Xherdan Shaqiri esteve próximo do Liverpool antes da temporada 2014/15. Estava há dois anos no Bayern de Munique, mas ainda não havia se firmado como titular. Precisava jogar mais para desenvolver todo o potencial que havia demonstrado com a camisa do Basel. As conversas estavam avançadas com Brendan Rodgers, técnico dos Reds, mas os bávaros bloquearam a transferência. Seis meses depois, foi emprestado para a Internazionale e posteriormente vendido ao Stoke City. Apenas nesta sexta-feira, o desejo de Shaqiri de defender o Liverpool foi concretizado.

LEIA MAIS: Liverpool se mexeu rápido e reforçou muito bem o meio-campo com Fabinho

O suíço de 26 anos caiu para cima. Foi rebaixado na última temporada com o Stoke City, mas conseguiu um bom contrato de cinco anos de duração com o Liverpool, atual vice-campeão europeu e classificado para a próxima Champions League. O segredo foi uma combinação de circunstâncias: os Reds precisavam de mais um jogador de ataque para rodar com Mohamed Salah, Sadio Mané e Roberto Firmino, e Shaqiri tinha uma cláusula de rescisão de apenas £ 13 milhões em caso de rebaixamento para a segunda divisão.

O Liverpool acionou essa cláusula porque, no atual mercado de transferências, £ 13 milhões é o que se paga de comissão para empresários nos maiores negócios e porque Shaqiri tem talento bruto para ser lapidado por Jürgen Klopp. Não foi à toa que, aos 21 anos, trocou o Basel pelo Bayern de Munique. A decisão acabou sendo ruim porque, na Alemanha, o suíço não encontrou tempo de jogo suficiente para melhorar o seu futebol. Nem conseguiu fazer isso nos seis meses que passou na Internazionale.

Mas acabou se tornando um jogador importante para o Stoke City. Depois de duas temporadas fracas, foi o grande destaque do time na última campanha, apesar do rebaixamento. Em 36 rodadas disputadas da Premier League, ele fez oito gols e deu sete assistências. Considerando que o Stoke marcou apenas 35 vezes na competição, Shaqiri participou diretamente de quase metade do total de gols da sua equipe. Além disso, ele foi um dos bons jogadores da Copa do Mundo, ajudando a levar a Suíça às oitavas de final, com direito a um gol contra a Sérvia, na segunda rodada da fase de grupos.

O Liverpool identificou uma oportunidade de mercado: por um preço módico, contratou um atleta de potencial, que já mostrou boas coisas na carreira, ainda com uma boa idade (26 anos) e com experiência de Premier League. Além disso, é um jogador com fome. Shaqiri surgiu como uma grande promessa e nunca conseguiu cumprir as expectativas. Depois de fracassar em dois clubes grandes, sabe que provavelmente não terá mais uma oportunidade como essa se falhar com a camisa do Liverpool.

Por um lado, com um trio de ataque bem estabelecido, não há pressão para que Shaqiri dê certo imediatamente. Por outro, ele terá que batalhar muito se ambiciona virar titular da equipe, por mais que um dos principais motivos por trás da sua contratação seja justamente dar um pouco de descanso principalmente para Salah e Mané.

Na última temporada, o Liverpool sofreu fisicamente com a disputa de duas competições em paralelo e tinha poucas opções no banco de reservas. Klopp chegou a disputar um clássico contra o Everton com Danny Ings e Solanke no ataque. Com três empates nas rodadas derradeiras, dependeu de uma vitória na rodada final contra o Brighton para não perder a vaga na Champions League. Shaqiri certamente é uma opção melhor para o rodízio que Klopp às vezes precisará fazer.

Shaqiri é a terceira contratação do Liverpool para a próxima temporada. Já vieram Naby Keita, que estava acertado desde o ano passado, e Fabinho, para melhorar as opções do meio-campo. Os Reds ficaram próximos de um negócio por Nabil Fekir, do Lyon, mas a transferência foi abortada pouco antes de se concretizar, e não se sabe se o interesse será renovado depois da Copa do Mundo. Ainda há a eterna novela do camisa 1. Depois das falhas de Karius, o clube foi ao mercado em busca de um goleiro, mas ainda não contratou ninguém. Os laços com Alisson, da Roma, foram fortalecidos nos últimos dias, depois que Karius falhou feio em um amistoso. Mas, ao mesmo tempo, surgiram informações de que Klopp pode dar uma oportunidade para o galês Danny Ward, 25 anos, que defendeu as metas do Huddersfield, na campanha do acesso à Premier League, mas não teve chances desde que retornou ao Liverpool.

O treinador usou o termo em inglês “no-brainer” para justificar a contratação de Shaqiri, uma expressão para ações automáticas, que não exigem muita ponderação. “Quando alguém como ele fica disponível desta maneira, você tem que reagir rápido se for esperto e fizemos isso. Ele tem velocidade e habilidade, tem a quantidade certa de arrogância em campo, uma coragem real de querer a bola e influenciar o jogo. Para jogar pela gente, essas são exigências obrigatórias”, disse. “Nós somos a transferência perfeita para ele neste momento. Acho que ele precisa se desafiar e nosso ambiente encoraja isso”.

A oportunidade de defender um grande clube em ascensão como o Liverpool deve ter sido uma surpresa neste momento da carreira de Shaqiri, depois de um rebaixamento por um clube de patamares menores da Inglaterra. O suíço não tem o direito de desperdiçá-la.


Os comentários estão desativados.