No Brasil, tanto quanto um sustentáculo, o dinheiro dos direitos de transmissão se transformou em uma carta na manga. Clubes antecipam o valor e, por vezes, parecem mesmo vender a alma para ter sua parcela a gastar. Com isso, antecipam uma parte importante da receita e carregam dívidas com a barriga, em um ciclo que costuma não ter fim. No Equador, porém, a mesma prática acontece. Afinal, nem mesmo o valor que lhes é devido chega às contas bancárias. Assim, nos duelos entre LDU Quito x Barcelona e El Nacional x Aucas, válidos pelo campeonato nacional, as equipes se manifestaram diante do calote dado pela televisão.

“Senhores canais de televisão. Por favor, paguem os direitos de transmissão de televisão. Nós também temos família”, afirmavam as faixas levadas ao gramado. Mais do que uma fonte para contratações, o dinheiro dos direitos de transmissão (bem mais modestos) ajuda os clubes a colocarem suas contas em dia. Assim, os atrasos salariais e a crise financeira são explicados justamente pela falta de compromisso dos devedores. A queda de braço unindo dirigentes de diferentes equipes se desdobra desde fevereiro, com as cobranças realizadas junto à federação, responsável pela negociação com as redes televisivas.

As faixas ainda traziam os símbolos de duas das cinco emissoras que dividem os direitos de transmissão, a TC Televisón e a Gama TV. Obviamente, ambas não exibiram o protesto ao vivo, mas as imagens se viralizaram nas redes sociais. Antes negociados individualmente, os direitos de TV passaram às mãos da federação equatoriana em 2013. Até o último campeonato, dois canais transmitiam os jogos do Campeonato Equatoriano, mas, já por falta de pagamento, os direitos foram repassados em 2016 às cinco emissoras atuais. Segundo estimativas feitas por dirigentes, a dívida da televisão com os clubes chega a US$ 7 milhões.

* A dica de pauta veio do leitor José Renato Alves. Valeu!