Texto publicado originalmente em abril de 2015 e atualizado

As arenas tomaram conta de São Paulo, Corinthians e Palmeiras jogam em suas casas modernas, e o Pacaembu perdeu seu protagonismo no futebol paulista. Seu futuro ainda se desenha, com o processo de concessão à iniciativa privada. O que é certo é o passado. Está lá, com vários episódios grandiosos de nosso futebol, e isso nada apagará. Nesta segunda-feira, a inauguração do estádio completou 80 anos, repletos de grandes histórias, decisões de campeonato e cenas para sempre na memória dos brasileiros. Em comemoração ao aniversário do Pacaembu, relembramos dez jogos históricos realizados naquele que foi inaugurado como o “mais moderno estádio da América do Sul”.

Foi difícil chegar à relação final de partidas, mas tivemos a preocupação de que todos os quatro grandes paulistas tivessem algum capítulo de sua história na lista. Afinal, o estádio pode ter sido por muitos anos a “casa” do Corinthians, mas Santos, Palmeiras e São Paulo também tiveram capítulos importantes no Paulo Machado de Carvalho. Desde estreia de ídolo, passando por decisões de campeonato, até a duelo de 13 gols. A Copa do Mundo de 1950 não poderia ficar de fora também, embora o duelo que recordamos não seja dos mais alegres para a seleção brasileira. Priorizamos ainda as histórias mais antigas. Confira os jogos e, claro, sinta-se à vontade para relembrar outras partidas que te marcaram como torcedor ou mero fã do futebol.

28 de abril de 1940 – Rodada dupla de inauguração – Palestra Itália 6×2 Coritiba – Corinthians 4×2 Atlético Mineiro

A inauguração oficial do Pacaembu havia acontecido em 27 de abril, um sábado, e as primeiras partidas do estádio foram marcadas para o dia seguinte. Se na véspera o Pacaembu havia sido palco de um grande desfile, que teve a presença de Getúlio Vargas, recebido com vaias pelo público (como você deve lembrar, Getúlio não era muito querido pelos paulistas), no domingo o importante era o futebol. Uma rodada dupla foi marcada, com a participação dos dois maiores clubes paulistas da época. As partidas seriam válidas pelo Torneio Cidade de São Paulo, criado justamente para celebrar a inauguração da nova casa desportiva paulistana.

Na primeira delas, o Palmeiras, então Palestra Itália, goleou o Coritiba por 6 a 2. Craques palestrinos da época, como Del Nero e o argentino Echevarrieta, estiveram em campo, mas o primeiro a balançar as redes do Pacaembu foi mesmo Zequinha, do Coxa, logo no primeiro minuto. Ainda na etapa inicial, Echevarrieta viraria para o Palestra. No segundo tempo, Luizinho Mesquita, Elyseo, Echevarrieta e Sandro fechariam a contagem dos paulistas, enquanto Branco, que entrara no decorrer do duelo, diminuiu para os paranaenses.

No segundo confronto do dia, o Corinthians não deu o mesmo show que o Palestra Itália, mas também venceu com placar confortável – 4 a 2 sobre o Atlético Mineiro. Depois de abrir o marcador com Servílio, viu o Galo virar com dois gols de Manja, mas foi buscar a vitória com Dino, Carlinhos e Lopes.

Os triunfos credenciaram os dois times para a disputa da decisão em 5 de maio, vencida pelo Palestra Itália por 2 a 1. Embora se tratasse apenas de um torneio amistoso, foi o suficiente para que os palestrinos fossem os primeiros a levantar uma taça no Pacaembu.

24 de maio de 1942 – Corinthians 3×3 São Paulo

Se até 1942 o futebol paulista era de Corinthians e Palestra Itália, a chegada de Leônidas da Silva ao São Paulo foi um divisor de águas nesse panorama. O Diamante Negro estabeleceu um antes e um depois na história tricolor. Contratado a peso de ouro do Flamengo, imortalizou a bicicleta, conquistou títulos – cinco Paulistas entre 1943 e 1949 – e colocou o time em um patamar do qual nunca mais saiu: de gigante do futebol paulista e brasileiro.

Nada mais simbólico para sua passagem pelo time do que ter estreado contra o Corinthians, no jogo de maior público da história do Pacaembu. Mais de 71 mil pessoas estiveram nas arquibancadas do estádio, muitas delas certamente influenciadas pela presença de Leônidas. O craque não deixou o seu gol, mas teria muitas outras oportunidades para isso. Mesmo sem a marca do artilheiro, a partida foi empolgante, com um 3 a 3 no placar final.

A expectativa para que Leônidas fizesse a diferença com bola na rede pode não ter sido correspondida, mas emoção foi o que não faltou no duelo. O Corinthians abriu o placar com Jerônimo, logo aos dez minutos de jogo. O São Paulo buscou o empate com Lola, aos 30 da etapa inicial. A conversa de intervalo de Rato, treinador corintiano, deve ter sido muito boa, porque com apenas três minutos de segundo tempo o time retomava a frente, com Servílio. O gol, no entanto, não tirou o ímpeto do Tricolor. Aos 15, Luizinho empatou mais uma vez, e Teixeirinha, aos 36 minutos, conseguiu a virada. Quando parecia que a estreia de Leônidas terminaria em vitória são-paulina, o Corinthians conseguiu evitar a derrota, mais uma vez com Servílio, aos 43 minutos do segundo tempo, frustrando o rival.

20 de setembro de 1942 – Palmeiras 3×1 São Paulo

O Palmeiras nasceu campeão, e isso não é um exagero. Em 1942, forçado a assumir uma posição definitiva na Segunda Guerra Mundial, Getúlio Vargas declarou seu apoio aos Aliados, reprimindo alusões aos países do Eixo. Com isso, instituições tiveram de mudar de nome. O Palestra Itália foi uma delas. Inicialmente, o clube passou a se chamar Palestra de São Paulo, mas a pressão continuou, com o argumento de que a palavra “Palestra” derivava do italiano. A partir de setembro daquele ano, portanto, o clube passava a se chamar Palmeiras.

Líder da competição a duas rodadas do fim, o Alviverde enfrentaria São Paulo e Corinthians. Se vencesse um deles, se sagraria campeão. Coincidentemente, contra o Tricolor, um dos principais articuladores da pressão política sobre os palestrinos, o time faria seu primeiro jogo com o novo nome. No Pacaembu, em 20 de setembro de 1942, o Palmeiras entrou em campo com uma bandeira do Brasil por recomendação de seu vice-presidente, o militar Adalberto Mendes, com o objetivo de evitar vaias pela perseguição política.

O time sequer precisou disputar os 90 minutos para garantir o título. Quando vencia por 3 a 1, a expulsão de Virgílio revoltou os são-paulinos, que abandonaram o duelo em protesto contra a arbitragem. Jaime Janeiro, o árbitro do jogo, ainda esperou os pouco mais de 20 minutos restantes do jogo passarem antes de apitar o fim da partida. Técnico palmeirense naquele jogo, Armando Del Debbio celebrou, em frase que ficou marcada posteriormente: “O Palestra morre líder, e o Palmeiras nasce campeão”.

“O Palestra morre líder, e o Palmeiras nasce campeão”

28 de junho de 1950 – Brasil 2×2 Suíça

Segundo maior estádio da Copa do Mundo de 1950, o Pacaembu teve como seu primeiro jogo na competição o duelo entre Brasil e Suíça, pela primeira fase. A expectativa pela partida era grande após a estreia com goleada por 4 a 0 sobre o México, no Maracanã. No entanto, para agradar o público, o técnico Flávio Costa abriu mão da base de seu time titular, repleto de atletas do Vasco, para escalar atletas paulistas. O tiro sairia majestosamente pela culatra.

Antes do duelo, falava-se sobre o clima de atrito entre equipe e torcida que possivelmente marcaria o duelo. Predominantemente carioca, aquele grupo não era tão bem aceito pelos paulistas, e por isso Flávio Costa decidiu promover a troca na equipe. Se contra os mexicanos apenas Baltazar (Corinthians), Jair Rosa Pinto (Palmeiras) e Friaça (São Paulo) haviam atuado, contra a Suíça Bauer, Ruy e Noronha, todos do Tricolor, entraram em campo no lugar de cariocas, ao lado de Baltazar e Friaça.

O começo do jogo foi promissor, e mesmo a equipe brasileira repleta de reservas era favorita contra os fracos suíços. Logo no início do duelo, o vascaíno Alfredo abriu o placar para os anfitriões. Quinze minutos depois, no entanto, Jacques Fatton empataria para a seleção suíça. Ainda no primeiro tempo, o Brasil retomou a frente, com Baltazar, mas Fatton, novamente, empataria, a apenas dois minutos do fim do jogo, selando o placar em 2 a 2.

O clima era tão incômodo que, segundo matéria da Gazeta Esportiva, um locutor de rádio carioca até classificou o Pacaembu como “campo neutro”, afirmando que era um absurdo, durante um Mundial, o time jogar com esse clima. A confirmação da insatisfação dos presentes nas arquibancadas veio em forma de agressão a Flávio Costa, que precisou da intervenção da polícia para não apanhar de dois torcedores.

6 de fevereiro de 1955 – Palmeiras 1×1 Corinthians

A comemoração do IV Centenário foi um grande marco para São Paulo, portanto, Palmeiras e Corinthians sabiam estar diante de uma final gigantesca. Os festejos vieram em forma da construção de uma série de lugares hoje tão icônicos para a cidade, como o Parque do Ibirapuera, o Monumento às Bandeiras e a conclusão da Catedral da Sé. Uma série de eventos, como bailes, shows, desfiles e apresentações circenses, foi organizada, e a decisão do Paulistão de 1954, concluído em 1955, era o ponto culminante. Vencer aquele torneio, nas palavras de Gylmar dos Santos Neves, era ficar “com a glória para os cem anos seguintes”.

Um simples empate bastaria ao Corinthians para celebrar o título naquele duelo pela penúltima rodada do torneio, disputado em pontos corridos. Se vencesse e contasse com uma combinação de resultados na rodada seguinte, o Palmeiras poderia ficar com o título. Como o Alvinegro encerraria sua campanha contra o São Paulo, era garantia de que o time teria de suar se precisasse do resultado no jogo derradeiro. O gol que, ao final do jogo, seria suficiente para o título, veio logo no início do duelo. Luizinho, o “Pequeno Polegar”, de apenas 1,64m, abriu a contagem ironicamente de cabeça, após cruzamento de Cláudio. A desvantagem levou o Palmeiras ao ataque, pressionando pela virada. Nei conseguiu empatar pouco após o intervalo, mas nos minutos seguintes os palmeirenses não superaram a defesa corintiana, que contou com boa atuação de Gylmar para segurar o sufoco e o empate necessário ao título.

Se logo após o apito final aquele título já era bastante simbólico e importante para o Corinthians, com o passar do tempo apenas ganharia mais relevância. Afinal, foi o último antes do início da fila de 23 anos que seria encerrada apenas com a conquista do Paulistão de 1977, sobre a Ponte Preta. Foi também a última taça de uma sequência vitoriosa do Alvinegro, campeão de três títulos estaduais e três Rio-SP. O passo final para consagrar o técnico Oswaldo Brandão e uma geração de atletas do tamanho de Gylmar, Cláudio, Baltazar e Luizinho.

LEIA TAMBÉM: 15 momentos históricos do Corinthians no Pacaembu

6 de março de 1958 – Palmeiras 6×7 Santos

Um dos jogos mais impressionantes da história do futebol brasileiro. Um dos maiores espetáculos já proporcionados por duas das maiores equipes que nosso país já viu. É assim que é definido aquele que poderia ser um confronto de meio de campeonato pelo Rio-SP, mas que ficou gravado nas histórias de Palmeiras e Santos. De um lado, Mazzola, fazendo pelo Alviverde sua última temporada no futebol brasileiro antes de ser negociado para a Itália. Do outro, um ataque mortal, com Pelé e Pepe. Em campo, uma chuva de gols com reviravoltas impressionantes que, segundo o folclore, teriam matado até cinco torcedores do coração.

O jogo começou bastante equilibrado, e foi o Palmeiras que conseguiu sair à frente no placar. Urias, aos 18 minutos, fez o 1 a 0. A reação santista, no entanto, seria imediata. Aos 21 e aos 25 minutos, Pelé e Pagão colocaram o Peixe à frente. Os palmeirenses reagiriam com Nardo, mas a reação parecia completamente aniquilada após Dorval, Pepe e Pagão, mais uma vez, ampliarem para 5 a 2 antes mesmo do intervalo. Técnico do Verdão à época, Oswaldo Brandão não deixou o time esmorecer e voltou para o segundo tempo com o objetivo de renascer no jogo. Teve enorme sucesso, e o Palmeiras, de maneira incrível, chegou à virada para 6 a 5 aos 34 minutos da etapa complementar, com gols de Paulinho, Mazzola, duas vezes, e Urias. A atuação do futuro ídolo do Milan, em especial, foi determinante para recolocar o time no jogo, já que foi com dois gols dele em sequência que o Alviverde chegou ao 5 a 5. O tento de Urias era praticamente uma consequência inevitável depois de uma reação daquelas.

Depois de sair de uma desvantagem tão enorme e conseguir a virada, em condições normais o Palmeiras ficaria com aquele triunfo, mas o Santos tinha a seu favor o Canhão da Vila. Pepe fez os dois gols de que o Alvinegro precisava para, aos 41 minutos, garantir a vitória impressionante por 7 a 6. Em matéria publicada em 2010, Pepe afirmou que o encontro daquele 6 de março de 1958 “foi o jogo mais emocionante que o futebol brasileiro já apresentou”. Mesmo com o envolvimento pessoal do ídolo santista no episódio, é difícil contestar a opinião.

10 de janeiro de 1960 – Palmeiras 2×1 Santos – Final do Paulistão de 1959

“O Palmeiras era o único time que conseguia disputar com o Santos. Fazíamos grandes jogos, e esse foi um dos melhores que fizemos”, afirmou Valdir de Moraes em entrevista ao Estadão. A afirmação do ex-goleiro e ídolo palmeirense não poderia estar mais correta. Entre 1958 e 1969, o Santos de Pelé e a Academia monopolizaram as conquistas de Campeonato Paulista e também foram os grandes esquadrões nacionais da época. Travaram duelos fantásticos, e o Pacaembu teve o privilégio de ser palco de um dos principais: a final do Supercampeonato de 1959.

À época, o Paulistão era disputado em pontos corridos, e Santos e Palmeiras chegaram ao fim do torneio com a mesma pontuação. Foi então que o timaço de Pelé e a Primeira Academia foram para uma disputa pelo desempate. A igualdade entre os dois era tanta que dois confrontos não foram suficientes. No primeiro duelo, um empate em 1 a 1, gols de Pelé e Zequinha. No segundo, 2 a 2 , com boa atuação de Pepe, autor de dois gols para os santistas, enquanto Getúlio e Chinesinho fizeram para os palestrinos. Depois disso, a expectativa foi grande para o duelo, e as duas torcidas lotaram o Pacaembu para o confronto final.

Jair Rosa Pinto, então no Santos, voltava ao time, tomando o lugar do ainda garoto Coutinho. O confronto do veterano com seu ex-clube era um dos vários elementos especiais do duelo. Com apenas 14 minutos, Pelé tratou de colocar o Peixe à frente, mas Julinho Botelho, pouco antes do intervalo, e Romeiro, logo no início da segunda etapa, garantiram a virada palmeirense e o título do Paulistão. O Santos viria a vencer as três edições seguintes, sendo interrompido apenas pelo próprio Palmeiras, mas o domínio maior ao longo desses mais de dez anos de grandes confrontos foi mesmo do Alvinegro. Afinal, competir com o time de Pelé em pé de igualdade o tempo todo era tarefa impossível. O que torna ainda mais especial a maneira como aquele Palmeiras, de Julinho e Djalma Santos, conseguiu encarar de cabeça erguida o grande oponente.

6 de março de 1968 – Corinthians 2×0 Santos

A seca de títulos, que já durava mais de uma década, assombrava o Corinthians. A conquista do IV Centenário, embora histórica e muito comemorada, estava muito distante, e a fila duraria até 1977. Em meio a esse período de vacas magras, os corintianos ainda tinham de lidar com o Santos e um tal de Pelé. Com o Rei no time da Vila Belmiro, o Corinthians não sabia o que era vitória contra os santistas. Entre 1957 e 1968, o Peixe não perdeu uma vez sequer para o Alvinegro da capital pelo Paulistão, e o 2 a 0 do Timão, em 6 de março de 1968, em meio à seca de títulos corintiana, foi comemorado como a conquista de um campeonato.

O Corinthians foi uma grande vítima de Pelé enquanto o Rei defendeu o Santos. A primeira partida de Pelé contra o Corinthians havia sido justamente a primeira em que a freguesia se iniciou. O 3 a 3 pela Taça dos Invictos, em 1957, deu início a uma sequência de 22 jogos sem vitórias corintianas. Como em muitos dos confrontos anteriores, o desejo pelo fim do tabu era enorme, embora a probabilidade de bater o time do Rei fosse pouco cogitada.

Após um primeiro tempo acirrado e sem gols, Lula deve ter conseguido mexer com os brios de seus comandados durante o intervalo. Os minutos iniciais do Corinthians no segundo tempo foram de pressão. No primeiro grande lance, Rivellino mandou a bola na trave. Logo depois, Paulo Borges recebeu, bateu no canto direito e superou o goleiro para fazer 1 a 0. Havia muito em jogo, e se os onze anos sem vencer o Peixe haviam ensinado algo era que sem sacrifício não havia como bater o Santos. O time seguiu pressionando em busca do segundo gol, e aos 31 minutos, Rivellino fez a diferença. Aproveitando a bola mal afastada pela zaga santista, livrou-se da marcação e tocou para Flávio, que ajeitou para a perna direita e bateu forte para fechar a vitória em 2 a 0. Após o apito final, a festa foi como as das grandes conquistas de campeonato. A torcida corintiana invadiu o gramado do Pacaembu, carregou seus heróis e celebrou como há muito não fazia. Sem grande surpresa, o Santos seria o vencedor daquele Paulistão, mas aquilo havia sido tão costumeiro nos últimos anos que é bem possível que o grito de campeão não tenha sido tão grande quanto o dos corintianos pela quebra do tabu.

10 de dezembro de 1995 – Santos 5×2 Fluminense

A primeira semifinal do Brasileirão de 1995 havia sido um pesadelo para o Santos. O time havia saído na frente no primeiro tempo do duelo contra o Fluminense, no Maracanã, com gol de Giovanni, mas viu o Tricolor conseguir uma virada incrível no segundo tempo. Logo no início da etapa complementar, Renato Gaúcho empatou. De pênalti, Ronald virou para os cariocas, que depois aproveitaram a expulsão de Jamelli e Robert para fechar a vitória por 4 a 1 e praticamente assegurarem a vaga na decisão. Faltava apenas combinarem com Giovanni.

Na volta, o Santos precisaria vencer por três gols de diferença para ir à final. Por ter melhor campanha, avançaria com um resultado desse tamanho. Poucos acreditavam na façanha, mas quem é que esperava que Giovanni fosse ter uma atuação tão grandiosa? Com dois gols e três assistências, o Messias levou o Peixe ao 5 a 2, em um dos maiores jogos da história do Brasileirão. Para o azar dos santistas, o Tobogã do Pacaembu estava interditado, então apenas pouco mais de 28 mil pessoas tiveram o privilégio de ver, ao vivo, uma das atuações individuais mais fantásticas de um de seus jogadores. Façanha e tanta para um time com tantos craques.

O Santos precisava de gols, e a pressão inicial era previsível. O time forçou o goleiro Wellerson a trabalhar bastante. Em meio aos ataques santistas, o Fluminense conseguiu encontrar uma chance incrível de, logo no primeiro tempo, definir de vez a classificação: Renato Gaúcho recebeu cara a cara com Edinho, mas demorou para definir e foi interceptado por Marcos Adriano. Quando Camanducaia, ainda no primeiro tempo, conduziu a bola pela esquerda e foi derrubado na área, a esperança de virada santista começou a crescer. Na cobrança do pênalti, Giovanni abriu o placar, aos 25 minutos. Pouco depois, aos 29, o Messias recebeu na entrada da área, dominou livrando-se da marcação e bateu de bico para marcar um golaço e fazer 2 a 0.

Logo no início do segundo tempo, Giovanni encontrou Macedo na área, e o atacante chutou para fazer 3 a 0 aos cinco minutos. Era o resultado de que o Santos precisava, mas o Fluminense ainda não estava entregue, e o show de Giovanni ainda não havia acabado. Rogerinho respondeu para o Flu dois minutos depois, em bate-rebate incrível na área após bola levantada em cobrança de falta. Giovanni então mais uma vez entrou em cena, roubando a bola de Alê e rolando para Camanducaia, aos 16, mais uma vez dar ao Santos o resultado necessário para a conquista da vaga na final. Marcelo Passos, aos 38, arriscou de fora da área e fez 5 a 1 para o Peixe. No minuto seguinte, Rogerinho diminuiu para 5 a 2, mas a reação do Fluminense não foi adiante.

Na final, o Santos cairia para o Botafogo, com péssima atuação do árbitro Márcio Rezende de Freitas, que validou um gol ilegal dos botafoguenses e anulou o gol legal santista, na partida de volta no Pacaembu. Pela maneira como a conquista da vaga havia acontecido, a revolta foi ainda maior, mas mesmo a frustração de ver o título tomado de suas mãos de maneira injusta não apagou a história feita naquela semifinal de 10 de dezembro.

E você, que recordação tem do Pacaembu? Conte a sua! 🙂