Depois de fazer um gol na Copa do Mundo, quase fechar com um clube dos Emirados Árabes, conhecer o Ramadã, andar de montanha-russa na Disney e tirar uma selfie com o Mickey, Valdivia voltou a exercer a sua profissão de jogador profissional pelo Palmeiras. E a sensação é de que nada mudou. Continua o jogador mais talentoso do elenco – talvez nos últimos anos – e, ao mesmo tempo, o torcedor palmeirense não tem nenhum motivo para confiar nele, como mais uma vez ficou provado depois da derrota por 2 a 1 para o São Paulo, neste domingo, no Pacaembu.

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Valdivia passou quase duas semanas de férias na Disney, em meio a uma negociação frustrada com o Al Fujairah, dos Emirados Árabes. Voltou dizendo que, se dependesse dele, voltaria a jogar “ontem”, mas passou cerca de dez dias aprimorando o físico – já que caminhar pelo Epcot não é exatamente um exercício de pré-temporada. Entrou em campo com sangue nos olhos contra o São Paulo. Durante 14 minutos, foi o melhor jogador em campo. Pela ponta esquerda, quase cavou um pênalti e deu um belo cruzamento. Movimentava-se, driblava, brigava e fazia tudo que o torcedor esperava dele. Até que saiu machucado.

O problema é esse. Com Valdivia, o torcedor só tem uma esperança que nunca se concretiza. Porque o tal do Mago tem um nível técnico assustadoramente superior ao de seus companheiros. Na maioria das poucas vezes em que entrou em campo, desde o seu retorno em 2010, foi muito bem com a bola nos pés. Fica sempre a expectativa sobre o que ele pode fazer quando parar de se machucar, mas este momento parece que nunca vai chegar.

No Pacaembu, foram 14 minutos de “mágica”. Depois de um lance com Kaká, Valdivia colocou a mão na coxa e caiu no chão. Saiu de maca e, depois de algum tempo, foi substituído por Felipe Menezes. Segundo o médico do clube, porém, não foi uma lesão muscular, o que seria perfeitamente compreensível depois de passar muito tempo sem jogar e voltar a duzentos quilômetros por hora. Alega, mesmo sem nenhuma imagem que comprove uma pancada no rosto, que sentiu tontura e inchaço no olho.

Valdivia coloca a mão na coxa antes de sair de campo
Valdivia coloca a mão na coxa antes de sair de campo

Sem Valdivia, os problemas do Palmeiras foram os de sempre, assim como os do São Paulo. O primeiro tempo viu um bando de individualidades contra um coletivo de limitações técnicas. Um time sem plano contra outro que tem um roteiro, mas não consegue executá-lo por falta de material humano e no fim acaba sempre encenando um filme simples de terror, sem criatividade ou ousadia. O resultado foram 45 minutos de briga com a bola e poucas emoções.

Depois do intervalo, o panorama mudou bastante, principalmente depois do gol do São Paulo, em falha grotesca do goleiro Fábio, que errou a saída de bola, tocou para Ganso e armou o lance que terminou aos pés de Pato. Os visitantes tiveram pelo menos duas excelentes chances de matar a partida no contra-ataque, mas desperdiçaram e foram punidos com um pênalti marcado pelo árbitro Péricles Bassol. Henrique cobrou e empatou, o Palmeiras cresceu e passou a pressionar. Teve a chance preciosa da virada nos pés de Henrique, que, novamente, esbarrou na sua própria limitação. Na sequência, Alan Kardec, o jogador que trocou o Palmeiras pelo São Paulo por causa de uma diferença salarial de R$ 20 mil, decretou o placar de 2 a 1 a favor do Morumbi.

Sem Diego Souza, Cleiton Xavier ou Maxi Morález, os meias especulados nesta janela de transferências, o homem para pensar diferente no Palmeiras inevitavelmente será Valdivia até o fim do Campeonato Brasileiro. Pela sua história no clube, os dois títulos conquistados, as atuações em clássicos e o carisma, consegue terceiras, quartas e até quintas chances da torcida, mas a paciência, se ainda existe alguma, está próxima de se esgotar. Porque enquanto ele resolve seus problemas físicas, o Palmeiras chegou a nove partidas sem vitória no Brasileirão e começa a reconhecer o princípio de um filme ao qual já assistiu duas vezes e esperava nunca mais ter que ver novamente.

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