A torcida do Flamengo costuma ter um otimismo exacerbado. Uma sequência boa do time é o suficiente para liberar uma dose cavalar de confiança. Mas qual rubro-negro imaginaria um resultado tão imponente no clássico contra o Botafogo, que definiria a vaga na semifinal da Copa do Brasil? Talvez nem mesmo aquele que levantou o cartaz “Eu já sabia” antes de Petkovic marcar aquele gol de falta em 2001 ou da reviravolta no Brasileiro de 2009.

A noite foi perfeita para o flamenguista ir à desforra. Vitória por 4 a 0, com direito a três gols de Hernane – que ainda sofreu o pênalti para o aniversariante Léo Moura deixar o seu. Para se ter uma noção da raridade do resultado, o clássico não contava com uma vitória por mais de três gols de diferença desde 1985, quando o Flamengo aplicou uma impiedosa goleada por 6 a 1 – com gols de Adílio, Adalberto, Hélder, Chiquinho e Gilmar Pipoca.

A atuação de Hernane foi combinada graças a um binômio simples: eficiência e oportunismo. Não dá para negar a sorte do centroavante em sempre estar no lugar certo e na hora certa, aproveitando duas bolas rebatidas para marcar. Porém, cabe ressaltar sua precisão. Foram somente quatro finalizações do artilheiro, que mandou três bolas para o barbante. Segundo dados da Footstats, o camisa 9 recebeu a bola 46 vezes na partida. Em cinco delas, ocasiões de gol. Em quatro, o Flamengo construiu sua vitória.

Ao lado do ‘Brocador’, outros dois jogadores rubro-negros precisam ser destacados. Léo Moura marcou o gol, mas vem demonstrando uma consistência notável nos últimos meses. Já Paulinho, outro reforço trazido do interior de São Paulo, tem sido uma das principais fontes criativas dos rubro-negros, combinando velocidade e habilidade. O Botafogo até teve posse de bola, mas pouco ameaçou o gol de Felipe. E sofreu com a objetividade dos rivais.

O resto da semana será de alegria para os rubro-negros. Por si só, a goleada já serviria para empolgar, mas ganha ainda mais importância no contexto. Os flamenguistas pintam com força na Copa do Brasil, diante do bom trabalho feito por Jayme de Almeida à frente do time. Um resultado que pode até iludir, pela facilidade com que foi construído e pelo oba-oba gerado, mas que também tem chances embalar o time rumo ao tricampeonato no torneio.