Perder por 4 a 3 depois de estar vencendo por 3 a 0 é ridículo. Altitude não é desculpa para uma virada dessas. A melhor explicação para a derrota está nas substituições que o treinador fez. Corretas, pensando na classificação e não no jogo.

Se precisasse vencer ou perder de pouco, Luís Fabiano e Osvaldo não teriam saído. O artilheiro, que chegou ontem a 160 gols, poderia continuar mas Ney o tirou para evitar um novo cartão amarelo. Ou talvez até para preserva-lo para o jogo de domingo, na Vila. O mesmo vale para Osvaldo.

E a terceira substituição? Wellington levou amarelo e entrou Casemiro. Um volante por outro, quando o Bolivar chegava ao empate. Oras, novamente, se fosse um jogo que garantisse a vaga, Casemiro entraria no lugar de Douglas ou Jadson. Reforçaria o meio-campo e protegeria a defesa. Repito, foi uma substiuição para o resto do campeonato e não para o jogo.

Quer dizer, então, que o São Paulo perdeu porque quis? Não tem problemas? Está tudo correto?

Não, é lógico.

O maior problema não é saber quem será o atacante pelo lado direito e sim, saber se há um atacante pelo lado direito no elenco. O 4-3-3 que Ney Franco tanto preza pode e deve ser mantido sem uma definição? Sem jogadores especialistas. Foram três jogos e três improvisações: Jadson, contra Mirassol, Aloísio contra o Bolivar e Douglas, também contra o Bolívar.

Não se deve esquecer que o titular era Lucas, que está no PSG. E o substituto ideal era Vargas, que está no Grêmio.

O elenco desse ano é pior que o do ano passado. É normal que seja, porque Lucas é insubstituível. Mas o São Paulo perdeu também Cícero, que nunca teve chances com Ney Franco. 

Há duas opções para arrumar o time: Cañete se acertar na direita, o que é uma dúvida e tanto. Ou Ganso começar a treinar muito bem para fazer com que Ney Franco troque o 4-3-3 por um 4-4-2 com mais posse de bola e menos pressão na saída de bola do rival.

A altitude também cobrou a sua conta. No segundo tempo, o São Paulo mostrou-se lento e confuso, principalmente Rhodolfo. Mas, com 3 a 0 a favor, não dá para botar a culpa nisso.

Se Ney Franco quisesse ganhar o jogo, ele conseguiria. Mas, acertadamente, pensou no quem vem por aí. Precisa agora saber como vencer o The Strongest, outro rei da altitude.