A Argentina conquistou uma excelente vitória em sua estreia na Copa América. Reeditando a final de 2015, a Albiceleste se impôs sobre o Chile na Califórnia. Venceu por 2 a 1, com grandes atuações de Ángel Di María e Ever Banega. Sem Messi, poupado, os dois assumiram o protagonismo da equipe e se combinaram entre passe e finalização nos dois tentos. E o empenho de Di María, sobretudo, deve ser ressaltado. A avó do camisa 7 faleceu horas antes do jogo e, apesar da notícia, ele preferiu não se ausentar da partida. Mais do que isso, o meio-campista ofereceu a melhor homenagem possível, jogando muito. Relembrou a matriarca na comemoração de seu gol e mandou uma mensagem após a partida, sob muitas lágrimas.

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A partida começou cumprindo as expectativas. Mesmo sem gols, o primeiro tempo foi repleto de intensidade dos dois lados, com os times buscando o ataque. A Argentina ameaçava mais constantemente, em especial pela participação de Di María. O camisa 7 cruzou para Gaitán cabecear no travessão, enquanto ele mesmo chutou com muito perigo aos sete minutos. Depois, foi a vez de Banega aparecer, criando jogadas que Higuaín e Rojo falharam por pouco. Já os chilenos foram menos efetivos, mas mais precisos. Só não balançaram as redes porque pararam em duas boas defesas de Sergio Romero. E, se sobrava vontade, o duelo também contava com muita pegada e até um excesso de força.

No segundo tempo, o Chile começou melhor. Mas, depois de dois tentativas perigosas, quem abriu o placar foi a Argentina. Banega roubou a bola de Aránguiz e avançou com a defesa adversária desmontada. Passou para Di María vencer Bravo e estufar as redes. Na comemoração, a emoção pelo momento se evidenciava no camisa 7. Saiu correndo ao banco de reservas vibrando muito, até pegar uma camiseta. Nela, dizia que sentiria muita falta da avó. Beijou a mensagem, em sinal de respeito.

O gol desmontou o Chile, que errava demais. E os argentinos aproveitaram o momento para ampliar aos 13. Desta vez, Di María puxou contra-ataque e abriu com Banega. O camisa 19 retribuiu a gentileza do companheiro invadindo a área e anotando o gol, em chute desviado. Novo contratado da Internazionale, o meio-campista desempenhava papel fundamental ditando o ritmo, dominando o espaço e aproveitando as brechas. Justo ele, um dos “vilões” na final de 2015, ao desperdiçar um dos pênaltis. Ao lado da entrega de Di María, este controle foi fundamental para a vitória.

Depois disso, coube à Argentina administrar a partida. Tata Martino tirou Higuaín, Di María e Gaitán para as entradas de Agüero, Lamela e Kranevitter. Renovou as energias para tentar aumentar a vantagem nos contra-ataques. E poderia ter feito assim, não fossem as grandes defesas de Claudio Bravo. Enquanto isso, os chilenos demonstravam destempero. Com os destaques individuais desaparecidos, o gol de honra saiu apenas nos acréscimos. Após cobrança de falta, Fuenzalida aproveitou a falha de Romero para marcar.

Já na saída de campo, foi impossível não se emocionar com Di María. O meia chorou em entrevista à transmissão oficial da Copa América, falando sobre a avó e mandando uma mensagem para os familiares. “É difícil por minha mãe, por meus tios. Às vezes alguns te criticam, mas quando acontecem essas coisas é difícil estar longe da família”, afirmou o Fideo. “Eu queria jogar. A seleção é um orgulho que eu tenho. Minha mãe pediu que ficasse, que estivesse com meus companheiros e que ganhássemos a partida. Eu sabia que teria a possibilidade de fazer um gol. Já tinha acontecido com o meu sogro, agora com minha avó. Assim fico contente pelo gol e mando saudações a toda a minha família”. Em 2011, quando ainda estava no Real Madrid, o argentino homenageou o sogro da mesma forma: com uma mensagem na camiseta, ao balançar as redes nos 6 a 2 sobre o Sevilla.

A força demonstrada por Di María nesta segunda só ressalta a sua importância na seleção argentina. Que, com a vitória sobre os atuais campeões, reafirma o seu favoritismo. Em transição, o Chile ficou devendo e demonstra que possivelmente não brigará pelo bicampeonato. Enquanto isso, a Albiceleste possui talento de sobra. E sede de triunfar, independente das circunstâncias. Di María merece o resultado.