No dia em que Johan Cruyff completaria 70 anos, o Ajax anunciou uma iniciativa louvável para exaltar a memória daquele que transformou os Godenzonen em gigantes europeus. A administração do clube, do estádio e a prefeitura chegaram a um acordo para que a Amsterdam Arena passe a se chamar Johan Cruijff Arena – conforme a grafia local. Nada mais justo, em homenagem que acontece pouco mais de um ano depois da morte do gênio, falecido em março de 2016. Valorização àquele que conquistou todos os títulos possíveis com a camisa alvirrubra, incluindo oito da Eredivisie e três da Copa dos Campeões, além de também viver momentos importantes como técnico e dirigente.

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Cruyff não chegou a atuar na Amsterdam Arena. Em seus tempos de jogador, assim como quando voltou para ser técnico, o clube atuava no Estádio De Meer e por vezes no Estádio Olímpico de Amsterdã. A mudança para a moderna casa aconteceu em 1996. E a representatividade da nova construção, dentro do próprio contexto do futebol europeu, foi enorme. A praça esportiva da capital holandesa inaugurou a era de modernas arenas no continente. Sua concepção se tornou parâmetro para uma série de obras. Integrada ao sistema de transporte público, ainda inovou ao criar uma empresa específica para o seu gerenciamento, responsável por organizar os eventos em sua estrutura. Algo que, até então, era inédito.

Após sua morte, Cruyff recebeu dois de seus maiores tributos na Amsterdam Arena. No dia seguinte ao falecimento, Holanda e França se enfrentaram no local. O amistoso foi parado aos 14 minutos, para que todos aplaudissem a lenda. Além disso, outras tantas lembranças aconteceram, da camisa dos mascotes que entraram em campo aos cartazes levados por torcedores. Já no início de abril, na primeira partida do Ajax em casa desde a triste notícia, o clube preparou uma enorme homenagem. Houve um cortejo do bairro onde o veterano cresceu até o estádio, mosaico nas arquibancadas, camisas gigantes estendidas no gramado, imagens inesquecíveis no telão e muita emoção. Um ano depois, no último 24 de março, os tributos se repetiram.

Segundo nota oficial divulgada pelo Ajax, a mudança ainda depende de trâmites burocráticos, que devem durar até seis meses, mas as três partes já estão acertadas. A primeira manifestação de intenção aconteceu uma semana após o falecimento, através de um encontro entre o prefeito da capital e um representante da família de Cruyff. Desde então, os detalhes e as implicações da mudança vinham sendo discutidos pela gestão do estádio. Ainda haverá o batismo de um logradouro de Amsterdã com o nome do craque. Jordi Cruyff manifestou a gratidão com a homenagem ao seu pai. Em 24 de março, no primeiro aniversário de morte, o Barcelona anunciara que seu novo estádio para as categorias de base também será batizado para relembrar o camisa 14.

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Cruyff nasceu e cresceu em Amsterdã, que atravessava um momento de reconstrução após a Segunda Guerra Mundial. Vivia com a família em Betondorp, bairro operário, a poucos quarteirões do Estádio De Meer. Seu pai tinha uma quitanda e vendia legumes ao Ajax, enquanto sua mãe trabalhava voluntariamente na cozinha do clube. Após o falecimento do patriarca, a mãe foi contratada pelos Godenzonen. para ser faxineira Ao mesmo tempo, o garoto já integrava as categorias de base. Após se tornar mito dos alvirrubros, Cruyff retribuiu à cidade um pouco do que recebeu. Criada em 1997 e com base no Estádio Olímpico, a Fundação Johan Cruyff oferece oportunidades a crianças, especialmente com deficiências, através da prática esportiva.

Em seu canal no Youtube, o Ajax publicou nesta terça “14 gols do camisa 14”:


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