Neuer de novo se agigantou e, na prorrogação, o Bayern bateu o Sevilla para levar a Supercopa

Não apenas por causa do título na Champions League que o Bayern de Munique era favorito contra o Sevilla na Supercopa da Uefa. Os bávaros atravessam uma fase arrebatadora e, afinal, estrearam na Bundesliga com uma goleada por 8 a 0. O duelo na Puskás Arena, em Budapeste, esteve longe de ser tão tranquilo ao time de Hansi Flick. Os andaluzes abriram o placar e tiveram boas chances de buscar o triunfo, em outra noite inspirada do fantástico Manuel Neuer. E, depois de 90 minutos em que pressionou mais, o Bayern selou a conquista na prorrogação. Javi Martínez talvez deixe a Baviera ainda nesta janela de transferências, mas foi o herói ao anotar o gol do título, na vitória por 2 a 1 – possibilitando a segunda conquista do clube na Supercopa.

O Bayern entrou em campo com uma escalação parecida à que estreou na Bundesliga durante a sexta passada. A novidade era a volta de David Alaba ao miolo de zaga, sem Jérôme Boateng. Lucas Hernández seguia na lateral esquerda, com Alphonso Davies ainda fora da melhor forma. E o reforço Leroy Sané seria titular na ponta esquerda. Já o Sevilla vinha para a sua estreia na temporada com nove titulares que atuaram na decisão da Liga Europa – exceção feita a Sergio Reguillón e Éver Banega, que deixaram o clube. Ivan Rakitic, principal reforço dos rojiblancos, reapareceu no meio-campo após seis anos.

Bayern x Sevilla (Fonte: WhoScored)

A partida começaria sem contrariar o roteiro esperado, com o Bayern sitiando o campo ofensivo e o Sevilla fechando os espaços. Nas vezes em que os bávaros tentaram espetar um pouco mais a bola, Bono se antecipou. E os andaluzes também conseguiram sair ao ataque, encontrando a chance de abrir o placar aos dez minutos. Após bola alçada, Alaba e Rakitic disputaram pelo alto, com o croata deslocado no ar pelo austríaco. O árbitro anotou o pênalti e Lucas Ocampos cobrou muito bem, sem que Manuel Neuer sequer saísse na foto.

Depois do tento, o primeiro tempo se desenrolou todo nos arredores da área do Sevilla. O Bayern dominava a posse de bola e tinha paciência, mas demorou para as brechas começarem a aparecer. Ainda assim, não era a noite mais eficiente dos alemães. Quando Thomas Müller recebeu de Robert Lewandowski na pequena área, acabou travado por Jules Koundé. Benjamin Pavard também tentaria, sem precisão. Já aos 30, Lewa recebeu sua oportunidade, em ligação direta de Neuer, mas finalizou mal diante do goleiro e facilitou a defesa de Bono.

O gol de empate saiu aos 33 minutos, e numa jogadaça do Bayern. Müller deu um passe absurdo, levantando a bola na área com muita categoria. Lewandowski passou nas costas da marcação e ajeitou de primeira. Encontrou Leon Goretzka, que chegava livre e encheu o pé para balançar as redes. O Sevilla até tentaria responder no minuto seguinte, mas o tento de Luuk de Jong foi anulado por impedimento. Apesar disso, o duelo seguia pendendo aos bávaros, mesmo que sem a mesma urgência do gol.

A volta ao segundo tempo viu o Sevilla tentando surpreender. De Jong forçaria uma boa defesa de Neuer logo no primeiro ataque e os andaluzes tiveram uma sequência de escanteios. Os rojiblancos pareciam dispostos a fazer uma partida mais equilibrada, até que o Bayern voltasse a se impor. Aos cinco minutos, Müller e Lewandowski tabelaram com enorme facilidade diante de Bono, mas o gol do polonês acabaria anulado por impedimento. Os espaços eram maiores e Bono precisaria intervir, em chute venenoso de Serge Gnabry. Já aos 17, a arbitragem anulou outro gol do Bayern, desta vez de Sané, após falta de Lewandowski na construção.

Julen Lopetegui mudou seu ataque com Youssef En-Nesyri e Óliver Torres, nas vagas de Rakitic e De Jong. Hansi Flick logo mexeria também no Bayern, mandando Corentin Tolisso para a vaga de Sané. A partida perderia um pouco de ritmo, até que o Bayern voltasse a acelerar por volta dos 30 minutos. As chegadas eram constantes, mas sem grande contundência, o que não gerava oportunidades tão clamorosas aos bávaros. Koundé faria um bom corte em passe para Lewa e Müller exigiria uma defesa tranquila de Bono. O Sevilla, por outro lado, tinha seus principais lances em bolas pelo alto e lançamentos longos, com Neuer intervindo além da grande área.

Com o Bayern todo no ataque, o Sevilla teve uma chance de ouro aos 42 minutos, naquele que talvez tenha sido o grande lance da final. Alaba furou e Jesús Navas arrancou ao contra-ataque. O lateral enfiou para En-Nesyri e o atacante estava sozinho com Neuer, diante do gol. A lenda, entretanto, se agigantou como tantas vezes aconteceu na decisão da Champions e desviou o chute que tinha endereço com a ponta dos dedos. O centroavante ainda tentaria marcar do meio do campo pouco depois, vendo Neuer adiantado, mas não esteve nem próximo de assustar. Seria um fim de jogo arrastado, com a defesa andaluz prevalecendo ante a pressão.

A estratégia de explorar as costas do Bayern quase rendeu frutos ao Sevilla no início da prorrogação. Joan Jordán seria travado por Niklas Süle numa boa arrancada, antes que En-Nesyri ficasse no quase de novo. O centroavante, embora impedido, avançou e chutou no contrapé de Neuer. O goleiro desviou com o pé e a bola ainda bateu na trave, antes que o camisa 1 cortasse. O Bayern parecia sentir o cansaço e Hansi Flick demorou a acionar de novo seu banco. As próximas mudanças só aconteceram aos nove minutos, com Alphonso Davies e Javi Martínez. Logo depois, Kimmich levou perigo num chute para fora.

Alphonso Davies deu um novo gás à lateral esquerda. Mas quem se tornaria decisivo foi mesmo Javi Martínez, herói já na Supercopa de 2013. O gol da virada saiu aos 14 minutos. Após cobrança de escanteio, Bono rebateu mal o chute de Alaba e, no rebote, Martínez nem precisou saltar para cabecear rumo às redes. Antes do fim do primeiro tempo extra, Diego Carlos ainda meteu a cabeça na bola para bloquear um arremate de Süle que seguia ao gol.

O Sevilla não parecia ter forças para a reação no segundo tempo da prorrogação. Escudeiro deu um chute para fora, mas o desgaste físico dos andaluzes era evidente. O jogo ficou mais tenso, com o Bayern tentando alguma escapada para anotar o terceiro gol. Que os andaluzes tenham saído mais ao ataque pela necessidade, já não conseguiram mais ameaçar Neuer.  Lewandowski esteve até mais próximo do terceiro, em batida que seguiu por cima do gol. Nada que impedisse a festa dos alemães por mais um troféu.

Este é o quarto título do Bayern em 2020 – ampliando o tamanho das façanhas após a tríplice coroa na temporada passada. Não foi uma grande exibição do time de Hansi Flick e, diante da ausência de Kingsley Coman, as opções no banco pareceram ser limitadas aos bávaros – agora sem mais Philippe Coutinho ou Ivan Perisic para fazer a diferença nesse sentido. De qualquer forma, não deixa de ser uma equipe dominante e com muitos recursos. O Sevilla, por sua vez, cai de cabeça erguida. Outra noite em alto nível, sobretudo na defesa, vale o reconhecimento a um time que deve manter sua competitividade na temporada que se inicia. Fez frente àquele que, inapelavelmente, é o melhor clube do mundo no momento.