O Bayern de Munique abriu sua campanha na Bundesliga com um desanimador empate em casa contra o Hertha Berlim. E precisou de poucas horas para dar uma resposta de peso ao revés, tentando trazer um pouco mais de ânimo aos seus torcedores: os bávaros anunciaram a contratação de Philippe Coutinho. O negócio ainda não está 100% fechado. Entretanto, o clube publicou uma nota oficial, confirmando que chegou a um “acordo básico para a transferência de Coutinho”. O brasileiro virá por empréstimo de uma temporada, com opção de compra ao final do período. Coutinho viajará à Alemanha nos próximos dias para finalizar o processo e passar pelos exames médicos.

Claramente, o Bayern infla o anúncio para aliviar sua barra. O clube recebeu diversas críticas por sua timidez no mercado de transferências e o mau início de temporada, também com a derrota na Supercopa da Alemanha, aumenta a insatisfação. O presidente Karl-Heinz Rummenigge declarou que o acerto com o Barcelona aconteceu “na última quarta”, o que deixa mais claro o oportunismo na notícia. “Acompanhamos Coutinho por algum tempo. O nome não importa, apenas a qualidade”, declarou o dirigente. Já o técnico Niko Kovac deu uma exagerada, ao apontar que “não apenas o Bayern, mas também a Bundesliga e toda a Alemanha podem ter o prazer de dar boas-vindas para um grande jogador”.

Ao Bayern, Coutinho representa um ganho. O clube não possuía muitas perspectivas de contratar jogadores de peso antes do fechamento da janela e aproveitou as ocasiões. Primeiro, ao trazer Ivan Perisic por empréstimo da Internazionale. Agora, ao fechar com Coutinho em moldes parecidos com o que fizera antes junto a James Rodríguez. Em um elenco que necessita de atletas mais tarimbados, especialmente após as saídas de Arjen Robben e Franck Ribéry, o novato ocupa esta lacuna. Resta saber qual Coutinho os bávaros estão levando.

O Barcelona não quis segurar um jogador que, definitivamente, não deu certo no Camp Nou. Tentou incluí-lo no negócio por Neymar e as tratativas com o Paris Saint-Germain não avançaram neste sentido. Também viu os clubes da Premier League se aproximarem, mas nenhum interesse se concretizou. Ao final, o Bayern surgiu como um destino de peso para Coutinho aceitar a mudança e para que os blaugranas enxugassem o elenco. Abrem mão de um meia que parecia sobrando, não apenas pelo baixo rendimento ao longo de um ano e meio, mas também pelas peças à disposição a Ernesto Valverde.

O futuro de Coutinho, todavia, depende mesmo do interesse do jogador em se reerguer. Fica cada vez mais claro o tamanho do erro do brasileiro ao abrir mão do Liverpool, quando era protagonista da equipe, pelo desejo de ser mais um no Camp Nou e voltar a viver em Barcelona. Teve boas chances de vingar com a camisa blaugrana, mas não as aproveitou. E o Bayern parece uma das últimas chances de atuar em uma equipe destas dimensões. Por mais que o contrato se restrinja a um ano, este curto período tende a ser essencial aos rumos da carreira do brasileiro.

A própria cláusula de compra depende de um grande sucesso de Coutinho em Munique. Segundo a imprensa catalã, o Bayern terá que pagar €120 milhões se quiser ficar com o meia em definitivo. É um valor que foge dos padrões de negociação dos bávaros e que só deve ser aceito se o brasileiro virar o craque do time. De certa maneira, o Barcelona também aposta, porque dificilmente recuperá a grana investida inicialmente se a temporada não for boa ao jogador. Os blaugranas tentam evitar um rombo maior. Por este primeiro ano, os alemães devem pagar de €15 a €20 milhões.

Coutinho pode se dar bem na Alemanha. O nível técnico da competição tende a ajudá-lo a se encaixar. Além disso, há espaço para atuar como ponta ou como meia neste Bayern. Caso vá para o lado do ataque, contará com uma concorrência maior, mas sem que Kingsley Coman seja exatamente um nome inquestionável. Já recuado no meio-campo, dará uma nova configuração ao setor e se juntará a Thiago Alcântara como principal armador por ali, garantindo características diferentes. Utilidade não faltará, ainda que Niko Kovac não seja o treinador ideal para extrair o melhor de suas peças – assim como não era Ernesto Valverde.

O papel mais importante de Coutinho, de qualquer maneira, será representativo. O Bayern precisa de craques para resolver grandes partidas e para impor respeito novamente na Champions. Essa imponência diminuiu com o declínio de Robben e Ribéry, enquanto Robert Lewandowski e Thiago Alcântara ainda não conseguiram ocupar essa lacuna totalmente. Dependerá daquilo que o brasileiro conseguirá produzir. Pesa contra, todavia, as más atuações recentes e certa impressão de acomodação em campo que ajudou a desgastar sua imagem no Barcelona.

Aos 27 anos, Coutinho chega a uma encruzilhada em que precisará se aproximar do craque de Anfield para não ficar marcado como a frustração da Catalunha. Talento não falta e o ambiente favorece a se colocar como principal figura do Bayern, mesmo que a pressão dentro do clube seja grande. Sua resposta deverá ser apenas uma: a bola, que anda em falta e faz muitos desacreditarem de que realmente poderá se redimir de uma decisão equivocada.