Segundo os dados do IBGE, Salvador é a capital com a maior população negra do Brasil. O Censo de 2011 aponta para 744 mil negros na cidade, que, em conjunto com a população que se considera “parda”, correspondem a quase 80% do total de habitantes. Além disso, há estudos de universidades brasileiras que também garantem que a metrópole baiana é o local com maior número de negros fora da África. E neste Novembro Negro, às vésperas do Dia da Consciência Negra, o Bahia protagonizou uma importante ação. Neste domingo, as camisas de seus jogadores traziam nomes de diferentes personalidades negras – todas ligadas de alguma forma ao estado, incluindo dois antigos ídolos do clube.

“Ao longo de 2018, o Bahia já realizou ações em homenagem à luta dos povos indígenas, das pessoas com deficiência e das mães com filhos desaparecidos, assim como iniciativas contra intolerância religiosa, machismo e homofobia, entre outros temas. Desta vez, o Esquadrão aproveitará a partida deste domingo, diante da Chapecoense, pelo Campeonato Brasileiro, para destacar o início do Novembro Negro, o mês nacional da Consciência Negra. O período é dedicado à reflexão sobre a inserção do povo negro na sociedade brasileira e a data exata (20/11) foi escolhida por coincidir com a morte de Zumbi dos Palmares, em 1695”, anunciou o clube, em seu site oficial.

Pouco antes da partida, o clube publicou imagens das camisas preparadas nos vestiários, com os nomes dos homenageados. E em campo, o Bahia honrou a ocasião, derrotando a Chapecoense por 1 a 0. O gol decisivo aconteceu aos 21 do segundo tempo. Zé Rafael fez ótima jogada na entrada da área e passou para Élber, que dominou e bateu na saída de Jandrei. O triunfo deixa o Tricolor no 11° lugar, abrindo seis pontos de vantagem em relação à zona de rebaixamento. Já a Chape é a antepenúltima colocada, com 34 pontos, mas dentro do Z-4 apenas pelos critérios de desempate.

Abaixo, as imagens divulgadas pelo Bahia e também uma pequena biografia sobre cada um dos homenageados, presente no site oficial do clube:

 

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ZUMBI (1655-1695)
Conhecido como Zumbi dos Palmares, foi um dos pioneiros da resistência contra a escravidão e o último dos líderes do Quilombo dos Palmares, o maior dos quilombos do período colonial.

MILTON SANTOS (1926-2001)
Primeiro e único latino-americano a ganhar o “prêmio Nobel” da geografia mundial. Baiano, destacou-se pelos estudos sobre globalização e urbanização no Terceiro Mundo.

DANDARA (?-1694)
Guereira negra do período colonial do Brasil. Após ser presa, suicidou-se para não retornar à condição de escrava. Foi esposa de Zumbi, com quem teve três filhos.

MOA (1954-2018)
Considerado um dos maiores mestres de capoeira de Angola da Bahia, Moa do Katendê também foi fundador do bloco afoxé Badauê.

LUIZA BAIRROS (1953-2016)
Gaúcha radicada na Bahia, onde construiu seu histórico de militância negra. Doutora em Sociologia pela Universidade de Michigan, foi ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

GANGA ZUMBA (1630-1678)
Primeiro líder do Quilombo dos Palmares e antecessor de seu sobrinho, Zumbi.

MARIA FELIPA (?-1873)
Marisqueira, pescadora e trabalhadora braçal, liderou um grupo de 200 pessoas, entre mulheres e índios, contra os portugueses que atacavam a Ilha de Itaparica, em 1822. É considerada uma das heroínas da luta da Independência da Bahia.

MÃE MENININHA (1894-1986)
Mais famosa ialorixá da Bahia e uma das mais admiradas mães-de-santo do Brasil. Foi responsável por abrir as portas do Terreiro do Gantois, em Salvador, aos brancos e católicos.

LUIS GAMA (1830-1882)
Baiano, é considerado o Patrono da Abolição da Escravidão do Brasil. Conquistou judicialmente a própria liberdade e passou a atuar na advocacia em prol dos negros.

BATATINHA (1924-1997)
Um dos maiores nomes do samba da Bahia, foi homenageado por artistas como Paulinho da Viola, Gilberto Gil, Chico Buarque, Caetano Veloso e Maria Bethânia.

EDERALDO GENTIL (1947-2012)
Cantor e compositor da geração mais talentosa do samba baiano, ao lado de Batatinha. Foi gravado por nomes como Clara Nunes.

NEGUINHO DO SAMBA (1954-2009)
Músico baiano, criador do estilo samba-reggae e fundador do grupo Olodum e da banda Didá, ambos com sede no Pelourinho

MESTRE BIMBA (1900-1974)
Criador da Luta Regional Baiana, mais tarde chamada de capoeira regional. Foi o responsável por tirar a capoeira da marginalidade.

LUÍSA MAHIN (Séc. XIX)
Mãe de Luis Gama e africana radicada no Brasil, liderou as principais revoltas e levantes de escravos que sacudiram a Província da Bahia nas primeiras décadas do século XIX.

JONATAS CONCEIÇÃO (1952-2009)
Poeta e professor da UNEB, foi um dos fundadores do Movimento Negro Unificado na Bahia. Era diretor do bloco Ilê Aiyê, onde coordenava o projeto pedagógico.

TEODORO SAMPAIO (1855-1937)
Filho de escrava, foi um dos maiores pensadores brasileiros de seu tempo. Nascido na Bahia e engenheiro por profissão, escreveu obras de vasta erudição geográfica e histórica.

BIRIBA (1938-2006)
Um dos maiores ídolos da história tricolor, campeão brasileiro de 1959.  Nascido no bairro de Itapuã, preferia jogar na ponta direita, mas aceitou mudar de lado para formar dupla infernal com Marito, outro expoente do Esquadrão.

CARLITO (1927-1980)
Maior artilheiro do Bahia em todos os tempos, com 253 gols em 13 anos de clube, de 1946 a 59. É também o maior goleada tricolor na história dos Ba-Vis, com 21 tentos marcados.

MANOEL QUERINO (1851-1923)
Fundador do Liceu de Artes e Ofícios da Bahia e da Escola de Belas Artes, foi pintor, escritor, abolicionista e pioneiro nos registros antropológicos e na valorização da cultura africana na Bahia.

EDISON CARNEIRO (1912-1972)
Escritor nascido em Salvador, foi também um dos maiores etnólogos brasileiros a estudar a cultura afro-brasileira. Jornalista, professor e folclorista, é autor da obra “Quilombo dos Palmares”.