O Dia Internacional das Mulheres não é sobre flores, mas sobre a luta feminina por segurança, liberdade, igualdade de tratamento e de pagamento. Não havia, portanto, data melhor para a seleção feminina dos Estados Unidos entrar com um processo por discriminação de gênero contra a Federação Americana de Futebol, pedindo as mesmas condições financeiras do time masculino.

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Em março de 2016, cinco jogadoras da seleção (Carli Lloyd, Hope Solo, Alex Morgan, Megan Rapinoe e Becky Sauerbrunn) entraram com uma ação contra a federação por discriminação nos salários, por meio da Comissão de Igualdade de Pagamento e Oportunidade. Basearam-se em um relatório, da própria USSF (sigla, em inglês, de United States Soccer Federation), que mostrava que as mulheres haviam gerado US$ 20 milhões a mais em 2015, quando foram campeãs do mundo, do que os homens e, mesmo assim, receberam menos de volta.

Pelo título da Copa do Mundo, cada jogadora recebeu US$ 75 mil de bônus, enquanto os homens levaram US$ 407 mil para chegar às oitavas do Mundial masculino, no ano anterior, para ficar apenas em um exemplo – outros estão neste texto de três anos atrás.

Nenhuma medida foi tomada em relação a essa ação. Agora, as 28 jogadoras do time entraram com uma ação conjunta na Corte Distrital dos Estados Unidos em Los Angeles, pedindo status de “ação de classe”, o que significa que qualquer jogadora que defendeu o time desde fevereiro de 2015 pode se juntar ao processo.

“Apesar do fato de que mulheres e homens são convocados para desempenhar o mesmo trabalho em seus times e participar de competições internacionais pelo mesmo empregador, a USSF, as jogadoras femininas têm recebido, consistentemente, menos pagamento do que seus representantes masculinos. Isso é verdade, embora o desempenho das mulheres seja superior ao dos jogadores masculinos – com as mulheres, em contraste com os homens, se tornando campeãs do mundo”, afirma o processo.

Além de pagamento e tratamento iguais, as jogadoras pedem danos retroativos, pelos anos de discriminação. A USSF afirmou que não comenta sobre “processos pendentes”, mas, no passado, já disse que muito da diferença se deve a acordos coletivos separados. No último acordo, válido de 2017 a 2021, as mulheres estabeleceram uma estrutura de salários garantidos em vez de um modelo jogo a jogo, como no time masculino.

“Não sei se houve uma gota d’água, mas o sentimento era de que este era o próximo passo para nós, para nos colocar na melhor posição possível para continuar a lutar pelo que acreditamos ser certo e o que a lei reconhece. E tentar chegar à igualdade por meio da lei, condições de trabalho iguais, pagamentos iguais. Isso vai além de pagamento igualitário, mas também de condições de trabalho”, disse a meia Megan Rapinoe.

O processo também cita a quantidade de jogos do time feminino, tratamento médico e treinadores como pontos de divergência. A Associação de Jogadoras do Time Nacional não se juntou à ação, mas a apoia. A Associação de Jogadores do Time Nacional, ou seja, a entidade dos homens, também manifestou “apoio total”. A seleção feminina de futebol defende seu título da Copa do Mundo, a partir de 7 de junho, na França.

“Cada uma de nós está extremamente orgulhosa de vestir a camisa dos Estados Unidos e levamos a sério nossa responsabilidade. Nós acreditamos que a luta pela igualdade de gênero no esporte é parte dessa responsabilidade. Como jogadores, perecemos receber a mesma coisa pelo nosso trabalho, independentemente de gênero”, encerrou Alex Morgan.