Uma das coisas mais legais no Brasileirão de 2019 foi o reencontro de Fortaleza e Ceará na elite nacional. O Clássico-Rei voltou em grande estilo à primeira divisão, após 26 anos, especialmente pelos espetáculos oferecidos pelas torcidas dentro do Castelão. Durante o primeiro turno, o Vozão fez sua massa mais feliz, com a vitória por 2 a 1. Pois o Leão do Pici conseguiu dar o troco nesta rodada, com o triunfo por 1 a 0, essencial na corrida dos rivais contra o rebaixamento. E, mais uma vez, a presença dos torcedores seria tão marcante quanto a bola que rolou em campo.

A importância do jogo deste domingo encheu mais o Castelão do que o confronto pelo primeiro turno. Ao todo, 46 mil estiveram presentes nas arquibancadas. De novo, com belos mosaicos das torcidas. O Fortaleza exibiu um bandeirão com manchetes antigas de jornais, relembrando feitos sobre os rivais. Depois, outra imagem surgiu, com Rogério Ceni e os jogadores atuais, aclamando ‘La Casa de Troféu’. Já o Ceará teria um pergaminho lembrando sua vantagem no histórico do Clássico-Rei, antes de trazer um desenho do mascote.

As torcidas também não passariam despercebidas enquanto a bola rolava. Ambas realizaram mosaicos permanentes durante a partida, remetendo a símbolos dos clubes. Mas foram os tricolores que realmente chamaram a atenção de quem estava em campo – e não por motivos bons. Os seguidores do Leão do Pici colocaram uma faixa em protesto ao VAR. Diziam “Parem! Já chega!”, reclamando de resultados recentes em que o clube se sentiu prejudicado. O problema é que o árbitro não gostou da manifestação. O paulista Flávio Rodrigues de Souza paralisou o duelo e pediu para retirarem o adereço.

Sem entrar no teor sobre o conteúdo da reclamação, a atitude do árbitro soa como um ato de vaidade e censura, mas é orientado pela própria CBF. No fim das contas, a proibição acabou dando mais visibilidade à mensagem do que se ele ignorasse o conteúdo. O Clássico-Rei ficou parado por cerca de dois minutos, já depois dos 20 do primeiro tempo, até que a faixa fosse recolhida. O capitão Wellington Paulista caminhou até a torcida, aplaudiu o protesto e pediu para guardarem. O próprio presidente do clube, Marcelo Paz, já tinha sido suspenso pelo STJD nesta semana, por protestar contra a arbitragem na derrota para o Flamengo. O dirigente pegou um gancho de 15 dias.

Quando a paralisação aconteceu, o Fortaleza já estava em vantagem. O gol da vitória saiu aos 12 minutos. Após uma bola inteligentemente levantada por Romarinho, Osvaldo ajeitou de cabeça e Wellington Paulista apareceu quase em cima da linha para completar. O Ceará ainda criaria as melhores chances de empate no restante da partida, mas ficou no quase. Ainda no primeiro tempo, Felipe Silva acertou um chute excepcional de fora da área e acertou a quina da trave. Já no início da etapa final, o goleiro Felipe Alves realizou uma defesa impressionante para salvar o Leão do Pici, desviando com a ponta dos dedos o arremate de Luiz Otávio. Apesar da posse de bola dos alvinegros, os tricolores se seguraram na defesa e comemoraram o triunfo.

A nota triste ficou para a confusão que também aconteceu nas arquibancadas durante o fim da noite. Houve tumulto no setor do Ceará, com cadeiras quebradas e embate com a polícia, numa área próxima à junção com a torcida do Fortaleza. Além disso, um torcedor invadiu o gramado para cobrar o técnico Adílson Batista.

A situação do Vozão preocupa um pouco mais. A equipe caiu para o 14° lugar, com 36 pontos, três acima da zona de rebaixamento. Quem ultrapassou o Ceará foi justamente o Fortaleza, que terminou o domingo em 13° e soma 39 pontos. Numa luta palmo a palmo pela sobrevivência, ambos seguem condições de preservarem o Clássico-Rei na elite também durante a próxima temporada.