Quando Michael Jackson nasceu, em Indiana, a febre pelo “soccer” estava distante de atingir os Estados Unidos. A modalidade começou a pegar um pouco mais no país quando o cantor já vivia um cotidiano de popstar, da adolescência à idade adulta nos anos 1970, mas ele sequer se interessava por esportes. O que não significa que o futebol não tenha passado por sua vida. Há uma série de episódios pitorescos em que o Rei do Pop, por algum motivo, se insere no mundo boleiro. Nesta quarta, se ainda estivesse vivo, MJ completaria 60 anos. Assim, para homenagear o músico, relembramos três destas histórias.

A estátua em Craven Cottage

Não havia nada de muito especial no jogo entre Fulham e Wigan realizado em 10 de abril de 1999. Os dois times ambicionavam o acesso, tudo bem, mas era apenas um encontro perdido pela terceira divisão do Campeonato Inglês. Ainda assim, a data ficou marcada em Craven Cottage. Michael Jackson esteve nas arquibancadas do tradicionalíssimo estádio londrino, oferecendo o seu apoio aos Cottagers. Sinal de sorte ou não, os alvinegros ganharam a partida por 2 a 0 e, ao final da temporada, conquistaram o título da terceirona.

A aparição de MJ no estádio, de qualquer forma, não tinha tanto interesse no futebol. O músico era amigo de Mohamed Al-Fayed, magnata que comprou o Fulham dois anos antes. Em uma visita do americano a Londres, o egípcio perguntou se ele não gostaria de acompanhá-lo a Craven Cottage. “Ele aceitou e eu me lembro que estava empolgado naquele dia”, relembra o empresário. Além da presença nas tribunas, Michael Jackson também apareceu no gramado e conheceu os jogadores dos Cottagers.

Entrevistado pelo Daily Mirror na saída do estádio, Michael Jackson brincou com a situação: “Eu não conheço nada de futebol e nunca assisti a um evento esportivo, mas Al-Fayed insistiu e eu me diverti bastante vendo o Fulham. Sou um fã de futebol agora, vocês deverão me ver em mais partidas. Foi incrível. Fiz algumas perguntas porque não conhecia as regras, mas depois que entendi, foi legal. Todo mundo estava gritando. Fiquei um pouco nervoso no início, mas foi maravilhoso. Senti algo estranho quando ouvi o barulho da multidão, queria me levantar e dançar, porque é isso que faço quando as pessoas estão gritando nos meus show”.

Obviamente, Michael Jackson não voltaria a Craven Cottage. Não em vida, quer dizer. Em 2011, dois anos depois da morte do cantor, Al-Fayed resolveu fazer uma homenagem. Instalou uma estátua de 2,3 metros na entrada do estádio, em que o Rei do Pop aparece em sua melhor forma. A imagem deveria ter ficado inicialmente na Harrods, famosa loja do magnata, mas os outros investidores do empreendimento recusaram o “monumento”. Assim, o egípcio acabou levando MJ à casa do Fulham, o que provocou certa rejeição da torcida.

O tributo a Michael Jackson permaneceu por lá até setembro de 2013. Dois meses antes, o empresário americano Shahid Kahn comprou o Fulham de Al-Fayed e resolveu tirar o MJ de resina. Diante do rebaixamento do clube ao final daquela temporada, Al-Fayed chegou até mesmo a dizer que o clube “perdeu a sorte” por conta do ato infeliz de seu sucessor – o que demorou quatro anos para se provar diferente, com o acesso dos Cottagers em 2017/18. Desde então, a estátua foi parar no Museu Nacional do Futebol, em Manchester.

O discurso na casa do Exeter City

No Brasil, o Exeter City é mais lembrado por ter sido o primeiro adversário da seleção brasileira. Contudo, o tradicional clube inglês também ficou famoso por um episódio bem mais inusitado: a visita de Michael Jackson em 2002. De novo, a aparição foi negociada por um amigo do cantor. Famoso ilusionista israelense, Uri Geller havia se tornado dirigente dos Grecians por causa de seu filho – que passou a torcer para o time ao ver os melhores momentos da terceira divisão na TV. Como se não bastasse a aleatoriedade, o co-presidente resolveu fazer um evento para juntar fundos ao clube em dificuldades financeiras e teve a brilhante ideia de levar o Rei do Pop ao acanhado St. James’ Park.

Michael Jackson foi cortejado durante todo o trajeto até o estádio. Cerca de 10 mil pessoas o esperavam nas arquibancadas, em tarde que contou com outras presenças ilustres – incluindo aí o também ilusionista David Blaine. MJ aceitou o convite depois que Uri Geller prometeu doar metade do dinheiro arrecadado à luta contra a AIDS infantil na África e também reservar um espaço nas tribunas a crianças com doenças crônicas da região.

A chegada de Michael Jackson foi a mais bizarra possível. O músico surgiu em um carro antigo e, por baixo de suas roupas extravagantes, vestia uma camisa do Exeter. Em certo momento do evento, subiu ao palco e fez um discurso “em prol da paz mundial” que durou cerca de cinco minutos. Por fim, ainda previu que a Inglaterra venceria a Dinamarca pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2002, em duelo que aconteceria por aqueles dias. O suficiente para levar a galera à loucura, em meio ao surrealismo de toda a ocasião. O Rei do Pop seria nomeado ainda “presidente honorário”, tempos depois. A ajuda aos Grecians, porém, pouco adiantou. O clube seguiu em dificuldades financeiras e quase foi rebaixado na temporada seguinte. Dependeria do apoio financeiro dos torcedores, e não das mágicas de Uri Geller, para sobreviver.

A camisa do Nice

Destes episódios, o mais bisonho (e misterioso) aconteceu em 1983. Durante uma sessão de fotos para uma revista americana, Michael Jackson posou em sua mansão com uma camisa do Nice. São várias e várias imagens do músico vestindo o uniforme rubro-negro, utilizado pelo clube francês em 1980, quando as Águias ficaram a apenas três pontos de serem rebaixadas. Segundo investigação feita pelo L’Equipe, a intenção do fotógrafo era registrar o cantor em uma roupa mais casual. De qualquer forma, ainda resta a dúvida sobre como o manto do Nice chegou até aquela parte de Los Angeles. Ficam eternizadas as imagens.


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