A uma semana da estreia na Champions League, o Valencia demitiu o treinador Marcelino Toral que, além de ter classificado a equipe à competição europeia, ainda conquistou a Copa do Rei contra o Barcelona, primeiro título do clube em 11 anos. Ao invés de o troféu ajudar a sedimentar o seu trabalho no Mestalla, foi justamente essa campanha que acabou de vez com a relação desgastada com o dono Peter Lim, disse o técnico, em entrevista coletiva, nesta sexta-feira.

Segundo Marcelino, Peter Lim não queria que o Valencia desse atenção à Copa do Rei porque acreditava que isso poderia prejudicar as chances de se classificar à Champions League, apesar de, no fim das contas, os dois objetivos terem sido alcançados. Mas o treinador acredita que foi justamente a empolgação da campanha no mata-mata, especialmente da vitória agônica contra o Getafe nas quartas de final, com dois gols nos acréscimos, que impulsionou o seu time ao quarto lugar do Campeonato Espanhol.

“Tenho absoluta certeza, nenhuma dúvida, que a causa desta situação foi a Copa”, afirmou, segundo o jornal Sport. “Durante a temporada, recebemos mensagens, diretas e indiretas, nos dizendo para ignorar a competição. Os torcedores queriam lutar por ela, assim como os jogadores, e eles fizeram isso. A comissão técnica queria lutar pela Copa e vencê-la. Vencer o troféu foi a causa de toda esta situação, você consegue imaginar isso?”.

Marcelino afirmou que Peter Lim sequer o enviou uma mensagem de parabéns pelo título da Copa do Rei. “Em 19 de julho, eu fui a Cingapura e ele me deu parabéns pela vaga na Champions League, mas não por vencer a Copa. Você imagina minha surpresa. É óbvio que os resultados não foram o motivo da minha demissão. Eu me considero um treinador vencedor e, por causa disso, eu quero jogadores vencedores também”, afirmou.

“Você acha que o Valencia poderia simplesmente não tentar ganhar uma competição? Eu teria sido um bom profissional se isso acontecesse? Como meus jogadores receberiam se eu dissesse: ‘não queremos ganhar isto’?”, acrescentou.

Em um primeiro momento, o treinador não acreditou nas reportagens da imprensa que colocavam seu emprego em risco. “Depois do que alcançamos, não entrou na minha cabeça que esta comissão técnica, que sempre respeitou os acordos que fizemos em maio de 2017 (quando foram contratados pelo Valencia), ficaria de repente sem emprego”, disse.

Um dos pontos que desgastou a relação entre Marcelino e Peter Lim foi o mercado de transferências, especialmente a inclinação do dono a vender o atacante Rodrigo. “Decisões que determinam se você quer crescer ou se crescer é secundário. As opiniões que chegavam dos nossos superiores era que, se Rodrigo fosse embora, outro jogador não seria vendido e outro chegaria… não do mesmo nível de Rodrigo. O elenco queria crescer, ele se sentia vencedor, campeão. Há medidas, tomadas de decisões, que determinam se você quer crescer ou se crescer é secundário”, repetiu.

Questionado sobre a direção do clube, Marcelino afirmou que “não tem resposta se o Valencia está em boas mãos”, mas, se tem um dono que despreza títulos, a resposta é bem fácil.