consecutivo da Liga Europa entre as temporadas 2013/14 e 2015/16. O sucesso europeu foi tanto que o PSG apostou que o basco seria o nome certo para liderar seu projeto de busca pela Champions League.

Em Paris, no entanto, o técnico foi um fracasso. Domesticamente, conseguiu o feito de não vencer uma temporada da Ligue 1, em 2016/17, embora o Monaco mereça reconhecimento pelo grande trabalho, e ficou marcado pela remontada histórica sofrida diante do Barcelona, na Liga dos Campeões, vencendo a ida das oitavas de final por 4 a 0 apenas para perder dramaticamente por 6 a 1 na volta.

No ano seguinte, reforçado com as chegadas de Mbappé e Neymar, falhou novamente na competição, caindo para outro clube espanhol nas oitavas: derrota por 5 a 2 no agregado para o Real Madrid. Mesmo o título da Ligue 1 2017/18 não foi suficiente para mantê-lo no cargo.

No Arsenal, tendo sido escolhido como o sucessor de Arsène Wenger, que deixava o clube após 22 anos, teve início muito bom, chegando a emplacar uma sequência de 22 partidas de invencibilidade entre agosto e dezembro. A queda que se iniciou, no entanto, não foi estancada. Ao fim da temporada, tinha ainda uma chance de título, mas caiu na final da Liga Europa para o rival Chelsea, em derrota por 4 a 1.

A paciência da diretoria dos Gunners acabou, por fim, em novembro de 2019, na primeira metade de sua segunda temporada no clube. Depois de uma sequência de sete jogos sem vitórias, Emery acabou demitido.

Neste intervalo de quatro anos entre a saída do Sevilla e a chegada ao Villarreal, Emery viu sua reputação dar um mergulho profundo, e as portas a grandes clubes do continente estavam fechadas. Seu potencial, no entanto, continua ali, e o Submarino Amarelo representa uma bela oportunidade de mostrá-lo.

Acostumado com o futebol de seu país e trabalhando na liga em que ainda é reconhecido pelo que fez no passado, Emery pode dar a volta por cima. A confiança do Villarreal em seu projeto não poderia ser maior. O plano é de longo prazo, o contrato, de três anos, e o clube abriu mão de um bom nome, Javier Calleja, para apostar no basco.

Calleja, ainda como jogador, havia tido passagem significativa pelo Villarreal, tendo permanecido no Madrigal por sete anos, entre 1999 e 2006. Iniciou sua trajetória como técnico da equipe juvenil do Submarino Amarelo em 2012, ficando por lá até 2017. Os saltos, então foram rápidos.

De lá, foi para o Villarreal B e, no mesmo ano, para a equipe principal. Depois de classificar o clube para a Liga Europa ao fim de sua primeira temporada, em 2017/18, foi demitido por causa do início ruim na temporada seguinte, mas logo recontratado, ajudando o clube a evitar o descenso. A terceira temporada, esta que se encerra, também foi de sucesso, com mais um quinto lugar e classificação à Liga Europa.

O bom trabalho de Calleja, junto com a disposição do clube em deixá-lo partir para recrutar Emery, são prova da convicção do Villarreal no basco, e isso é tudo que Emery poderia pedir no momento. De agora em diante, está em suas mãos mudar a própria sorte e reverter a tendência negativa de sua carreira nos últimos anos.