Coreia do Sul e Irã nunca sustentaram uma grande rixa. Adversários comuns pelas poucas vagas da Ásia à Copa do Mundo, a tensão entre os dois países terminavam por aí. Porém, tudo indica que a briga entre os dois países pela presença no Mundial de 2014 deu origem a uma nova rivalidade. Uma troca de acusações que vai muito além das quatro linhas.

O problema começou em outubro de 2012, quando iranianos e sul-coreanos se cruzaram pelas Eliminatórias pela primeira vez. Quase 100 mil torcedores viram o triunfo do Irã em Teerã por 1 a 0. Entretanto, o técnico Choi Kang-Hee ficou na bronca pela forma como sua seleção foi recebida no país adversário, reclamando da falta de hospitalidade. Pediu não só vingança, como também declarou sua torcida para que o Irã ficasse de fora da Copa.

O clima hostil estava instaurado para o reencontro, que aconteceu na última terça, em Ulsan. A vitória por 1 a 0 do Irã não apenas garantiu a seleção no Mundial, como também deixou a Coreia do Sul em risco de perder a vaga, o que acabou não acontecendo por causa do saldo de gols. Chance para comemorações efusivas dos iranianos em solo adversário, com direito ao técnico Carlos Queiróz indo hostilizar Choi e o banco sul-coreano ao fim da partida.

Obviamente, a Coreia do Sul não gostou das novas provocações e a imprensa local saiu ao ataque contra os modos dos iranianos. E Queiróz não deixou a encrenca passar outra vez, em entrevista à TV iraniana. Disse que os sul-coreanos “ajudaram a criá-lo uma boa estratégia, ao tentarem intimidar seus jogadores, possibilitando um sentimento de força no time”.

As relações diplomáticas entre Irã e Coreia do Sul são boas, apesar da proximidade entre iranianos e a Coreia do Norte. Dentro de campo, porém, a guerra já está instaurada. E com o alto nível demonstrado por ambas as seleções nas últimas décadas, a próxima batalha entre os dois países não deve demorar a acontecer.