A próxima quarta-feira pode ser mais um dia marcante na história recente do Barcelona. Recebendo a Juventus no Camp Nou, pelas quartas de final da Champions League, o Barcelona pode protagonizar a segunda remontada épica na mesma competição. Para tal, precisa fazer três gols de diferença sobre a Velha Senhora se quiser tentar a sorte nas penalidades máximas, ou quatro tentos para classificar direto para a semifinal. Será difícil, mas, depois do que aconteceu na Catalunha naquela noite de 8 de março de 2017, tudo é possível. Principalmente se tratando de um time que não está em seu melhor momento, mas tem uma camisa muito pesada e conta com estrelas em seu elenco. Sobre a tão desejada virada para os culés, Neymar foi categórico: “fizemos uma vez e podemos fazer a segunda”.

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Em entrevista exclusiva à equipe do Esporte Interativo, o craque do Barça falou um pouco sobre as expectativas para o segundo jogo contra a Juventus. “É muito difícil, né? Todos os jogos são difíceis. Ainda mais quando é um placar largo assim. Mas o meu pai comentou outro dia uma coisa que ficou na minha cabeça, que é verdade. Pode ser outro time diferente, mas o Barcelona é o mesmo”, falou. “Nós podemos fazer isso. Fizemos uma vez e podemos fazer a segunda. Basta querer, se entregar e se doar. Se der tudo certo, mais uma remontada (virada) acontecerá”, adicionou o brasileiro, que não entrou em campo no último fim de semana contra a Real Sociedad, em partida válida pela rodada de La Liga, por estar cumprindo três jogos de suspensão.

“A Juventus é uma equipe muito difícil, muito bem estruturada. Mas é o que você (Zico) falou, é difícil correr atrás do prejuízo, você tem que correr dobrado. O esforço é sempre muito maior. Mas eu acredito muito na nossa equipe e no nosso potencial. Bom, já está praticamente tudo perdido, então a gente não tem mais nada a perder, e sim a ganhar. Então é só entrar em campo e fazer o trabalho direitinho. A porcentagem é igual. Acho que é a mesma coisa. Se a gente tem 1% de chance de passar, se tem mais um jogo, é 99% correndo, 99% de fé e, se Deus quiser, 99% dos gols vão entrar”, disse ainda, complementando sua opinião sobre as possibilidades do Barça diante da atual campeã italiana.

No segundo jogo das oitavas de final da Champions, contra o PSG, Neymar teve uma atuação individual impecável. Sobretudo nos minutos finais, quando o Barça buscou a classificação de maneira incrível. Seu saldo naquele duelo foi de dois gols e duas assistências. Foram os números que decidiram o rumo do time blaugrana no torneio. “No quarto (gol), tinha a esperança de mais um golzinho para dar aquele sabor de “pô, quase conseguimos”. E logo depois de alguns minutos saiu o pênalti. Eu só lembro na hora que eu peguei a bola para bater, na hora em que estava concentrado, eu só escutava alguém falando que só tinha mais cinco minutos de jogo. Aí eu já pensei: ‘C…, tenho que fazer essa m…, se não eu vou me f…’. O Messi falou: ‘Vai você’. Eu falei: ‘Tá bom!’. Eu só pensava: ‘Tenho que fazer para a gente ter pelo menos uma chance de tentar algo extraordinário”, contou.

“Logo que eu fiz o gol foi um alívio total, porque colocou a gente no jogo. Já empolgou todo o estádio e todo mundo. E aí aconteceu o gol histórico”. Gol este que foi impulsionado pelo camisa 11. Que saiu dos pés de Neymar, foi parar nos pés de Sergi Roberto e, depois, no fundo do gol de Trapp. O brasileiro, porém, confessa que o tento não foi pensado. “Meu primeiro pensamento não era nem de ser herói, e sim, de chutar. Mas eu vi dois jogadores do Barcelona movimentando, que eram Messi e Piqué. Eu não tinha visto o Sergi Roberto. Tanto que eu jogo ali para os dois. Na hora, pensei que quem tinha feito o gol fosse o Piqué. Depois que eu vi o Sergi Roberto chegando atrás. Pior que no jogo, eu falava para ele (Sergi Roberto): ‘Entra na área que você vai fazer o gol. Entra na área!’. Porque eu ficava no lugar dele no rebote, porque ele é mais alto. Aí ele entrou e fez o gol”.

No Camp Nou, só que do outro lado do campo, estará Dybala na próxima quarta. Os dois estão quase sempre no mesmo assunto quando a questão levantada é sobre craques da nova geração que têm potencial para serem melhores do mundo em breve. Neymar diz que ganhar a Bola de Ouro não é algo que ele prioriza, mas é um sonho. Afinal, que jogador não gostaria de ganhar o troféu? E o brasileiro reconhece o perigo para o time adversário que Dybala costuma ser quando está em campo. “É o famoso canhoto argentino. Se deixar ele sozinho, ele vai guardar. Na quarta-feira, a gente não pode dar espaço. Como eles (Juventus) não fazem com a gente, eles não dão espaço pra gente. A mesma coisa”, afirmou.