A Liga dos Campeões da África terá uma final bem menos surpreendente do que se poderia imaginar. Entre os semifinalistas, o 1° de Agosto estava sedento por cumprir a história. Pela segunda vez no torneio, um clube lusófono se colocava entre os quatro primeiros e já havia demonstrado potencial para mais, ao eliminar o Mazembe. Todavia, a arbitragem pesou contra, durante o duelo com o Espérance. Depois da vitória por 1 a 0 em Luanda, uma série de decisões contestáveis da arbitragem impediram o Pri de ao menos arrancar o empate na Tunísia. A derrota por 4 a 2 custou a eliminação e deixou um gosto amargo, com os rubro-negros se queixando publicamente, sobretudo pela anulação de seu terceiro gol. Apesar do orgulho compartilhado, a indignação era inescapável. E permitiu que os finalistas fossem mais do mesmo.

O Espérance vai encarar o Al Ahly, que superou o Sétif do outro lado da chave. Juntos, os dois clubes possuem 17 aparições em finais, 11 apenas neste século. Já chegaram a disputar a taça em 2012, quando os egípcios se deram melhor e concluíram uma conquista histórica, meses depois do desastre de Port Said. Os confrontos entre Egito e Tunísia na decisão da Champions, aliás, são um tanto quanto comuns. Este será o sexto embate entre os dois países, todos ocorridos a partir de 1994. A vantagem é dos Faraós, com três vitórias (todas elas do Al Ahly) e duas derrotas.

Aproveitando o jogo de ida nesta sexta-feira, resgatamos um mapa produzido em 2015 e devidamente atualizado, com todos os clubes que disputaram as finais da Liga dos Campeões da África. O torneio enfrentou ao longo das décadas as dificuldades com distâncias, falta de estrutura e diferenças no calendário. No entanto, também serviu para coroar 53 campeões desde então.

Ao longo das mais de cinco décadas do torneio, o domínio é do norte da África. São 29 conquistas concentradas em apenas quatro países: Egito, Marrocos, Argélia e Tunísia. Números impulsionados principalmente pelo Al Ahly, dono de oito taças, mais do que qualquer outra nação. Já a África Subsaariana fica com 24 conquistas, mais dispersas, divididas por oito países diferentes. Ao todo, 26 clubes já se sagraram campeões continentais, sendo que 22 deles também viram um rival nacional igualar o triunfo.

Incluindo os vices, a lista de finalistas abrange 18 nacionalidades africanas, algumas com pouca tradição entre as seleções – em especial, Uganda e Zimbábue. Entretanto, a distribuição dos clubes fica limitada a apenas poucos focos: a costa do Mediterrâneo no Magrebe, o delta do Nilo e o golfo da Guiné. São raros os clubes território adentro, a exemplo do Mazembe. Famosos criadouros de talentos, especialmente nas décadas passadas, as antigas colônias portuguesas não conseguiram formar campeões. Assim como a África do Sul, com uma das ligas mais organizadas do continente, só faturou dois troféus desde que foi integrada à confederação, após o fim do Apartheid.

Abaixo, o mapa com todos os finalistas da Liga dos Campeões da África. Alguns escudos estão sobrepostos. Portanto, aproxime para visualizar melhor os estádios: