Logo após a conquista da medalha de ouro, Neymar deu uma declaração importante. Disse que conversou com a família e não quer mais ser o capitão da Seleção. Uma faixa que foi dada por Dunga, logo depois da Copa do Mundo de 2014 e do fracasso do 7 a 1 (10 a 1, na verdade, porque teve a decisão do terceiro lugar que foi vergonhosa também).

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“Eu não carrego peso, são vocês que colocam isso em mim. Hoje eu consagrado campeão entrego a faixa de capitão, foi uma coisa que recebi, honrei com carinho. Foi uma honra de ser capitão, mas a partir de hoje deixo de se capitão. Até mando mensagem para o Tite que a partir de agora ele pode procurar um outro capitão”, declarou Neymar ao SporTV.

Desde que assumiu a braçadeira, há um questionamento pertinente se Neymar é o melhor nome para ser o capitão do time. O exemplo usado parece ter sido a Argentina, onde Lionel Messi se tornou capitão por ser o grande nome do time. Só que na albiceleste o capitão de fato é Javier Mascherano. Messi veste a braçadeira muito mais por uma questão simbólica. Por lá, esse questionamento também acontece. A pergunta se não era peso demais para o craque argentino carregar também foi ouvida. Se imaginou que Neymar pudesse ser o mesmo no Brasil, um capitão simbólico.

Neymar tem 24 anos, algo parecido com o que tinha Messi quando assumiu o posto, ainda com Maradona, para a Copa de 2010. A diferença é que na Argentina há outros líderes, sendo Mascherano o principal deles. No Brasil não. Falta essa liderança. Neymar é um jogador muito jovem e a seleção brasileira tem a camisa mais pesada do mundo. Além disso, o atacante não parece ter o perfil de um capitão. Não é nenhum demérito. Muitos craques não foram capitães dos seus times e não quer dizer que Neymar não possa desenvolver isso ao longo da carreira. Aos 24 anos, poucos têm esse perfil. Foi a idade que Steven Gerrard assumiu a braçadeira do Liverpool, mas o lendário jogador dos Reds claramente tinha um perfil de liderança. Ainda não é o caso de Neymar.

Como capitão, o jogador do Barcelona se tornou ainda mais irritado, se envolveu em mais confusões em campo, como a expulsão tola contra a Colômbia na Copa América de 2015, passou a lidar com os árbitros de forma agressiva e que acabou sendo prejudicial a ele e especialmente à Seleção. Além disso, em campo Neymar não foi o líder que se espera de um capitão. Esse papel acabava sendo de outros jogadores do time, mas sem que alguém tivesse uma liderança tão clara. E, no fim, a responsabilidade caía de novo sobre o camisa 10.

Entregar a braçadeira depois de uma conquista importante para o Brasil como a medalha de ouro é o momento ideal. Em outra situação, poderia pesar para Neymar. Digamos, antes da Olimpíada. Soaria como se ele estivesse abrindo mão de uma responsabilidade diante de um momento importante para a Seleção.

Sem o peso do ouro, em meio à celebração e ainda antes de Tite anunciar a sua primeira lista de convocados nesta segunda, Neymar pede para não ser mais o capitão do time. Não se sabe se Tite o manteria como capitão. É possível que ele preferisse outro jogador para a função. Poderia ser uma situação de desgaste tirar a braçadeira do craque brasileiro. Com seu pedido, o camisa 10 do Brasil tira esse peso de Tite.

Neymar já carrega a responsabilidade de ser o grande jogador do time, o maior craque da sua geração. Ter também a braçadeira e a responsabilidade de ser um líder, que ele ainda não é, pode mais atrapalhar do que ajudar. Tite poderá escolher alguém com perfil de liderança que imagina.

Há alguns jogadores que largam como candidatos. Talvez até mesmo Renato Augusto, com quem Tite trabalhou no Corinthians e que foi o capitão de fato, em campo, na seleção olímpica. Tem Miranda, um jogador experiente e que foi o capitão de Dunga quando Neymar não esteve em campo.

Até mesmo Thiago Silva, o capitão da Copa de 2014, que ficou marcado pelo episódio de chorar antes das cobranças de pênalti contra o Chile, mas que seguiu como um dos principais zagueiros do mundo e capitão do Paris Saint-Germain tendo Zlatan Ibrahimovic no elenco. Tite é um admirador do ex-jogador do Fluminense e é quase certo que o jogador, de 31 anos, volte à Seleção sob o seu comando.

Se Fernando Prass estivesse disponível – ele só volta a jogar no fim do ano, na melhor das hipóteses -, talvez o jogador do Palmeiras fosse escolhido para vestir a braçadeira. Como só poderia voltar à Seleção provavelmente em 2017, quando Tite já terá feito alguns jogos comandando o Brasil, esta função não deve ser do goleiro. Nem se sabe se ele ainda será convocado neste momento.

A função de capitão não é muito valorizada no Brasil, mas é importante. O capitão do time serve como um porta-voz do grupo, é o representante dos jogadores diante de técnico e dirigentes, além de ser quem deve liderar o time em campo. Alguns se tornam a voz do técnico em campo, outros são grandes motivadores, alguns são capazes de perceber problemas e corrigi-los ali de dentro de campo.

Seja como for, Neymar não será mais o capitão e isso é muito bom para ele, mas principalmente para a Seleção. Nesta segunda-feira, quando Tite anunciar a sua primeira convocação como técnico do Brasil, certamente será questionado sobre isso. Resta saber se o técnico irá querer falar sobre o assunto.

E você, quem acha que deve ser o capitão da Seleção? Escreva nos comentários.

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