No Brasileirão de Dudu e Willian, foi Deyverson que fez a torcida do Palmeiras liberar o grito de campeão

Vitória contra o Vasco no Rio por 1 a 0, com participação dos três jogadores, decide o campeonato: Palmeiras é deca

O Campeonato Brasileiro tem um novo campeão. O Palmeiras venceu o Vasco no Rio de Janeiro por 1 a 0, em um gol de Deyverson, e garantiu a conquista do seu décimo título do Campeonato Brasileiro. Os alviverdes chegam a 77 pontos e, com uma rodada de antecipação, o time do técnico Luiz Felipe Scolari está a cinco pontos do Flamengo, segundo colocado. Assim, garantido: a taça é do Palmeiras, que mantém ainda uma invencibilidade de 22 jogos, algo impressionante e, mais do que isso, inédito na história do Brasileirão. O campeão coloca uma marca na história com uma invencibilidade difícil de ser batida.

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A história desta 37ª rodada foi de nervosismo, especialmente do lado do Flamengo. O primeiro tempo entre Vasco e Palmeiras em São Januário teve o time da casa fazendo muita força, tendo mais a bola e atacando, buscando um gol. Afinal, o Vasco ainda tentava escapar do rebaixamento.

Precisando vencer para ter alguma chance de chegar ao título, o Flamengo abriu o placar bem cedo, aos oito minutos. Éverton Ribeiro, marcado muito de longe por Thiago Neves, passou pela marcação, colocou embaixo das pernas de Egídio e tocou bem, tirando do alcance de Fábio, mesmo quase sem ângulo: 1 a 0 para os rubro-negros em Belo Horizonte.

Com a vantagem no placar, o Flamengo conseguia jogar a pressão para o outro jogo. O Palmeiras precisava vencer para garantir a taça. Os dois jogos foram para o intervalo assim: 0 a 0 em São Januário e com o Flamengo vencendo o Cruzeiro no Mineirão. Os torcedores rubro-negros em BH começavam a sentir uma pontinha de esperança.

Outra faísca de esperança para os cariocas veio já no segundo tempo. Aos sete minutos de jogo, Éverton Ribeiro repetiu a dose: marcou outro golaço, desta vez em um chute de fora da área, balançando a rede e levando os torcedores do time do Rio presentes em Minas Gerais vibrarem. O empate em São Januário mantinha a briga pelo título aberta.

O Palmeiras, precisando de algo diferente do primeiro tempo fraco, passou a jogar mais na etapa final. A postura do time comandado por Felipão foi diferente, mas o time seguia errando. Felipão fez a mudança óbvia, mas esperada pela torcida: tirou Miguel Borja, em mais um jogo pouco eficiente do camisa 9, e entrou Deyverson.

Se no primeiro tempo o Palmeiras assistia muito o Vasco jogar – e errar, porrque o time pouco conseguia fazer -, no segundo tomou mais as rédeas do jogo e passou a atacar e ser mais perigoso. Aos 27 minutos, em uma boa jogada trabalhada, o Palmeiras chegou ao gol. Dudu fez um passe muito bem feito para Willian, que recebeu em velocidade e tocou, com a bola pingando para Deyverson pelo meio. O centroavante não desperdiçou completando a jogada de primeira: 1 a 0 para o Palmeiras. Festa em verde e branco em São Januário. Festa em São Paulo. O Palmeiras ficava com o título na mão e contando os minutos no relógio.

Depois de fazer o gol, o Palmeiras nunca pareceu perder o controle e nem mesmo sofrer muitos riscos. Sabendo que só precisava segurar a vitória para garantir a taça, o Palmeiras administrou a partida. Com tranquilidade em campo, a ansiedade, tão falada desde o jogo contra o Paraná na última semana, não apareceu. O time venceu, pela 22ª vez, conquistando assim uma vantagem que não pode mais ser alcançada.

A mudança que Felipão conseguiu promover no time, depois da saída de Roger, é notável em vários aspectos, mas é simbólico que o gol que sacramentou o título tenha vindo com Deyverson, um jogador que a torcida não aguentava mais e se tornou muito importante para chegar em uma posição de dominância no Brasileirão. Deyverson chegou a nove gols, conquistando assim, por que não dizer, o seu lugar na história do clube.

Willian, que deu o passe para o gol, é o artilheiro do Palmeiras até aqui com 10 gols. Tem Felipão, aos 70 aos, campeão brasileiro pela segunda vez, depois de 22 anos – foi campeão pelo Grêmio em 1996. É o primeiro título do treinador no Campeonato Brasileiro de pontos corridos.

O Palmeiras tem muito o que comemorar. Se impôs no Campeonato Brasileiro de modo irrefutável. Comemora o decacampeonato brasileiro com todos os méritos em um campeonato que o time fez um segundo turno incrível. Basta lembrar que o Palmeiras não perdeu nenhum jogo com Luiz Felipe Scolari. São quatro derrotas no campeonato e todas elas foram com Roger Machado.

Depois de conquistar o título brasileiro em 2016, o Palmeiras foi vice-campeão em 2017 e termina 2018 novamente com a faixa no peito. O título de campeão brasileiro é mais um troféu na farta galeria do clube, o maior campeão nacional: 10 títulos de Campeonato Brasileiro (somando Taça Brasil de 1960 e 1967 e Roberto Gomes Pedrosa, de 1967 e 1969) e ainda três Copas do Brasil.

Dudu se consagra como o principal jogador dessa nova era alviverde, conquistando os títulos de Copa do Brasil em 2015 e dos Campeonatos Brasileiros de 2016 e 2018. Entra na enorme história do Palmeiras. Um título com muitos destaques, a começar pelo trabalho magnífico de Felipão, superando as desconfianças imensas – e justas – que recaíam sobre ele. Tem Willian e Deyverson, participantes desse último momento, mas muito importantes ao longo de toda campanha.

Parabéns ao Palmeiras, decacampeão brasileiro. Na próxima rodada, contra o Vitória, será o momento de levantar a taça, no Allianz Parque, diante da torcida. O torcedor (e todos jogadores e comissão técnica, por que não) irão comemorar muito nesta noite e pelos próximos dias. O Natal chegou mais cedo para os palmeirenses.