Nenhum clube da primeira divisão do Campeonato Brasileiro deixou de ressaltar o Dia da Consciência Negra em suas redes sociais. Todos os 20 times da Série A se manifestaram neste 20 de novembro, transmitindo ao menos uma mensagem aos seus torcedores. Ainda não é suficiente, em uma questão que depende de ações afirmativas e um combate efetivo. No entanto, acreditando que não foram levadas apenas pelo marketing, é importante notar que as equipes possuem um mínimo de noção de seu papel social, posicionando-se quanto ao tema. O silêncio diante do racismo também é inaceitável. E a luta pela igualdade necessita de mais.

Entre as muitas iniciativas, obviamente algumas se destacam. Clubes como Santos, Cruzeiro e Ceará enfatizaram os números sobre o racismo institucionalizado no Brasil. Fluminense e Vasco optaram por discutir suas próprias histórias, entre uma revisão ao apelido “pó-de-arroz” e o papel reconhecido dos cruzmaltinos em encarar as barreiras. Já outros preferiram dar voz aos seus personagens, como o Internacional e o Corinthians, que produziram excelentes mini-documentários com depoimentos. Os corintianos, além, promoveram uma Mostra Cultural de Consciência Negra nesta quarta, no Parque São Jorge.

Após o caso de racismo ocorrido no Mineirão durante o clássico, o Atlético Mineiro precisava se manifestar com força, e assim o fez. Também produziu um vídeo com uma série de participações. Reinaldo era um dos convidados, enquanto a principal presença foi a de Fábio Coutinho da Silva, o segurança que sofreu os insultos dos atleticanos no Mineirão. Já o Bahia, mais uma vez, mostrou como está passos à frente no engajamento social. Os tricolores lançaram o projeto “Dedo na Ferida”, que visa combater o racismo institucional e estrutural. Os baianos realizarão oficinas para promover a igualdade racial no clube e, mais notável, oferecerão o curso de maneira gratuita a 50 empresas. Não ficarão apenas no discurso. Partirão à ação.

E o mais lamentável é que, justamente no Dia da Consciência Negra, houve a denúncia de um caso de racismo no futebol brasileiro. Durante a final do Campeonato Carioca Sub-20, o goleiro Hugo Souza relatou insultos que vieram de torcedores do Vasco. O episódio está sendo investigado. O Flamengo, que já tinha feito sua postagem quanto à data, trouxe também um depoimento do jovem. Foram palavras contundentes, com consciência, mesmo logo após do calor de uma final. O Vasco, por sua vez, prestou seus esclarecimentos e enfatizou seu combate histórico à intolerância racial: “Este é um tema extremamente caro ao Vasco. O pioneirismo no combate à intolerância racial é sabidamente motivo de orgulho para o Clube e sua torcida. O Vasco e sua história não toleram qualquer tipo de preconceito, seja de que natureza for”.

Na próxima rodada do Brasileirão, o Observatório da Discriminação Racial no Futebol coordenará uma série de ações nas nove partidas do final de semana. Os jogadores usarão camisas com a hashtag “#ChegaDePreconceito”, enquanto os capitães lerão mensagens antes do pontapé inicial. Uniformes das 20 equipes serão autografados e doados para leilão.

As ações necessárias fogem do âmbito esportivo. Mas, parte indissociável da sociedade, o futebol representa uma voz e um meio importante dentro da luta. Precisa se posicionar e, mais importante, atuar de maneira cada vez mais firme contra o racismo e pela igualdade.

Por fim, o Remo faz tempo que não passa pela Série A, mas merece menção honrosa: