Um dos confrontos com um favorito mais claro entre todos das oitavas de final, o jogo entre Shakhtar Donetsk e Bayern de Munique foi muito equilibrado. Os bávaros estiveram muito longe dos seus melhores dias e, embora tenham usado o seu estilo de posse de bola e muitos passes, não conseguiram vencer a boa marcação dos ucranianos. O empate por 0 a 0 esteve longe de ser empolgante. Nem o Bayern mostrou o futebol de favorito que se espera dele, nem o Shakhtar foi o time ofensivo que costuma ser. O resultado, então, foi um empate que mantém tudo como antes: os alemães favoritos por serem melhores e decidirem em casa, os ucranianos como completos azarões para o jogo de volta.

LEIA TAMBÉM: Chelsea se aproveitou do excesso de precaução do PSG para arrancar empate

O primeiro tempo teve muita posse de bola do Bayern (terminou 69% para o Bayern, 29% Shakhtar), mas poucas chances de gol. As melhores foram do time bávaro, especialmente com Müller, o centroavante do time no jogo. O time alemão foi quem mais chegou ao ataque, até porque pressionar a saída de bola dos ucranianos, que se viram obrigados a atuar de um jeito que não estão acostumados, se defendendo, bem fechados, e tentando sair nos contra-ataques. Pouco conseguiu. O Shakhtar só ameaçou quando roubou uma bola no campo de ataque e conseguiu uma falta, mas que foi para fora.

O melhor momento do primeiro tempo foi um entrevero entre dois brasileiros. O lateral Rafinha, do Bayern, segurou a bola, enrolando por uma falta marcada contra o seu time e o compatriota Luiz Adriano não gostou. Os dois se estranharam, mas sem qualquer consequência mais grave. O jogo continuou em um marasmo.

No segundo tempo, o jogo voltou ainda pior que no primeiro. O Shakhtar, é verdade, tentou ter mais iniciativa. Tentou, mas nem Taison (aquele, que poderia ser melhor que o Messi) foi suficiente para chegar a balançar a rede. Xabi Alonso foi expulso aos 20 minutos, o que parecia que mexeria com o jogo. Não mexeu. Guardiola recompôs o time com a entrada de Badstuber, mas não precisou nem se esforçar tanto assim. Não houve uma grande chance para dar susto em Neuer. Aliás, nem do outro lado, para assustar Pyatov também.

O Shakhtar é conhecido por ser um time de ataque brasileiro, mas de todos eles, quem se destacou foi um volante: Fernando, ex-Grêmio, teve trabalho para contar o toque-toque-toque do Bayern, mas foi bem. Não deu espaços, fez desarmes e cumpriu bem o seu papel em campo. Não por acaso o técnico Mircea Lucescu parece confiar tanto no volante. Foi uma peça importante para que o resultado ficasse em 0 a 0.

O jogo de volta será no dia 11 de março e não muda muito a situação. O Bayern, evidentemente, é favorito. O Shakhtar terá que novamente ficar com o contra-ataque, situação que o time não se sente completamente à vontade, mas que pode se adaptar. Um  gol na Allianz Arena pode ter um grande valor. O problema é que é muito difícil imaginar que o Bayern jogará tão mal no jogo de volta. O que preocupa mais os torcedores bávaros não deve nem ser a classificação, mas sim o futebol apresentado, considerando que nas quartas de final o time deve ter um adversário mais forte. Teoricamente, claro. Porque pode ser um Porto ou Basel, mas também pode ser um Barcelona ou Manchester City. De qualquer jeito, o futebol precisa melhorar e Pep Guardiola sabe disso.