Um segundo. Ou melhor, um milésimo de segundo, porque o lance foi muito, muito rápido. Um reflexo muito, muito ágil. O Grêmio já vencia o Barcelona de Guayaquil por 2 a 0, no terceiro minuto da etapa final, quando, em um milésimo de segundo, Marcelo Grohe impediu que a partida se complicasse e, logo na sequência, Luan decretou a vitória por 3 a 0 que coloca os gaúchos muito, muito próximos da final da Libertadores.

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O gol que Ariel, ex-jogador do Internacional, ainda não acredita que foi perdido, a defesa que espectadores e torcedores ainda não acreditam que foi executada, poderia ter devolvido o Barcelona a uma partida que parecia ter sido resolvida em poucos minutos. Ao contrário, o Grêmio buscou o terceiro gol pouco depois para não deixar dúvidas sobre quem merece disputar a decisão.

O Barcelona faz uma campanha elogiosa na Libertadores: classificou-se em um grupo difícil e eliminou Palmeiras e Santos, cujos torcedores, mais do que nunca, percebem que bastava jogar um pouco de bola para eliminar uma equipe muito bem organizada, mas fraquíssima tecnicamente. Foi o que o Grêmio fez, com uma atuação coletiva ótima, as estrelas de Grohe e Luan e a força dos seus laterais Edílson e Cortez.

Luan passou dois meses fora de ação por causa de uma lesão muscular na coxa direita, e o desempenho do Grêmio sofreu por causa disso. Sua importância para a equipe não poderia estar mais clara depois da atuação desta quarta-feira. Foi dele o primeiro lance de perigo, aos 3 minutos, defendido por Banguera. O Barcelona respondeu com Vera, que ganhou a dividida de Geromel, entrou na área e chutou mal.

Aos 7, Cortez recebeu pela esquerda, fez jogada individual e buscou a linha de fundo. Cruzou par atrás, a defesa rebateu e Luan pegou o rebote de primeira. O desvio foi mortal para vencer Banguera e fazer a bola morrer no fundo das redes.

Ainda no primeiro tempo, Edilson teve uma falta para cobrar da intermediária. Banguera armou bem mal a barreira. Deixou os dois cantos descobertos e não pulou para nenhum deles quando o lateral direito soltou a bomba certeira.

O 2 a 0 fora de casa já era um resultado fabuloso para o Grêmio, e o Barcelona sabia disso. Precisava diminuir de qualquer maneira e quase conseguiu. Diáz desviou o cruzamento da direita para Ariel, que estava muito, muito perto do gol. Não estamos falando da entrada da pequena área: estamos falando do fim da pequena área. Coisa de um metro. E Ariel soltou a bomba de perna esquerda, apenas para Grohe se esticar e manter o braço firme para fazer uma defesa absolutamente espetacular.

A resposta gremista foi imediata: Edílson caiu pela direita, driblou a marcação e entrou na área. Bastou rolar para trás para achar Luan, que mandou de primeira para as redes e fez 3 a 0.

Mesmo quando domina os jogos dentro de casa, o Barcelona tem dificuldades para marcar. Precisou arrancar gols na unha contra Palmeiras e Santos. Não foi páreo para um time que jogou bola do primeiro ao último minuto e até criou chances para ampliar o marcador além dos 3 a 0. A única ressalva que se faz é que os equatorianos costumam ser melhores longe dos seus domínios. Mas a vantagem e a superioridade gremista já foram muito bem estabelecidas.