Niko Kovac busca seu recomeço no Monaco, ao mesmo tempo em que o clube tenta achar um novo rumo

Niko Kovac saiu do Bayern de Munique pela porta dos fundos. Conquistou a Bundesliga na temporada 2018/19, mas não tirou o melhor do time e nem fez muitos amigos na Allianz Arena. E o recomeço acontece em um clube que parece mais condizente ao seu currículo como treinador: o Monaco. Os alvirrubros anunciaram a saída de Robert Moreno, trazido durante a última temporada, e confiarão no croata para liderar sua reconstrução a partir da próxima Ligue 1 – depois de duas campanhas abaixo da crítica.

Nas duas vezes em que Leonardo Jardim deixou o Estádio Louis II, o Monaco apostou em treinadores inexperientes ao comando da equipe. Thierry Henry não seria feliz em sua curta passagem em 2018/19, sem afastar o time do risco de rebaixamento, até que Jardim voltasse e o livrasse da segundona. Já na temporada 2019/20, o português foi demitido pela segunda vez e Robert Moreno veio respaldado por seu bom trabalho na seleção espanhola durante as Eliminatórias da Euro – apesar da intempestiva saída da Roja com o retorno de Luis Enrique. Porém, o espanhol não faria muito no principado, dispensado depois de três meses de trabalho e outros quatro de paralisação. Conquistaria cinco vitórias em 13 partidas, em campanha que rendeu apenas a nona colocação aos monegascos.

A troca no comando se confirmou neste domingo. Moreno teve sua saída anunciada de maneira um tanto quanto repentina. O espanhol entrou em rota de colisão internamente após o anúncio de Paul Mitchell, novo diretor esportivo. E o dirigente inglês teria influenciado a escolha de Kovac como o novo treinador. Mitchell, aliás, desembarca no principado como uma importante aquisição dos alvirrubros. Com apenas 38 anos, possui um currículo respeitável, responsável por contratações importantes de Southampton, Tottenham e RB Leipzig nos últimos anos. Até por isso se torna vital dentro da política de mercado do Monaco.

Kovac, por sua vez, chega como um comandante com mais tarimba que Moreno – não apenas pela passagem à frente do Bayern de Munique, mas também por seu ótimo período no comando do Eintracht Frankfurt. O questionamento sobre o croata segue o mesmo que se via na Baviera: se conseguirá dar uma identidade aos alvirrubros dentro de campo. Não dá para dizer que o treinador tinha um estilo definido com os bávaros ou mesmo uma linha de trabalho. E isso será essencial no Estádio Louis II.

Em Frankfurt, o grande mérito de Kovac esteve em potencializar jovens talentos e fazer com que sua equipe atuasse com um futebol reativo, funcional aos seus objetivos. Foi assim que se classificou à Liga Europa e conquistou a Copa da Alemanha. No Monaco, isso pode ser bem-vindo, por mais que as dificuldades do clube estejam mesmo em achar um novo rumo. Desde o desmanche provocado após as boas campanhas entre 2016/17 e 2017/18, os alvirrubros não mais se encontraram. Fizeram diversas apostas no mercado e confiaram em algumas promessas, mas o futebol não vingou.

A última temporada do Monaco não foi tão ruim, com o time se livrando do risco inicial de descenso e mirando as competições europeias, apesar da queda de rendimento antes da interrupção da Ligue 1. Há uma base a se aproveitar e até uma estrela bem definida, diante da maneira como Wissam Ben Yedder carregou o clube em parte da campanha. Mas é um elenco que se acerta e que precisa de boas escolhas para voltar a almejar a classificação às copas europeias. Seria esta a missão de Kovac, em conjunto com Mitchell.

Para tanto, é ver como será a colaboração da diretoria, ainda sob as ordens do presidente Dmitry Rybolovlev. A saída de Leonardo Jardim e a própria falta de confiança em Robert Moreno indicam que o problema não está necessariamente nos treinadores. Os investimentos foram bastante altos nos últimos anos, por mais que as vendas deixassem o saldo positivo, e a falta de estabilidade na tabela cobrou seu preço rapidamente à beira do campo. Kovac precisará balancear estas pressões em conjunto com a própria equipe. Vai ser um recomeço tanto ao croata quanto ao Monaco.