Idolatria foi um assunto recorrente em Malmö ao longo dos últimos dias. E, em tempos nos quais os torcedores celestes se enfurecem com Zlatan Ibrahimovic, Markus Rosenberg ressaltou aos suecos do que são feitos os verdadeiros ídolos. Símbolo do clube, o atacante disputaria sua última partida em casa nesta quinta-feira, às vésperas de sua aposentadoria. Pois a despedida do veterano de 37 anos seria verdadeiramente apoteótica: com um gol aos 51 minutos do segundo tempo, o artilheiro garantiu a vitória do Malmö por 4 a 3 sobre o Dynamo Kiev, pela Liga Europa. Deixou uma imagem eterna à sua torcida, que vale mais do que qualquer estátua.

Nascido em Malmö, Rosenberg começou no clube quando tinha apenas cinco anos. Passou por todas as categorias de base, até chegar ao elenco profissional em 2001. Ascendeu ao mesmo tempo em que Ibra despontava rumo ao Ajax. E o clube de Amsterdã também seria o destino de Rosenberg depois disso, em 2005. Se não virou um craque como o compatriota, construiu uma carreira respeitável, passando ainda por Werder Bremen, Racing de Santander e West Brom. Já o retorno para casa aconteceu em 2014.

Em sua segunda passagem pelo Malmö, Rosenberg firmou sua imagem como ídolo do clube. Logo no primeiro ano, liderou a conquista do Campeonato Sueco e foi eleito o melhor da competição. Ergueu a taça mais duas vezes, além de protagonizar os celestes em dignas campanhas nos torneios continentais, incluindo aí duas aparições na fase de grupos da Champions. Com 97 gols em 225 partidas nestes cinco anos, deu todos os motivos para se eternizar como um dos grandes nomes da história da agremiação.

O Malmö não conquistou o Campeonato Sueco em 2019, mas, aos 37 anos, Rosenberg preferiu pendurar as chuteiras ao final do ano. Assim, a fase de grupos da Liga Europa marca a despedida de sua carreira profissional. O duelo contra o Dynamo Kiev era justamente o último compromisso em casa. Antes que a bola rolasse, a torcida ofereceu uma baita homenagem ao atacante. Fez um mosaico enorme com sua imagem, que incluía também figuras de diferentes fases de sua vida no clube. Na entrada em campo, o ídolo ainda foi acompanhado por um garotinho com câncer.

E, numa partida eletrizante, Rosenberg retribuiu ao carinho. O Dynamo Kiev terminou o primeiro tempo em vantagem. Depois que Ramus Bengtsson abriu o placar, Vitali Mykolenko e Viktor Tsygankov buscaram a virada. Rosenberg apareceu pela primeira vez no início da etapa complementar. Aos três minutos, ele surgiu na área para igualar a contagem. Erdal Rakip retomou a dianteira aos suecos, até que Benjamin Verbic reagisse aos ucranianos e deixasse o marcador em 3 a 3 aos 32 minutos. O melhor, de qualquer maneira, ficaria para o final.

O gol decisivo de Rosenberg aconteceu no último minuto dos acréscimos, quando o relógio batia os 51 do segundo tempo. O cruzamento da direita veio limpo ao camisa 9, que desviou de primeira. E a cena mais bonita aconteceu mesmo durante a comemoração. Primeiro, pelo grito a plenos pulmões que vinha das arquibancadas, num ruído ensurdecedor. Depois, pela maneira como o atacante foi absorvido pela torcida. Ele saltou rumo às arquibancadas e foi abraçado pela multidão. Outros tantos torcedores invadiram o campo também para abraçá-lo. O final perfeito ao ídolo, amado pelos seus.

Depois do apito final, Rosenberg ainda seria homenageado ao lado do filho, e não seguraria as lágrimas. Em uma noite de tantas imagens fortes, ainda assim, nenhuma possui a potência da mais natural: o gol do artilheiro. O último compromisso de Rosenberg, agora, acontece em Copenhague. Tentará ajudar o Malmö na classificação aos mata-matas, em clássico no qual a vitória poderá confirmar a primeira colocação. O adeus, independentemente disso, está na memória da massa celeste.

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