As comunidades autônomas da Espanha ganham em dezembro a permissão da Fifa para disputar um amistoso internacional. As equipes regionais revigoram a identidade local reunindo os seus melhores jogadores, para enfrentar as seleções de “verdade”. Em 2011, o País Basco acabou derrotado pela Tunísia no antigo San Mamés. Mas a postura da torcida basca chamou atenção. Xabi Alonso, o principal nome da equipe local, era vaiado por defender o time do “poder”, o Real Madrid. Enquanto isso, Aritz Aduriz recebia enorme manifestação de carinho. A torcida do Athletic Bilbao pedia o retorno do atacante, que passara três temporadas no clube, mas estava na reserva do Valencia.

Seis meses depois, Aduriz estava de volta a Bilbao, iniciando a sua segunda passagem pelo clube em 2012/13. Chegava após excelente campanha com Marcelo Bielsa na Liga Europa. E tendo uma concorrência duríssima, com Fernando Llorente vivendo ótimo momento no ataque. Porém, o então titular entrou em litígio com o clube por não querer renovar seu contrato – o que o levaria um ano depois à Juventus. Assim, Aduriz assumiu a posição. E poucos centroavantes espanhóis têm sido mais efetivos do que ele desde então.

De mero coadjuvante em sua primeira passagem por San Mamés, sem ir além dos nove gols por temporada, Aduriz se transformou desde o seu retorno. Virou um centroavante letal e de virtudes técnicas, como nunca havia sido na carreira. Em suas duas primeiras temporadas, anotou 18 gols em cada, igualando sua melhor marca até então. Já em 2014/15, tornou-se o espanhol com mais tentos por La Liga, além de liderar o Athletic à decisão da Copa do Rei. Somou 26 tentos em 47 partidas. Mesmo assim, o melhor ainda estava por vir.

Aduriz se aproxima da média de um gol por jogo na atual temporada. O centroavante balançou as redes 20 vezes em 23 partidas, mais do que qualquer outro jogador em atividade no país – sim, superando até mesmo os craques de Barcelona e Real Madrid. Somando as cinco grandes ligas europeias, está empatado com Lewandowski e Thomas Müller, ambos atrás apenas de Aubameyang. O ótimo número começou a ganhar forma contra o próprio Barça, nos quatro tentos anotados na Supercopa da Espanha. Na Liga Europa, já são seis gols apenas nas cinco partidas da fase de grupos. E o centroavante ainda se mantém próximo da artilharia do Espanhol, com dez bolas nas redes. A melhor atuação veio neste domingo, contra o Rayo Vallecano. Anotou os três gols na vitória dos leones por 3 a 0 em Vallecas, com uma “tripleta perfeita”: um de pé direito, outro de canhota e mais um de cabeça. Representa toda a versatilidade do camisa 20.

Aduriz marcou gols em 13 das 20 partidas que disputou nesta temporada. Além disso, tem papel decisivo também na construção dos ataques, com cinco assistências. Somando as três competições que disputa, o centroavante teve participação direta em 25 dos 45 gols da equipe até o momento. Tem sido essencial principalmente na recuperação que os leones vivem no Campeonato Espanhol, assumindo a sétima colocação, com cinco vitórias nas últimas sete rodadas. Neste intervalo, o veterano contribuiu com sete gols e duas assistências.

O mais interessante é notar o crescimento de Aduriz justamente no momento em que sua carreira, em teoria, estaria entrando na reta final. Em fevereiro, o basco completará 35 anos. Sua tripleta no domingo foi a de um jogador mais velho no Espanhol desde 1993. Muito por conta da idade, não é mencionado para a seleção espanhola. Contudo, sua importância no Athletic tem sido crescente. Como um vinho, que melhora sua qualidade com o tempo, Aduriz neste momento não deve pensar em sua aposentadoria tão cedo. A torcida basca agradece.