O Bild antecipou a notícia e o Borussia Dortmund confirmou pouco tempo depois: Thomas Tuchel não segue no comando técnico do time aurinegro. A decisão foi tomada pela diretoria do clube, e sua demissão, de acordo com a justificativa dos empregadores, “é resultado de um longo processo”. Embora o treinador tenha tirado o Dortmund de uma fila de cinco anos no último final de semana com a conquista da Copa da Alemanha e, por isso, o anúncio de sua saída tenha impressionado um pouco, já era sabido que divergências entre dirigentes e Tuchel, sobretudo entre o técnico e Hans-Joachim Watzke, CEO do clube, se arrastavam mês após mês (ainda mais nas últimas semanas). Diante dessas dissonâncias, a hierarquia prevaleceu e o Dortmund optou pela destituição do treinador de seu cargo, o qual ocupava desde 2015.

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Sucessor de Jürgen Klopp, Tuchel chegou ao Borussia como um técnico jovem e com ideias interessantes por conta de seu trabalho no Mainz. E seu cartão de visitas não poderia ter sido melhor, com ele implementando uma ideia de jogo ofensiva e fazendo o time voltar a executar um futebol vistoso. Em sua primeira temporada, o Dortmund teve a melhor campanha que um vice-líder já fez na história da Bundesliga, com 78 pontos totalizados. Não foi capaz de superar o Bayern de Munique de Pep Guardiola, mas seus primeiros passos foram bem largos para um técnico que estava começando um trabalho, e ainda por cima em um clube de camisa pesada. Os aurinegros também foram bem na Copa da Alemanha de 2015/16, chegando à decisão com o Bayern, mas acabando perdendo na disputa por pênaltis por 4 a 3.

Esta temporada, a segunda de Tuchel dirigente o Dortmund, poderia ter sido um pouco melhor na Bundesliga, com o time tendo sofrido muitas instabilidades. Mas para avaliar os resultados no campeonato e o terceiro lugar na tabela, é preciso levar em consideração as ausências e as perdas. Na janela de contratações do início de 2016/17, o Borussia não foi capaz de manter jogadores muito importantes para o elenco, e perdeu três de suas estrelas com Henrikh Mkhitaryan indo para o Manchester United, Ilkay Gündogan para City e Mats Hummels indo para o Bayern. Outro aspecto é que o BVB sofreu com o fantasma das lesões ao longo da temporada, assim como na última época de Klopp como treinador aurinegro. O ponto mais desanimador para Tuchel, no entanto, foi mesmo o da venda do zagueiro e dos meias, que eram peças-chave na formação da equipe. As transferências não foram boas nem do ponto de vista financeiro, já que o clube não lucrou tanto assim pelos jogadores já estarem em fim de contrato, muito menos do técnico.

Como se não bastassem as transferências de Hummels, Gündogan e Mkhitaryan no início da temporada, no meio da campanha do Dortmund em 2016/17, o clube abriu suas portas para dois jogadores muito respeitados e adorados pela torcida: Neven Subotic e Jakub Blaszczykowski. Tudo isso foi se acumulando e deixando Tuchel insatisfeito, porque um técnico não consegue dar continuidade ao seu projeto se o prometem algo e o dão outra coisa diferente, ou então não dão. Watzke fez promessas que não cumpriu e teve atitudes que naturalmente despertaram o desagrado do treinador, como ter concordado com a Uefa de realizar o primeiro jogo entre Dortmund e Monaco, pela Champions League, um dia após a explosão que estraçalhou o ônibus dos aurinegros e deixou Marc Bartra ferido. A imprensa alemã aponta que o agora ex-técnico do BVB também tinha problemas com alguns atletas do elenco.

Já existiam boatos no meio da temporada de que Tuchel poderia deixar o clube pelos entraves com o CEO, mas muito se pensava sobre a duração de seu contrato (vai até 2018), e o triunfo na Copa da Alemanha sobre o Eintracht Frankfurt ajudou um pouco a rebaixar essa suposição. Mas aconteceu, e a explicação do Dortmund sobre a demissão é que ela “não se trata de um desentendimento entre duas pessoas [Tuchel e Watzke], já que o Borussia, bem como sua história, sempre será superior a interesses individuais”. De acordo com o Bild, o técnico receberá 2,9 milhões de euros de indenização. Em uma de suas redes sociais, coincidentemente criada nesta segunda-feira, Tuchel se despediu dos torcedores do BVB com carinho.

“Sou grato por esses dois anos lindos, emocionantes e memoráveis. É uma pena não continuar”:

“Obrigado aos torcedores, ao time, ao staff e a todos que nos apoiaram. Desejo tudo de bom para o Borussia Dortmund”: