A posição de goleiro não tem muita escapatória: joga apenas um por vez. Não há improvisações, e substituições são raras, geralmente por lesões. Por isso, quando um goleiro como Neto chega ao Barcelona, negócio anunciado nesta quinta-feira, a situação acaba sendo uma faca de dois gumes. Por um lado, o brasileiro merece a chance depois de duas temporadas muito sólidas pelo Valencia. Por outro, provavelmente terá poucas partidas para mostrar o que sabe fazer porque competirá com Ter Stegen, um dos melhores jogadores do mundo na posição.

O contexto é familiar na carreira do jogador de 29 anos que despontou no Athletico Paranaense. Após quatro anos na Fiorentina, Neto foi contratado pela Juventus como apoio a Gianluigi Buffon. Embora acreditasse que poderia desafiar a lenda italiana, entrou em campo apenas 22 vezes em duas temporadas, dez na Copa Itália. Eventualmente, decidiu sair para recuperar a confiança e tentar mais chances na seleção brasileira.

Bem na transição entre Juventus e Valencia, Neto foi banco durante a Copa América do Chile e retornou com Tite, em março de 2018. Foi um dos cotados para ser o terceiro goleiro da Copa do Mundo da Rússia, mas acabou perdendo para Cássio. Estreou pela equipe principal – havia disputado a Olimpíada de Londres – contra El Salvador, em amistoso de 2018, em meio à sua melhor fase pelo time espanhol

Teve dez partidas sem ser vazado em cada edição de La Liga disputada pelo Valencia, entre os líderes da estatística, e comandou uma das melhores defesas da Espanha com grandes defesas e muita segurança. Foram 80 jogos em duas temporadas. Nos últimos meses, porém, surgiram notícias na imprensa espanhola de rusgas com o técnico Marcelino que teriam motivado o Valencia a realizar a troca com o Barcelona.

Foi, efetivamente, uma troca. O Valencia havia anunciado Jasper Cillessen por € 35 milhões. O Barcelona pagou € 26 milhões por Neto, com € 9 milhões de variáveis. Como o nível entre os dois não é muito diferente, a experiência do holandês no Camp Nou indica o desafio que o brasileiro terá pela frente. Em três anos, Cillessen defendeu a camisa catalã 32 vezes, quase todas – 24 – na Copa do Rei, que também deve ser a competição em que Neto terá mais oportunidade de tentar colocar uma pulga atrás da orelha do treinador Ernesto Valverde.

Mas será bem difícil. Quando chegou ao Barcelona, Ter Stegen encontrou Claudio Bravo estabelecido e foi preterido no Campeonato Espanhol, titular apenas na Champions League e na Copa do Rei. Desde a saída do chileno, porém, virou dono da posição. Não tem a aura de Buffon, mas, atualmente, é um dos melhores goleiros do mundo. Salvo uma mudança drástica de panorama, deve dar pouco espaço para Neto brilhar no Barcelona.