Único africano a receber o prêmio de melhor jogador do mundo, George Weah foi, sem sombra de dúvidas, um dos melhores de seu continente na história do futebol. Nascido em Monrovia, a capital da Libéria, Weah não tem tido muitos motivos para comemorar, já que o Mighty Barrolle, seu clube de coração e que o revelou, está na segunda divisão. No entanto, o atacante que fez história no Milan tem presenciado um fato incrível para qualquer liga de futebol nacional. Dos 12 clubes que disputam a Liberian First Division, dez são da capital. Clássico é o que não falta no Liberianão.
O atual líder do campeonato que está na sua quinta rodada é o Oilers, que soma 12 pontos. O time é seguido por dois rivais da capital, o MC Breweries e o Invincible Eleven, cada um com 10 pontos. O Oilers é a surpresa do campeonato, enquanto o Breweries e o Invincible não contam com grandes equipes. Para o primeiro, além de uma referência no ataque, falta tradição, enquanto o Eleven, que não é campeão desde 2007, sofre com a instabilidade de sua defesa.
Obs.: Eleven é o maior campeão da Libéria ao lado do Mighty Barrolle. Cada um tem 13 títulos. Curiosamente, foram os dois times defendidos por George Weah no país. O atacante conquistou um título nacional por cada clube.

Esse cenário deve mudar nos próximos dias. Nesta quarta, o Eleven enfrenta os Oilers, um dérbi que pode abrir espaço para o MC Breweries, que visita o vice-lanterna Jubilee. No entanto, os cervejeiros já pegam os Oilers no domingo. Esses confrontos diretos podem colocar um pouco de ordem no campeonato, ou, ao menos, permitir aos favoritos assumirem a ponta. Quem está de olho nesses jogos é o Liberia Ship Corporate Registry.

O LISCR conquistou dois dos últimos três campeonatos, conta com o investimento empresarial – sim, até na Libéria! – e venceu o próprio Invincible na última rodada, por 2 a 0. Outro candidato forte ao título é o Barrack Young Controllers, atual campeão liberiano, base da seleção local (teve quatro convocados na última partida das Eliminatórias) e campeão de quatro das últimas cinco edições da Copa da Libéria.

Tantas rivalidades não têm ajudado o futebol liberiano a decolar. A última vez que uma equipe do país passou de fase na Copa/Liga dos Campeões da África foi em 1997. Na oportunidade, o Junior Professional, clube fundado por Weah e já extinto, passou pelo Racing de Bobo na fase preliminar. Mas não foi muito além: caiu na etapa seguinte para o Goldfields, da Gana. A última vez que um clube da Libéria chegou entre os oito primeiros do torneio foi… foi… foi… nunca!

A Liberian First Division pode não ser o campeonato mais forte do mundo tecnicamente e a ausência do Barrolle pesa muito, mas ninguém pode reclamar de falta de emoção, rivalidade e, claro, simpatia pelo campeonato da terra de um dos maiores jogadores da história da África.