Revolta, raiva, decepção. As sensações sobre a derrota do Paris Saint-Germain diante do Manchester United por 3 a 1 e que significou a eliminação da Champions League afetou todos no clube de Paris. O seu presidente se disse decepcionado. Os torcedores saíram do Parque dos Príncipes espumando de raiva, decepcionados ou ambos. Em entrevista ao Le Parisien, tanto dirigente quanto jogadores externaram seus sentimentos. No caso de Nasser Al-Khelaifi, presidente do PSG, apesar de tudo, ele afirmou que confia no treinador e que as decisões a partir de agora precisam ser tomadas de cabeça fria.

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O presidente do PSG foi perguntado sobre os seus sentimentos em relação à derrota em Paris. “Eu estou muito decepcionado com o resultado, é claro. Realmente, eu não entendo como nós perdemos esse jogo. Nós jogamos muito bem. Nós vencemos por 2 a 0 e tomamos 3 a 1 em casa. Nós demos presentes para eles. Realmente, eu não entendo”, afirmou o dirigente em entrevista ao Le Parisien.

“Lá [no Old Trafford], nós fomos para vencer, os vencemos, fizemos uma grande partida. Aqui nós voltamos a campo, demos um presente a eles depois de dois minutos. Então nós controlamos todo o jogo, nós tivemos 72% de posse de bola. Depois, OK, é nosso erro, mas no minuto 90, esse pênalti, eu não entendo”, afirmou ainda Al-Khelaifi.

O repórter pergunta sobre o clima no vestiário. “Todo mundo está decepcionado, triste. É um choque para todo mundo, para os jogadores, para os torcedores também, é claro. É realmente uma grande decepção”, disse o dirigente. Perguntado sobre o que fazer para evitar que isso aconteça de novo. “É futebol, não é matemático, não é um mais um igual a dois. Nós queremos trabalhar, analisar o que nós fazemos. Mas honestamente, se você jogar esse jogo 10 mil vezes, você nunca perde por 3 a 1. E então teve aquele pênalti aos 90 minutos”, reclamou ainda Al-Khelaifi.

O repórter pergunta então se o dirigente está bravo. Corajoso. “Todo mundo voltou a campo para fazer um bom resultado. O Manchester marcou um gol depois de dois minutos. Eu senti que a dúvida estava entrando nas mentes dos jogadores. Há muitas coisas para analisar. E você precisa ver o pênalti”, mais uma vez reclama o dirigente, aparentemente bastante insatisfeito com a marcação do pênalti, depois do VAR chamar o árbitro.

Claro que derrotas acabam gerando dúvidas sobre possíveis mudanças que podem acontecer. Perguntado sobre isso, o presidente do PSG mostrou bastante serenidade nas palavras. “Eu confio no técnico e nas suas decisões. Não é porque perdemos uma partida que nós iremos agir agora. Nós realmente queremos tomar decisões com uma cabeça fria. Não é o momento de falar sobre isso. Nós temos que analisar calmamente o que fizemos, o que o técnico quer também. É muito importante, nós confiamos nele. Afinal de contas, é futebol”, disse Al-Khelaifi.

Torcedores revoltados

Os torcedores que deixaram o estádio Parque dos Príncipes estavam, compreensivamente, revoltados. Entre decepção e raiva, os torcedores expressaram seus sentimentos ao Le Parisien. “É difícil absorver, eu estou sem palavras”, diz Martin, um torcedor. “Houve momentos de mágica em alguns dos passes”, diz outro torcedor, Clarence. “Realmente não foi merecido”.

No Virage Auteuil, onde ficam os ultras, os torcedores organizados do PSG, o clima não era de decepção, era de raiva. Torcedores, alguns deles encapuzados, enfrentaram a polícia na saída do estádio. Depois de alguns minutos de confusão, conforme relatado pelo Parisien, as coisas acalmaram. Os torcedores que falaram sobre o jogo estavam revoltados. “No segundo tempo, fomos nulos. Eu fiquei tenso o tempo todo, você acha isso normal?”, diz um deles. “É muito, muito, muito difícil”, disse outro. “Esses caras recebem cinco milhões de euros por mês (sic) e eles não conseguem ganhar de um time B do Manchester… É uma vergonha”.

“Há fatos no jogo, mas nós somos um time, nós estamos em casa no Parque dos Príncipes. Nós pensávamos que éramos fortes. Na verdade, somos fracos, somos nulos. Não é uma questão de ser o Barcelona, Manchester ou o que for. É porque os caras vêm para o PSG pelo dinheiro, eles não têm amor pela camisa e pelo clube”, brada outro torcedor.

“Nós temos que falar. Quando jogamos fora, nós saímos na segunda-feira à noite para Manchester. Nós voltamos na quarta, às vezes até sem conseguir tomar banho. Nós fazemos tudo por eles e eles não fazem nada… Nada. Os [jogadores] parisienses terão a oportunidade de se redimirem ao menos parcialmente em 10 dias, no nosso próximo jogo em casa contra o Marseille. Eles não terão o direito de cometer erros”, reclama.

Pressão na diretoria

Um dos pontos mais sérios em relação ao PSG será na sua diretoria. Thomas Tuchel sentirá a sua cota de pressão, porque embora tenha mostrado ótimo conhecimento, preparo para o jogo de ida contra o Manchester United e uma variação tática que permite que o PSG seja coletivamente melhor, ele também errou no jogo de volta, especialmente ao não saber reagir e melhorar o time no segundo tempo do jogo contra o United.

Quem mais sentirá o calor da fritura serão os diretores, Antero Henrique e o seu assistente, o ex-jogador brasileiro Maxwell. São eles os responsáveis pelas contratações no time de Paris e, segundo o Le Parisien, um dos pontos mais críticos dessa gestão foi a substituição de Thiago Motta.

O jogador anunciou um ano antes que iria se aposentar em junho de 2018, mas o clube não se preparou, não contratou um substituto e o PSG sofre para ter jogadores que façam a função que ele fazia. Leandro Paredes, contratado em janeiro, não tem nada a ver com o ítalo-brasileiro, embora vista a mesma camisa 8. Tanto que Marquinhos foi quem jogou nos últimos jogos como volante por ali. O que se viu no jogo contra o Manchester United tem a ver com isso, com a falta de jogadores de meio-campo capazes de oferecer o que o time precisa na marcação e soltar os demais jogadores.

Há outros pontos que serão discutidos. Um deles passa por Neymar. O brasileiro ficará em Paris? Esse questionamento passará a ser feito mais e mais, especialmente porque ele não descartou completamente a ideia de ir para o Real Madrid um dia. Dentro de campo, Neymar é o melhor jogador e fazia uma ótima temporada antes de se machucar. Ele não tem culpa pela lesão, mas precisará, possivelmente, lidar com um vestiário decepcionado com mais uma eliminação. Precisará que Neymar exerça o papel que se espera dele, de liderar o time para seguir adiante e seguir buscando todos os títulos, especialmente, claro, a Champions League. Como? Isso veremos nos próximos meses.