Foram 30 anos de um governo totalitarista unipartidário, que deixou o Sudão devastado em diversas esferas, sobretudo social e economicamente. Até que, em abril do ano passado, uma nova era política foi instaurada no país africano com a deposição do presidente Omar al-Bashir por militares em Cartum, após um enorme apelo popular. O fim do regime ditatorial marcou a retomada de direitos às mulheres sudanesas e o total encontro com a liberdade por parte das que amam o futebol.

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Encabeçado por Abdel Fattah al-Burhan, o governo de transição aprovou, há três meses, a revogação da lei que, entre tantas proibições, não permitia a presença de mulheres em festas, impedia que elas interagissem com homens e exercessem algum tipo de trabalho sem a autorização deles e regulava a vestimenta feminina. Elas, por exemplo, eram coibidas de usar calças.

Mas as promessas dos novos políticos que estão no comando do Sudão atualmente vão além do ponto final em uma legislação discriminatória e a emancipação das sudanesas. O incentivo à participação feminina na política e no esporte é uma das principais pautas. Nada mais justo para um país que teve mulheres na dianteira na rebelião que tomou as ruas e culminou na queda de al-Bashir, ditador que, agora, responderá por crime de genocídio em Haia.

Na política, duas mulheres civis fazem parte do Conselho Soberano que tocará o país pelos próximos dois anos. No futebol, o primeiro passo dado foi a criação da primeira liga formada por clubes femininos, em setembro de 2019, um marco e a concretização dos sonhos de anos. O pontapé inicial ficou por conta do jogo entre as equipes Al Tahadi e Al Difaa, que terminou em 2 a 2 e foi realizado no Estádio de Cartum, que tem capacidade para 23 mil pessoas.

Uma multidão de civis sudaneses e figuras políticas foram prestigiar o confronto, que teve uma equipe de arbitragem 100% feminina. A ministra dos Esportes, Walaa al-Boushi, deu o simbólico chute para oficializar o começo de um novo momento para as mulheres do Sudão. “Existe, agora, a vontade política de fazer do esporte feminino um dos pilares do desenvolvimento do país. Vamos trabalhar para fornecer infraestrutura às mulheres no esporte”, disse ela na ocasião.

A primeira temporada da liga de futebol feminino sudanesa teve curta duração, sendo encerrada no fim de dezembro. Ao todo, ela envolveu 21 clubes de todo o país. As equipes foram divididas em quatro chaves, em competição disputada em formato de fase de grupos e, posteriormente, mata-mata. O Al Difaa se sagrou campeão em cima do Tahadi, reeditando, na final, a partida de abertura. Com a fundação da liga, o Sudão se tornou a segunda nação islâmica a ter um campeonato de mulheres reconhecido.

No mês passado, a Associated Press (AP) deu destaque à história da Ilham Beltone. Vinda de família muçulmana fervorosa, a jogadora nasceu em berço conservador e cresceu em um meio em que era inaceitável às mulheres jogarem bola. Durante a juventude, ela tinha três grandes paixões: cantar, futebol e a língua inglesa. Aprender a falar inglês era um desejo distante, já que ela não conseguia bancar seus estudos. Ser cantora também não era uma possibilidade, já que era considerado um pecado dentro de sua fé. “Sobrou o futebol. E aí, eu disse: ‘me desculpe, mas eu não posso deixar o futebol escapar’. Eu vivo e respeito futebol”, contou ela, em entrevista.

No fim, os familiares de Beltone acataram os pedidos insistentes dela para que a deixassem jogar futebol. Sua família, inclusive, marcou presença na final da liga sudanesa feminina para apoiá-la dentro das quatro linhas. Representando o Al Difaa, a atacante terminou a edição inédita do campeonato como artilheira, com 33 anotados e um troféu para chamar de seu. O saldo, porém, foi positivo para todas as equipes participantes e todas as atletas que estão vivenciando essa transformação no Sudão, a qual tem o futebol como meio para mulheres reconquistarem seu espaço na sociedade após três décadas de ditadura.

Giro de notícias

Calhau, zagueira do Atlético-MG, sofre assédio do próprio mascote do Galo

O Atlético-MG volta a ser pauta na coluna. Poderia ser por um bom motivo, já que o clube, enfim, acertou em levar seu time feminino ao Mineirão neste domingo, para a partida contra a Caldense, pelo Campeonato Mineiro masculino. Estava tudo indo bem. As jogadoras, que competirão na Série A2 do Brasileiro este ano, foram apresentadas à torcida ao lado de Diego Tardelli.

Até que, em um determinado momento, o mascote do Galo tem uma atitude lamentável. Ao cumprimentar as atletas, ele para em frente à zagueira Calhau e a induz a dar uma “voltinha”. Depois disso, a pessoa fantasiada de Galo se direciona à câmera e faz um sinais vergonhosos de aprovação, como se a jogadora fosse um pedaço de carne. Sim, sei que é difícil de acreditar, mas isso aconteceu neste domingo. Em 2020 mesmo.

Em nota oficial, o Atlético tratou o caso com a seriedade necessária: “Sobre o episódio ocorrido na tarde de ontem, envolvendo a atleta Vitória Calhau, o Atlético lamenta e repudia o comportamento do funcionário, que foi sumariamente afastado. Pedimos desculpas à atleta, às demais jogadoras e a todas as torcedoras e torcedores pelo lamentável ato.”

Frauen-Bundesliga regressa da pausa com três goleadas e jogão em Jena

Após dois meses sem rolar a bola na Frauen-Bundesliga, o Campeonato Alemão feminino, paralisada por conta do hiato de inverno, o calendário voltou com tudo. Os 12 times entraram em campo neste fim de semana com três goleadas e um jogão em Jena, onde o time da cidade brigou com o Frankfurt até o fim, mas acabou sendo derrotado por 3 a 2. Os gols foram de Seiler e Chlastakova, pelo Jena, e Nusken, Schuldt (contra) e Reuteler pelo Frankfurt.

Líder isolado do torneio, o Wolfsburg bateu o vice-líder Hoffenheim por 5 a 2. E isso fora de casa. Pernille Harder foi o destaque da partida com duas bolas na rede. E não foi só nesse jogo que tivemos cinco gols a favor de uma equipe. Em Potsdam-Babelsberg, o time que leva o nome da localidade goleou o Colônia. O Essen também aplicou um placar elástico em seu adversário, o Duisburg, por 4 a 0. O jogo foi disputado com mando do time derrotado. Outros resultados foram: Leverkusen 0x3 Bayern e Sand 0x2 Freiburg.

Copa de la Reina: definidas as quartas de final – e sem o Atleti

A temporada não está sendo fácil para o Atlético de Madrid, que vem perdendo protagonismo na Espanha para um Barcelona pedindo passagem na Europa e ficando cada vez mais forte. Segundo colocado na Liga Iberdrola a quase 10 pontos do dono da ponta, o Barça, o Atleti ainda viu a chance de conquistar o título da Copa de la Reina ir embora no meio da semana, depois de ser eliminado pelo Real Betis nas oitavas de final, nos pênaltis.

O sorteio coloca o Betis frente a frente com Logroño na próxima etapa, enquanto o rival Sevilla pega o Madrid – de Geyse, Mônica, Valéria e outras brasileiras. Vale lembrar que este não é o Real Madrid. Os merengues administram o Tacón, adversário do Athletic Bilbao nas quartas. Por último, o Barcelona medirá forças com Deportivo de La Coruña. E tudo isso nesta semana, entre os dias 25 e 26. Os semifinalistas serão definidos em partida única.