NYCFC quer ter a cara de Nova York e ser conhecido por “jogo bonito”, só falta avisar o Red Bulls

Time quer causar impacto e não ser apenas uma franquia do Manchester City. Projeto é bom, mas é melhor não colocar a carroça na frente dos bois

O New York City FC só entra em campo de forma oficial pela primeira vez no ano que vem, e até agora Frank Lampard e David Villa são os únicos jogadores do elenco do time que é uma espécie de expansão do Manchester City. Mas os objetivos do projeto vão muito além de se tratar apenas de uma franquia do clube inglês. Ferran Soriano, diretor executivo da recém-criada agremiação, afirmou que a ideia é “ter a cara de Nova York” e ser conhecido por um “futebol bonito”. A primeira definição parece um tanto quanto abstrata, mas dá para se ter uma ideia do que o espanhol esteja falando. Já a segunda intenção deverá ter dentro da própria cidade um entrave muito grande.

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Como ser conhecido pelo “futebol bonito” quando na mesma Nova York está o NY Red Bulls, que já conta com Thierry Henry e está perto de acertar a contratação de Ronaldinho Gaúcho, que entende uma coisa ou outra desse termo, não é mesmo? O francês e o brasileiro são dois nomes instantaneamente associados ao termo, não só por sua qualidade, mas também por terem feito há cerca de dez anos uma campanha na Nike que levava basicamente o mesmo nome. Nesse terreno, o desafio será muito difícil para o NYCFC, mas, de qualquer forma, a linha de raciocínio de Soriano para explicar o que vem por aí mostra que realmente o novo time não vem para brincar, mas, sim, para fazer um grande estardalhaço.

Ferran Soriano foi diretor executivo do Barcelona entre 2003 e 2008, e o salto de expressão dado pelo clube catalão nesse período mostra que o dirigente conhece muito bem aquilo com o que trabalha. Seus ótimos resultados o levaram ao cargo de CEO do Manchester City em 2012, em seu projeto de crescimento em cima do dinheiro árabe que aportou há alguns anos. Falando ao ESPNFC, o espanhol explicou de maneira sucinta o que pretende, sem especificar detalhes da operação, mas dando uma ideia do espírito que permeia o projeto: “Queremos ser nova-iorquinos. Estamos construindo um autêntico time de Nova York. Esse não é um time do Manchester City ou um truque de marketing, isso é real. Esse é um time que irá jogar um futebol bonito em Nova Iorque”.

Evidentemente, jogadores do porte de David Villa e Frank Lampard, mesmo no fim de suas carreiras, não iriam à toa para um time que sequer jogou de forma oficial ainda. O projeto é bom porque conta com todo o aparato financeiro de um grupo que mudou o patamar do Manchester City não apenas na ilha que criou o futebol, mas também em âmbito internacional. Soriano explicou de que forma a experiência nos Citizens contribuirá com o projeto norte-americano.

“(O time) Faz parte da família do City (City Football Group, comandado pelo xeques dos Emirados Árabes), em que podemos ajudar. Poderemos ajudar nas coisas que importam, trazendo bons jogadores, ensinando metodologia, tecnologia, tudo para ajudar esse time de Nova York a ter sucesso”, exemplificou o dirigente.

Soriano admitiu também a possiblidade de que jogadores mais jovens do Manchester City sem espaço ainda na equipe inglesa façam uma espécie de intercâmbio no NYCFC, mantendo-se em ritmo de jogo e tornando a equipe americana mais competitiva.

Futebol bonito? Mais provável no NY Red Bulls
Futebol bonito? Mais provável no NY Red Bulls

Dentre os diversos fatores que têm construído um terreno fértil para o crescimento do futebol nos Estados Unidos a médio e longo prazo, a criação do NYCFC é um bastante importante. Existe uma vontade de se criar uma rivalidade na principal cidade do país, e o comportamento do Red Bull em suas contratações, associado com o que parece vir por aí para o novo clube, torna completamente realizável o objetivo. O próprio Soriano afirmou que viaja para os Estados Unidos há dez anos, e cada vez mais o esporte cresce por lá: “Não importa como você olha para ele, o futebol é o esporte global número um, e não há razão para que ele não cresça nos EUA. Não é mais uma promessa, é uma realidade”.

Todo o discurso de Soriano aponta para algo grandioso, mas é preciso colocar as coisas em perspectiva e ver que não será algo de resultados tão garantidos quanto parece por sua fala. A própria projeção de ser conhecido por um futebol bonito é algo que não pode ser previsto. A médio prazo, inclusive, é até engraçado. Enquanto duas das contratações designadas do novo time nunca foram conhecidas por seu futebol arte, o Red Bulls já tem Henry e está na iminência de contar com Ronaldinho. É preciso dar um passo de cada vez, mas o futebol dos Estados Unidos agradecerá muito se tudo caminhar como o projeto pretende.