Quando se pensa na relação do Grêmio com outros países sul-americanos, geralmente o Uruguai surge à mente, sobretudo pela imagem inquebrantável de Hugo de León como capitão. Porém, o Paraguai também compõe uma parte importante da história tricolor. Inegavelmente, os guaranis deram sua contribuição para que os gremistas reconquistassem a Libertadores em 1995. E o encontro com o Libertad nas oitavas de final do torneio continental serve de gancho para relembrar um personagem idolatrado daquela epopeia: Francisco Arce.

Arce desembarcou em Porto Alegre no início de 1995, aos 23 anos, já cheio de moral. Multicampeão com o Cerro Porteño e referência da seleção paraguaia, Chiqui sempre foi um lateral com talento de camisa 10 – inclusive, chegando a atuar como meia nos primórdios da carreira. Ainda assim, diante das várias contratações realizadas pelo Grêmio naquela nova temporada, o paraguaio vinha mesmo para ocupar a lacuna na ala direita. Não demorou a virar protagonista no esquema de Felipão. Seus cruzamentos cirúrgicos e sua qualidade nas bolas paradas foram valiosíssimos durante a caminhada continental.

Na sequência da campanha, Arce ganhou a companhia de outro compatriota. Seis anos mais velho, Catalino Rivarola foi colega do lateral no Cerro Porteño, embora defendesse o Talleres àquela altura. O zagueiro reforçou a equipe já para os mata-matas da Libertadores e compôs uma dupla muito firme ao lado do capitão Adílson Batista, na qual o paraguaio ficou famoso também pelas pancadas que distribuía. Juntos, os dois guaranis se tornaram personagens muito queridos à torcida gremista e foram fundamentais para o sucesso que levou o clube de volta ao topo da América.

Arce permaneceu no Grêmio até 1997, brilhando também nas conquistas do Brasileirão de 1996 e da Copa do Brasil de 1997. Deixou o Olímpico para se juntar a Felipão no Palmeiras a partir de janeiro de 1998. Rivarola ergueu as mesmas taças e ainda participou da Copa do Mundo de 1998 como jogador gremista, antes de seguir os passos do colega. Um ano depois, em janeiro de 1999, também passou a reforçar o elenco palmeirense rumo à empreitada na Copa Libertadores. Enquanto o lateral seria um dos destaques daquela conquista alviverde, o zagueiro permaneceu no banco. Dois homens de confiança na melhor fase de Felipão.

Abaixo, um vídeo com lances de Arce vestindo a camisa tricolor: