Nos caminhos decisivos do Brasileirão, o reencontro entre um treinador e seu ex-time sempre provoca um interesse especial. O resultado oferece um argumento concreto à decisão do clube em mudar o comando. E, ao menos nesta quinta-feira, depois de todas as águas que já rolaram desde a saída de Fernando Diniz, o Fluminense conseguiu ser bem mais feliz no embate com seu antigo técnico. Dentro do Morumbi, os cariocas derrotaram o São Paulo. Mantiveram sob controle um adversário inócuo e exploraram os erros defensivos para arrancar uma excelente vitória por 2 a 0. O triunfo tira o Flu da zona de rebaixamento.

Diferentemente do que se nota com outros técnicos, Fernando Diniz deixou muitíssimos amigos no Fluminense. Prova disso veio antes que a bola rolasse, quando o time inteiro tricolor formou fila para cumprimentar o antigo chefe – uma cena que certamente não se repetiria com Oswaldo de Oliveira. Entretanto, o atual treinador do São Paulo não encontrou um antídoto contra o adversário que o conhecia tão bem. Exceção feita a um chute de Antony durante os primeiros instantes, os são-paulinos não tiveram muitas jogadas claras de gol. O Flu conseguia manter sob seu controle o início do embate.

A partir dos 20 minutos, o São Paulo deu alguns sinais de melhora, mas nada suficiente. Limitava-se a chutes de média distância. Pablo até daria esperanças aos 34, num lance brigado dentro da área, em que bateu para fora. Mas o balde de água fria não tardaria, justo quando as esperanças surgiam. O Fluminense abriu o placar aos 37. Falta cobrada pela esquerda e Daniel mandou a bola na cabeça de Digão, livre dentro da área. Os são-paulinos sentiram o baque e o segundo viria logo aos 39. Foi um ótimo contra-ataque, com direito a toque de calcanhar de Yony González e drible da vaca de Caio Henrique. Marcos Paulo recebeu na entrada da área e bateu na saída de Tiago Volpi para anotar.

A falta de organização defensiva custava caro ao São Paulo. E as mudanças logo na volta do intervalo não surtiram muito efeito em busca da virada. Hernanes e Alexandre Pato foram os nomes escolhidos por Fernando Diniz, nas vagas de Liziero e Jucilei. Os são-paulinos ainda apresentavam um futebol burocrático e com pouca clareza, mesmo com um time mais ofensivo. Antony era praticamente o único que tentava algo diferente, mas sem apoio para tabelar. Os minutos passavam, sufocavam os paulistas e provocavam a insatisfação na torcida. Diante das raríssimas chances de gol dos 45 minutos finais, as arquibancadas passaram a vociferar contra o próprio time.

Antigo auxiliar do Fluminense, promovido depois da dança das cadeiras no clube, Marcão conseguiu entender melhor o jogo que Fernando Diniz e viu o seu time exibir uma postura muito mais eficiente. O Flu marcou seus dois gols em apenas cinco finalizações, enquanto também foi muito bem na defesa, sobretudo pela forma como conseguiu travar o ataque do São Paulo e evitar lances mais agudos. É um resultado que reaviva os tricolores e dá esperanças na luta contra o rebaixamento.

Ao final da rodada, o Fluminense alcança os 34 pontos, subindo duas posições e chegando ao 15° lugar. Pior ao Botafogo, que entrou no Z-4 após a derrota para o Flamengo. Já o São Paulo, em outra via, perde uma posição na parte de cima da tabela. Com a vitória do Grêmio, os são-paulinos caem para o quinto lugar, com 52 pontos. O time está longe de ver sua vaga na Libertadores ameaçada, por mais que corra o risco de passar de novo pelo calvário das preliminares. De qualquer maneira, está claro como o descontentamento se faz presente no Morumbi – ainda mais em uma derrota como esta.

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