Em 1955, o Flamengo conquistou o tricampeonato carioca. Os rubro-negros golearam o America por 4 a 1 no Maracanã, em conquista histórica protagonizada por Dida. O atacante alagoano anotou nada menos que os quatro gols da equipe na terceira partida da decisão, que definiu a taça. E na comemoração, durante a entrega das faixas, o craque acabaria tietado por uma torcedora ilustre: Angela Maria participou das celebrações. Para época, não era pouco. Uma tabelinha entre futebol e música que não passou batida nos jornais da época, como ilustrado acima.

Angela Maria foi uma das artistas mais populares do Brasil entre as décadas de 1950 e 1960. O título de “Rainha do Rádio”, recebido em 1954, dizia muito sobre a sua abrangência. Nascida no interior fluminense, a Sapoti iniciou sua carreira em 1948, em programas de calouros. Logo se consagraria como uma das maiores vozes da MPB durante a Era do Rádio, figura frequente em programas de personalidades como Ari Barroso e Lamartine Babo. Permaneceu ativa por mais de 70 anos e, além de seus álbuns, também participou de filmes e teve programas de televisão. Faleceu neste sábado, aos 89 anos, vítima de uma infecção generalizada. Nesta rodada do Brasileirão, foi realizado um minuto de silêncio em sua memória e do narrador Luiz Carlos Fabrini.

Em tempos nos quais a música e o futebol eclodiam concomitantemente, seja no rádio ou nas revistas, Angela Maria também demonstrava a sua paixão pelo esporte. Naquela época, era comum torcer por clubes de diferentes estados, que em raríssimas oportunidades haviam se enfrentado em caráter oficial. Assim, a cantora se dizia flamenguista e corintiana. Chegou a frequentar o Maracanã algumas vezes e visitou o elenco do Flamengo, assim como aparecia no Pacaembu. E ao menos por suas entrevistas, mostrava entender do assunto. Sua imagem, aliás, ajudava a influenciar os próprios fãs. Um exemplo que vem da minha casa: minha avó materna se tornou simpatizante do Corinthians justamente por causa de artistas como a Rainha do Rádio. Em consequência, só para ser do contra, meu avô materno virou palmeirense.

Em forma de homenagem a Angela Maria, resgatamos algumas páginas da antiga Revista do Esporte, publicadas entre 1959 e 1960. A Sapoti faz comentários sobre os melhores jogadores do país e escala a sua seleção ideal, meses depois do primeiro título mundial. Além disso, vale reparar sua relação oscilante com o Vasco, entre a paixão pelo marido e o gosto pela galhofa. Ajuda também a nos levar a outros tempos do esporte e também dimensionar a relação das mulheres neste contexto. Confira: