Uma dupla de zaga fixa, entrosada e confiável costuma ser um dos principais alicerces de um time campeão. No Borussia Dortmund, a receita funcionou: Subotic e Hummels atuaram lado a lado em 54 dos 68 jogos de Bundesliga durante aquelas duas temporadas mágicas em que o time de Jürgen Klopp foi bicampeão alemão. Os tempos são outros pelos lados do Westafallenstadion, como a saída de Hummels para o Bayern de Munique já havia demonstrado. Agora, emprestado até o final da temporada para o Colônia, foi a vez de Subotic arrumar as malas.

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O zagueiro sérvio tem contrato até a metade de 2018 e nada impede que seja utilizado por Thomas Tuchel quando retornar. Mas, a não ser que realize um segundo turno fantástico pelo Colônica, esse cenário não parece muito provável neste momento. Está próximo da porta de saída do Borussia Dortmund já há algum tempo e apenas uma inesperada cirurgia no quadril o impediu de se transferir para o Middlesbrough, em julho. Também esteve especulado no Liverpool de Klopp, técnico que o promoveu no Mainz e o levou na bagagem para o Dortmund.

Subotic mostrou muita regularidade nos seus primeiros anos vestindo amarelo. Disputou os 90 minutos em todas as partidas do Dortmund pela Bundesliga nas suas duas temporadas iniciais, com exceção da última rodada do campeonato de 2008/09, quando esteve suspenso pelo acúmulo de cartões amarelos. Perdeu rodadas do primeiro título do bicampeonato apenas por sanções disciplinares, antes de começar a sofrer com problemas físicos durante a campanha do segundo. Mesmo assim, se manteve bem colocado na ordem de prioridade de Klopp: em 2012/13,  atuou em 11 dos 13 jogos da Champions League, inclusive na final contra o Bayern de Munique, e foi titular 25 vezes na Bundesliga.

A história começou a se complicar para Subotic no segundo semestre de 2013, quando sofreu uma séria lesão no joelho, em novembro, e perdeu o resto da temporada. Retornou ainda com a confiança de Klopp, que o usou 40 vezes em 2014/15, naquela péssima campanha do Dortmund, que chegou a ser lanterna da Bundesliga e terminou o campeonato em sétimo lugar. A última temporada do técnico no Westafallenstadion também seria a última de Subotic como titular. Sofreu lesões nas costas e no braço e jogou apenas 11 vezes com Thomas Tuchel. Nesta temporada, atuou apenas pelo time reserva do Dortmund.

O Colônia aposta na experiência de Subotic e na qualidade que o zagueiro já demonstrou na Bundesliga. Mas ele estará, naturalmente, fora de ritmo: não disputa um jogo de equipe principal desde 17 de março, há mais de dez meses, quando enfrentou o Tottenham, pela Liga Europa (jogou 90 minutos). Não deve encontrar facilidades para ganhar espaço, pois está se transferindo para a segunda melhor defesa do campeonato – ao lado de RB Leipzig e Eintracht Frankfurt -, com apenas 15 gols sofridos. Dominique Heintz e Mergim Mavraj são os principais zagueiros. Frederik Sörensen tem sido mais usado na lateral direita, mas compõe a zaga quando o técnico Peter Stöger decide-se pelo sistema com três defensores centrais.

Nada que assuste Subotic: “Estou muito ansioso pelo desafio. Estou muito grato pelos anos fantásticos que passei no Borussia Dortmund. Como um profissional ambicioso, estou 100% comprometido com o Colônia a partir de agora. Quero voltar a jogar futebol na Bundesliga. Isso que me motiva”. E Stöger tem plena confiança na recuperação do seu novo zagueiro. “Estamos convencidos que ele pode se tornar um jogador importante para nós nos próximos meses”.

Ajudar o Colônia será a primeira missão de Subotic a partir de agora. A segunda será enviar a mensagem para possíveis interessados em seu futebol de que ainda tem bastante lenha para queimar e que os problemas físicos são parte do passado. Até mesmo, porque não?, convencer Tuchel a lhe dar mais oportunidades quando acabar o seu empréstimo. Aos 28 anos, a carreira do zagueiro que representou o Borussia Dortmund em 286 partidas – com 20 gols marcados – está longe do fim.