Neymar marcou, pela 60ª vez vestindo a camisa da seleção brasileira, um gol merecido pela sua ótima partida nesta sexta-feira, em Londres, e o único do amistoso contra o Uruguai. A quinta vitória seguida nesses amistosos pós-Copa do Mundo, sequência pouco relevante pela qualidade dos adversários, mostrou uma equipe com dificuldades na criação, dependente demais do que saía dos pés do seu talentoso capitão. 

E Neymar criou. Criou bastante até. Não foi uma daquelas partidas em que coloca a si mesmo o desafio de driblar 28 adversários antes de soltar a bola. Deu bons lançamentos e deixou os companheiros em situação de finalizar, mas o coletivo não colaborou. Arthur foi titular no meio-campo, com Walace na contenção e Renato Augusto ao seu lado. 

Não foi um jogo ruim do meia do Barcelona, mas sua característica não é de criação. Ele trata da organização a partir da saída de bola, ajudando a equipe a se posicionar bem na intermediária adversária. O passe agudo depende de outros jogadores. Renato Augusto tem uma importância parecida, e Walace cuidou mais da contenção. Douglas Costa não foi bem, nem Roberto Firmino, recuando para armar como faz no Liverpool. Logo, sobrou para Neymar. 

E ele compareceu. Levou perigo com uma cobrança de falta e um chute de fora da área, nos primeiros 15 minutos da partida, e descolou um lindo lançamento para Firmino, que o atacante do Liverpool não conseguiu alcançar. No entanto, o time mais perigoso antes do intervalo foi o Uruguai. Suárez aproveitou erro de passe de Danilo para bater da entrada da área, por cima do travessão. Aos 44, achou Cavani livre na segunda trave. A batida foi de primeira. Alisson espalmou. 

Tite mexeu para tentar melhorar a construção brasileira. E mexeu bem. Allan, aos 27 anos, finalmente fez a sua estreia e deu outro dinamismo para o meio-campo, muito mais incisivo e veloz do que Renato Augusto. Richarlison entrou no lugar de Douglas Costa, pela direita. O Brasil aumentou seu volume de jogo. Neymar entrou pela esquerda e bateu cruzado, com perigo, aos 19 minutos da segunda etapa.

O gol saiu na marca da meia hora. Danilo invadiu a área pela direita e sofreu pênalti de Laxalt. Uma infração discutível: dependendo da imagem, a bicuda que o jogador do Milan desferiu no lateral direito pegou ou não o seu pé. Além disso, segundos antes, a bola claramente pega no braço de Danilo. Enfim, Neymar pegou a bola e tocou no canto de Campaña para fazer 1 a 0 . 

O capitão brasileiro ainda deu outro lindo lançamento para Richarlison aparecer na segunda trave batendo de primeira. O jogador do Everton perdeu uma chance clara, mas o 2 a 0 não mudaria o fato de que a Seleção teve dificuldades para criar contra o Uruguai. É verdade que se trata de uma das defesas mais encardidas do futebol internacional, mas ela estava sem Godín e Giménez, titulares incontestáveis.

E nos outros amistosos pós Copa, contra EUA, El Salvador, Arábia Saudita e uma Argentina muito modificada, essa dificuldade também apareceu, em menor ou maior nível, o que é muito mais relevante do que as cinco vitórias seguidas. 


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