Depois de ser alvo nesta semana do presidente de La Liga, Javier Tebas, que disse que o PSG era um brinquedo do estado que deveria ser expulso de competições europeias por violar regras do Fair Play Financeiro, o presidente do clube francês, Nasser Al-Khelaïfi, tem os holofotes mais uma vez voltados para si, agora com uma acusação criminal. Segundo o jornal francês Le Parisien, o dirigente está sendo indiciado por suspeita de tentar comprar o Mundial de Atletismo de 2017.

Al-Khelaïfi foi indiciado por corrupção ativa pelo juiz Renaud Van Ruymbeke como parte de uma investigação em torno do processo de escolha da sede do Campeonato Mundial de Atletismo para suas edições de 2017 e 2019.

A suspeita é de que Al-Khelaïfi tenha atestado um pagamento de US$ 3,5 milhões (cerca de R$ 14,1 mihões) a Lamine Diack, ex-presidente da Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF, na sigla em inglês), para facilitar a obtenção do direito de sediar o Mundial de Atletismo em Doha. No fim, Londres venceu a disputa, mas Doha será a sede do torneio neste ano, a partir de setembro.

Francis Szpiner, advogado de Nasser Al-Khelaïfi, compareceu perante o juiz Van Ruymbeke em 20 de março. Szpiner nega as acusações e diz que tudo não passa de um mal-entendido.

“O nome de Nasser Al-Khelaïfi não aparece em nenhum documento do arquivo. Essas incriminações não são baseadas em nenhuma evidência tangível. Vale apontar que a examinação inicial de Nasser Al-Khelaïfi só foi causada por uma confusão lamentável do magistrado, que confundiu a Oryx QSI, empresa puramente privada administrada por seu irmão, com a QSI, fundo de investimentos soberano catariano do qual Nasser Al-Khelaïfi é presidente.”

“Nasser Al-Khelaïfi nunca esteve envolvido operacionalmente na candidatura de Doha ao Campeonato Mundial de Atletismo. Durante o período em questão, ele não é acionista nem funcionário da ORYX e, portanto, não pode estar envolvido na relação comercial entre essas duas empresas exclusivamente privadas, Oryx e Pamodzi”, completou o advogado.

De acordo com o Le Parisien, dois pagamentos foram feitos pela Oryx Qatar Sports Investments, empresa de propriedade de Khaled Al-Khelaïfi, irmão do presidente do PSG, à Pamodzi Sports Marketing, companhia de Papa Massata Diack, filho do ex-presidente da IAAF.

O site francês Mediapart informa que a Oryx é administrada por ambos os irmãos e que o presidente do PSG foi questionado por Van Ruymbeke em março e negou saber dos pagamentos.

O Le Parisien relata que o juiz Van Ruymbeke se deparou com as transferências enquanto investigava o escândalo de doping de 2015 da Federação Russa de Atletismo e suas ramificações financeiras. Lamine Diack é acusado de cobrir o esquema russo.

Autoridades brasileiras e francesas estão procurando saber se Lamine Diack e seu filho teriam se envolvido em supostos subornos para contribuir para a escolha do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016, segundo o inglês Guardian.

Nasser Al-Khelaïfi é também presidente da rede de televisão BeIN Sports e, desde 2017, é alvo de investigações por suposto suborno ao ex-secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, para garantir os direitos de transmissão das Copas do Mundo de 2026 e 2030.

Por fim, representantes de Yousef Al-Obaidly, diretor executivo da BeIN Sports e também investigado, afirmaram que os pagamentos feitos pela Oryx à IAAF foram transparentes. Segundo eles, a Oryx foi escolhida para lidar com o patrocínio e os direitos da candidatura do Catar, tendo concordado em pagar US$ 32,5 milhões pelos direitos comerciais do evento, incluindo o pagamento de US$ 3,5 milhões à Pamodzi como depósito não reembolsável, e a quantia total só seria paga se a candidatura de 2017 do Catar tivesse vencido.