A novela mais arrastada do mercado de transferências europeu parece que terminará como começou: Neymar ficará no PSG, e não irá para o Barcelona, como gostaria. Uma matéria do Le Parisien revela que os donos do clube francês jogaram pesado com o brasileiro, mostrando um pulso que ainda não tinham deixado aparecer. Foram duros nas negociações, e o brasileiro terá que permanecer em Paris e se acertar para voltar a jogar.

O presidente do PSG, Nasser Al-Khelaifi, ficou revoltado com a atitude do jogador de pedir para sair dois anos depois do clube ter quebrado o recorde de transferências ao pagar € 222 milhões para tirar o brasileiro do Barcelona, gerando controvérsia. E é por isso que os donos do PSG não gostaram do atacante ter se mostrado disposto a sair e ter tomado a decisão como se pudesse fazer o que quisesse. Algo que, bom, ele fez desde que assinou com o clube parisiense.

A matéria do jornal francês Le Parisien mostra que a diretoria do PSG tomou as rédeas da situação, enquanto Neymar achava que tudo seria mais fácil. No dia 13 de agosto, o Barcelona enviou uma delegação a Paris para negociar a contratação do brasileiro. Vazou a informação aos meios de comunicação catalães, de forma a tornar público o interesse.

Só que, na visão dos dirigentes do PSG, o Barcelona chegou de mãos vazias. Ofereceu Philippe Coutinho mais uma pequena quantia em dinheiro (se especula que de € 40 milhões). Uma oferta prontamente rechaçada pela direção parisiense. Em treinamento, o jogador confessou resignação pela situação a um de seus companheiros. Um deles então disse ao brasileiro: “Você achou que sairia assim da Prisão-Saint-Germain?”. Ali, estava claro: a batalha para sair do clube seria muito mais complicada do que ele mesmo e seu entorno imaginavam.

O PSG sabia do interesse de Neymar deixar o clube desde 18 de junho, ao menos, quando ele oficialmente comunicou que queria sair. O dono do PSG, o Catar, se sentiu humilhado. Por isso, o emir do país deu a Leonardo, recém-contratado de volta ao clube parisiense, o roteiro de como funcionaria dali em diante: ele só sairia por valor igual ao que o clube pagou por ele em 2017, ou seja, € 222 milhões.

Só que o caldo engrossou ainda mais. Os jogadores ficaram preocupados que a saída de Neymar poderia significar o fim do projeto do PSG, ou ao menos seu enfraquecimento. Por isso, Al-Khelaïfi ligou para os principais líderes do vestiário francês para informar a situação. “Sim, Neymar pode sair, mas só se a oferta for enorme.” E o “enorme” citado pelo dirigente tem uma etiqueta de preço: € 300 milhões. Os jogadores ouviram e se sentiram confiantes de que o brasileiro ficaria no clube. Quem, afinal, teria tudo isso para pagar por ele?

O Barcelona planejava a chega de Antoine Griezmann há meses e pagou a cláusula de rescisão do atacante, € 120 milhões, para levá-lo ao Camp Nou. Só que o vestiário do Barcelona, em especial Lionel Messi, Luis Suárez e Gerard Piqué, queriam a volta de Neymar e cobraram do clube ações para realizar o desejo do poderoso trio.

Sabendo que a situação se complicava, o Barcelona pediu que Neymar fosse a público dizendo que queria voltar à Catalunha. Só que a equipe do jogador considera a estratégia arriscada, porque seria algo como um all-in: arriscaria tudo, o que significava um caminho mais complicado em outros cenários. O estafe do jogador considerava melhor ter outras propostas. Por isso, começaram a surgir rumores sobre interesse de Real Madrid e Juventus. Propostas que nunca chegaram a, de fato, acontecer.

O PSG sabia que o Barcelona não teria o dinheiro para pagar o que pediam por Neymar. Sabia que a transferência dependia da sua vontade de liberar o jogador. Por isso, estabeleceu um preço impagável. A transferência era impossível, e isso já se sabia entre os dirigentes do PSG, segundo relata o Parisien.

A história da transferência de Neymar foi uma queda de braço entre Neymar e o PSG, em uma dança que os dirigentes já sabiam como acabaria. Mostraram força diante da sua principal estrela. Deram tudo que o brasileiro quis quando ele fechou o contrato, mas, diante das ações do jogador, que usou e abusou da liberdade que recebeu, o PSG parece ter mudado de postura. E assim, aparenta estabelecer novos parâmetros para o clube.

Resta saber como Neymar irá lidar com o problema. Precisará se reconciliar com a torcida do PSG. No vestiário, esse não deve ser um grande problema, mas a situação que o jogador brasileiro encontrará é completamente diferente. Le Roi Est Mort, Vive Le Roi! Ou, em português: o Rei está morto, vida longa ao Rei!