No time dos meninos, foram os vovôs que decidiram o título a favor do Santos

O Santos conquistou o Paulistão pela 21ª vez graças às atuações decisivas de Robinho e Ricardo Oliveira

O Santos terminou a temporada em baixa e sem dinheiro. As contratações não animavam porque as principais eram jogadores conhecidos da torcida, mas nas fases finais das suas carreiras. Ricardo Oliveira e Elano juntaram-se a Robinho e Renato. A expectativa talvez fosse, como no começo do século, que os garotos crescessem para levar o time mais longe. Na hora H, porém, quem apareceu para decidir o título paulista conquistado nos pênaltis contra o Palmeiras, neste domingo, foram mesmo os veteranos.

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Robinho comeu a bola. Desde o começo do jogo, estava claro que a sua vontade de decidir a partida era enorme. Fez duas grandes jogadas individuais e exigiu defesas difíceis de Fernando Prass. Aproveitou um vacilo imperdoável do Palmeiras em uma final de campeonato para dar o passe que David Braz completou ao gol. Estava sendo marcado por Valdivia, que ficou parado pedindo impedimento. O Rei das Pedaladas deu um simples tapa na bola para o zagueiro abrir o placar.

Era o Santos o único time a jogar bola na Vila Belmiro, depois de um início mais ou menos equilibrado. O Palmeiras estava perdido e correndo atrás da bola. A defesa, insegura, como ficou evidenciado no primeiro gol. O meio-campo não completava os passes. Parecia jogar com um a menos porque Valdivia não participava do jogo. Ricardo Oliveira dividiu com Vitor Hugo na intermediária, ganhou a bola e correu livre em direção às traves. Tocou na saída de Fernando Prass e fez o 2 a 0.

Antes do intervalo, Guilherme Ceretta de Lima decidiu que precisava interferir na partida. Dudu e Geovânio agarraram-se antes de uma cobrança de falta na área, e o árbitro achou que aquilo foi o bastante para que ambos fossem expulsos. Foi um lance que acontece em praticamente todas as bolas cruzadas na área. Se ele mantivesse o critério, a partida não terminaria. Mas ele achou que deveria se prevenir e deu vermelho para ambos, quando uma advertência seria o suficiente. No máximo, cartão amarelo, que causaria a expulsão apenas de Dudu.

O Palmeiras estava abalado, mas vivo. Precisava de apenas um gol para levar aos pênaltis. Era uma questão de colocar a cabeça no lugar. Parte da torcida pedia a saída de Valdivia, mas Oswaldo decidiu girar a roleta do chileno, aquele jogador que irrita durante a maior parte do jogo para se redimir em uma jogada brilhante. Foi, de fato, um tiro no escuro. Poderia funcionar, poderia custar o título. Era um risco.

Funcionou até certo ponto. O Santos voltou recuado demais para a etapa final e permitiu que o Palmeiras ficasse com a bola. Valdivia deu um passe brilhante de três dedos da intermediária para Lucas entrar em diagonal e fazer o gol que levaria a partida aos pênaltis. O Santos acordou e tratou de resolver no tempo regulamentar, principalmente depois da expulsão de Victor Ramos. O time visitante, com nove, não tinha mais contra-ataque. Ameaçou apenas em uma cobrança de falta de Cleiton Xavier, cujo rebote Amaral pegou em posição clara de impedimento.

O Palmeiras trazia a moral de ter vencido o Corinthians nos pênaltis nas semifinais e não tinha Dudu para errar, e essa partida serviu apenas para ressaltar a importância da cobrança que ele desperdiçou no jogo de ida. Os primeiros cobradores de cada time acertaram, mas Rafael Marques exagerou na paradinha. Errou. Depois, Jackson exagerou na força. Travessão. O Santos teve o título no pé esquerdo de Lucas Lima, talvez o melhor jogador do campeonato ao lado de Ricardo Oliveira. Chute firme de canhota cruzado no canto. Fernando Prass não teve chance.

A reconstrução do Palmeiras pedia esse título para referendar o que foi feito desde dezembro, com a chegada de Alexandre Mattos, 20 jogadores e o retorno da auto-estima. Ficou próximo disso e pode, ao menos, comemorar que viu um time mais encorpado na reta final do Paulistão, que teve a capacidade técnica e emocional de buscar o resultado contra Corinthians e Santos fora de casa. Tem uma base interessante para construir em cima de olho no Campeonato Brasileiro.

Para o Santos, fica a taça da redenção, na sua sétima final de estadual seguida. Um interino no banco e veteranos dentro de campo funcionaram durante esses primeiros meses. Se o que deu certo até agora for mantido para o Brasileirão, pode fazer uma boa campanha, mas tem algumas pedras no meio do caminho. Robinho fica? E Lucas Lima? Ricardo Oliveira consegue se manter em forma? São questões a serem tratadas pela diretoria, mas não agora. Agora é hora de comemorar o seu 21° título paulista.