A Série C consagrou neste domingo o seu mais novo campeão: o Náutico, que pela primeira vez em sua história conquista um título nacional. O Timbu já tinha cumprido sua missão na Terceirona, ao faturar o agonizante (e contestado) acesso em cima do Paysandu. No entanto, a sequência da competição permitiu sonhar mais alto e, depois de desbancar o Juventude nas semifinais, o clube conseguiu se impor na decisão contra o Sampaio Corrêa. A vitória alvirrubra por 3 a 1 nos Aflitos abriu o caminho à taça. Já neste domingo, o Náutico buscou o prejuízo no Castelão e arrancou o empate por 2 a 2, que valeu a inédita festa.

Diante da desvantagem no placar agregado, o Sampaio Corrêa buscou a vitória desde o primeiro tempo no Castelão. Os maranhenses saíram na frente aos 13 minutos, graças a um chute colocado de Everton. O Náutico reagiu logo depois do intervalo e empatou aos seis, com Álvaro completando o escanteio cobrado por Jean Carlos. A Bolívia Querida ainda retomou a dianteira aos 37, a partir de uma jogada de Esquerdinha que Salatiel empurrou para as redes. Porém, nem deu para pensar no terceiro gol, que forçaria os pênaltis. Dois minutos depois, Matheus Carvalho garantiu a vitória.

Mesmo resolvido, o jogo terminaria em confusão. Diego, do Náutico, acertou um carrinho fora do lance em Alex Henrique e os jogadores do Sampaio foram tirar satisfação. O empurra-empurra durou cerca de três minutos, até que o árbitro retomasse a partida. Diego recebeu o vermelho direto. De qualquer maneira, não foi isso que estragou a festa do Timbu dentro do Castelão. A emoção dos pernambucanos foi enorme.

Uma das cenas mais bacanas aconteceu ao redor de um torcedor cadeirante. Gustavo Emanuel virou símbolo da campanha na Série C, a partir de uma fotografia que o mostrava erguido por outros torcedores nos Aflitos, durante a reta final da fase de grupos. O rapaz de 18 anos também esteve presente no Castelão e os jogadores cumpriram a promessa de levantá-lo em campo. Virou também um troféu, simbolizando a paixão da massa alvirrubra. Num ano que marcou o retorno definitivo do clube aos Aflitos, a história ganha mais força.

Entre os principais personagens do título, o técnico Gilmar Dal Pozzo registrou sua primeira conquista à frente de uma equipe. Assumiu o Timbu em maio e, após a classificação aos mata-matas, viu a equipe dar um gás na reta final da campanha, apesar das altas doses de provação. Já dentro de campo, a finalíssima serviu para sublinhar a importância do atacante Álvaro, que marcou o primeiro gol. Chegou aos seis tentos na Terceirona, todos concentrados nos últimos oito jogos dos alvirrubros.

Vice-campeão da Taça Brasil de 1967, quando o esquadrão hexacampeão estadual perdeu a final para o Palmeiras, o Náutico nunca tinha conquistado um título nas divisões inferiores do Campeonato Brasileiro. Os cinco acessos anteriores haviam ocorrido sem taça, com dois vices na Série B. Desta maneira, o troféu da Série C possui enorme significado. Além de servir de emblema ao retorno à Segundona, também marca o renascimento na volta aos Aflitos.