O Campeonato Brasileiro, enfim, começou. Pouca gente viu, é verdade. São Paulo e Botafogo entraram em campo neste sábado no Morumbi, às 16h, para o primeiro jogo da competição. Pouca gente viu porque o jogo foi transmitido apenas pelo canal Premiere, do pay per view. Não teve festa de abertura – e nem deveria, afinal, nem era o campeão em campo. A atração eram estreias. No São Paulo, Alexandre Pato e Tchê Tchê, titulares, e Vitor Bueno, no banco. No Botafogo, o técnico Eduardo Barroca, que fazia seu primeiro jogo no time profissional. E o São Paulo foi quem comemorou em uma vitória por 2 a 0 diante de 26.533 torcedores no Morumbi.

O São Paulo vinha da perda da final do Campeonato Paulista, no último domingo, para o rival Corinthians. A estreia no Morumbi tinha ares de reformulação pelas estreias. Também foi uma ruptura, em definitivo, do trabalho que Vagner Mancini fazia, inclusive ficando no banco com o técnico Cuca. A partir de agora, no Brasileirão, Cuca comanda o time sozinho, apenas com os seus auxiliares. E o começo do jogo foi bom, atuando no ataque e tentando criar chances.

O time escalado tinha a mesma formação básica que vinha jogando. As novidades foram Igor Vinícius na lateral direita, porque Hudson foi deslocado para o meio-campo, formando dupla com Tchê Tchê. No mais, o time era o mesmo, com Éverton Cardoso do lado esquerdo, Igor Gomes pelo meio e Antony pela direita. No ataque, a novidade de Alexandre Pato centralizado no ataque, vestindo a camisa 7 – na primeira passagem, o atacante jogava com a 11, que agora está com Helinho, uma opção no banco.

O que o São Paulo jogou no primeiro tempo foi interessante e mereceu o placar criado, de 1 a 0, em um cruzamento de Antony pela direita para o meio e Everton cabeceou para a rede. Havia, porém, um elemento interessante no Botafogo: o time mantinha mais posse de bola que o adversário, mesmo jogando no Morumbi. No primeiro tempo, isso não serviu de nada, porque não criou chances de gol. No segundo, as coisas foram diferentes.

A postura adotada pelo São Paulo ficou aquém do que se esperava. O Botafogo mostrou mais recursos do que vimos nos jogos do Campeonato Carioca, com o técnico Zé Ricardo. O Botafogo teve troca de passes – foram 686 ao longo do jogo, contra 267 do São Paulo. O problema é que o alvinegro não conseguiu criar perigo para o goleiro Volpi.

Gabriel foi o jogador com mais passes no jogo, com 122. É zagueiro. O segundo foi Cícero, o mais acionado do meio para frente (92 passes). Gustavo, volante, vem em seguida, com 85, seguido pelo zagueiro Joel Carli, 84, e o meia João Paulo, 63. No São Paulo, o jogador que mais fez passes foi Antony, com 37. Um deles para o gol de Everton.

O São Paulo corria riscos e o Botafogo chegava ao ataque. Tinha dificuldades a partir da intermediária, mas teve a bola por um longo tempo. Tanto que terminou a partida com 71% de posse de bola. Cuca pareceu apostar no contra-ataque para matar o jogo. Só que o time da casa não conseguiu dar continuidade aos lances e parou de ser perigoso. O gol de empate pareceu mais perto de acontecer do que um segundo gol tricolor.

Apesar de ter bem menos a bola, o São Paulo foi mais perigoso quando, enfim, acertou lances ofensivos. Pato, pela esquerda, fez uma jogada de velocidade que levou perigo, com finalização de Tchê Tchê. Toró, que entrou no lugar de Pato, cansado, deu novo fôlego ao ataque do time do Morumbi, colocando uma correria danada a cada vez que pegava na bola. Foi assim, inclusive, que provocou um cartão amarelo para Joel Carli.

No final do jogo, já aos 37 minutos, o São Paulo resolveu o jogo. Hernanes, que entrou no segundo tempo no lugar de Igor Gomes, recebeu pelo meio e ajeitou para trás. Hudson tocou com categoria, de chapa, no canto do goleiro Gatito Fernández e saiu para o abraço: 2 a 0 no Morumbi.

O resultado é ótimo para o São Paulo e há boas perspectivas para que o time melhorar. Mas precisa melhorar. O que se viu no Morumbi foi um Botafogo que teve a bola, mas não foi suficientemente capaz de complicar a vida do São Paulo. Um time melhor certamente poderia ter causado sérios problemas ao tricolor. Se a estratégia é usar contra-ataques em alguns momentos, será preciso ser mais eficaz quando tiver a bola e saber dosar melhor a pressão para recuperar a bola em determinadas zonas do campo. O Botafogo, de forma, geral, teve liberdade.

Ao Fogão, o que fica é também esperança. O resultado, claro, não foi bom, mas o time já mostrou que tem mais recursos de jogo do que o time que se via com Zé Ricardo. Barroca acabou de estrear, ainda tem muito o que trabalhar. Os indícios mostrados no Morumbi são de um Botafogo um pouco mais capaz de jogar, e não apenas de se defender – e mal – como era com o antigo treinador.