Poucos jogos do segundo turno do Campeonato Brasileiro eram mais aguardados que o Cruzeiro x Fortaleza deste sábado. E não era apenas uma questão de importância quanto à luta de ambos os clubes para fugir do rebaixamento. Dentro da novela que se tornou a troca de técnicos pelo país nos últimos meses, o reencontro de Rogério Ceni com os cruzeirenses gerava curiosidade. Depois da tumultuada saída do treinador da Toca da Raposa, o reencontro até foi tranquilo. Vários jogadores abraçaram o comandante e prevalecia um carinho entre os torcedores celestes. Ao final, num Mineirão efervescente, Ceni riu por último. A Raposa pressionou durante a maior parte do tempo, mas foi o Leão do Pici que se contentou com o empate por 1 a 1.

Os cumprimentos a Rogério Ceni aconteceram antes que a bola rolasse. Boa parte dos titulares do Cruzeiro foram até o banco de reservas do Fortaleza abraçar o treinador, inclusive líderes do grupo, como Fábio. Nem todos, porém, repetiram o gesto. Já nas arquibancadas, a multidão celeste oferecia um clima de decisão à partida. Os cruzeirenses corresponderam em campo. Desde os primeiros minutos, partiram ao ataque e pressionaram os cearenses. O Leão do Pici se entrincheirava na defesa e tentava conter os constantes ataques.

Thiago Neves, um dos pivôs na saída de Ceni, se apresentava bastante. E o veterano não marcou aos 17 minutos por um milagre do goleiro Felipe Alves. Meio no susto, o arqueiro esticou o braço no ponto cego para espalmar uma cabeçada à queima-roupa do adversário. Felipe Alves faria outra defesa importante pouco depois, antes que as chances cruzeirenses se tornassem menos numerosas. Somente no final do primeiro tempo é que os mineiros voltaram a dar um calor nas bolas alçadas na área.

Na volta ao segundo tempo, o Fortaleza começou a encaixar os seus contra-ataques e a demonstrar que poderia frustar o Cruzeiro. Além disso, a torcida mineira dava seus primeiros sinais de irritação com os erros do time, entre as muitas finalizações para fora. A pressão aumentava e Marquinhos Gabriel chegou a carimbar a trave. Pouco depois, Wellington Paulista apareceu e cabeceou com perigo aos tricolores. De qualquer maneira, o momento era celeste e o primeiro gol parecia questão de tempo aos anfitriões. Veio aos 34, numa bola que Marquinhos Gabriel ajeitou para Orejuela mandar para dentro e finalmente vencer Felipe Alves.

Neste instante, era difícil imaginar uma reviravolta na partida. Pois o Fortaleza conseguiu arrancar o empate logo aos 37. Os tricolores começaram a encontrar espaços para os cruzamentos e puniram um passe errado de Egídio. Gabriel Dias mandou para a área, Marlon desviou e Wellington Paulista completou. O centroavante brigou com a bola, até obrigá-la a cruzar a linha. O Cruzeiro ainda tentou o segundo gol, mas os visitantes se defendiam bravamente ao redor de sua área. E não seria surpreendente se a virada acontecesse, sobretudo em cabeçada de Gabriel Dias que levou muito perigo à meta de Fábio. Terminou tudo igual.

Até pelas circunstâncias do jogo, o empate é muito mais agradável ao Fortaleza. O Leão do Pici continua fora da zona de rebaixamento. A equipe chega aos 32 pontos, no 14° lugar. Já o Cruzeiro dormirá mais uma rodada no Z-4, com 29 pontos, ocupando o 17° posto. Num duelo de grande significado, os celestes se esforçaram bastante. Todavia, entre as suas falhas e a entrega total dos tricolores, não deu para ir além do empate. Melhor a Ceni.

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