O primeiro trabalho de Thierry Henry como treinador principal foi no Monaco, mas a situação estava longe de ser ideal. Havia sido convocado para tirar o clube de uma crise profunda, o que Leonardo Jardim, ao mesmo tempo seu antecessor e sucessor, está conseguindo começar a fazer apenas agora. Ficou três meses e meio no cargo. Nesta quinta-feira, foi anunciado como o novo comandante do Montréal Impact e, na Major League Soccer, terá a primeira oportunidade de verdade para mostrar o que pode fazer com a prancheta na mão.

Henry havia sido assistente de Roberto Martínez, treinador da seleção belga, quando foi convocado pelo ex-clube, em outubro do ano passado. O Monaco campeão francês de 2016/17 havia conseguido um segundo lugar na temporada seguinte, mas continuou perdendo jogadores importantes (naquele mercado, Fabinho e Thomas Lemar) e um começo ruim culminou na demissão de Leonardo Jardim.

O ex-jogador francês assumiu o time em meados de outubro. Teve problemas de administração de vestiário, com múltiplos relatos apontando que se portava mais como veterano do elenco do que como treinador. Comandou o mercado de transferências de inverno, com reforços como o ex-companheiro Cesc Fàbregas, mas foi demitido antes de janeiro terminar. O Monaco continuava na vice-lanterna do campeonato.

Apesar de Henry ter demonstrado uma natural imaturidade tática e de gestão, a missão era mesmo difícil, e um profissional mais tarimbado como Leonardo Jardim conseguiu meramente evitar o rebaixamento, dois pontos acima da zona da degola. Nesta temporada, o Monaco começou mal mais uma vez, mas está em meio a uma recuperação, com cinco vitórias nas últimas sete rodadas do Campeonato Francês.

No Montréal Impact, a história será diferente. Anunciado agora, terá dois meses para ajudar a preparar a próxima temporada, e a pressão será muito menor em um clube de meio de tabela da Major League Soccer, nono colocado da sua conferência, a quatro pontos da zona de playoffs. E Henry terá contrato de dois anos, com opção de estender por mais um, o que também lhe oferece alguma estabilidade.

“É uma honra ser treinador do Montréal Impact e regressar à MLS”, afirmou Henry, que defendeu o New York Red Bulls entre 2010 e 2014, com 51 gols em 122 jogos. “Esta é uma liga que conheço bem, na qual me diverti bastante. Estar em Quebec, em Montreal, que tem uma enorme herança multicultural, é extraordinário. Sempre tive um olho neste clube e agora estou aqui”.

Aos 42 anos, Henry tem personalidade e fala bem sobre tática, o que pode ou não torná-lo um bom treinador. Ainda não dá para saber, mas, na Major League Soccer, ele terá um interessante laboratório, e se aproveitá-lo, pode seguir os passos do ex-companheiro invencível Patrick Vieira, que passou duas temporadas e meia no New York City antes de assumir o Nice.