O São Paulo consegue uma marca importante neste Campeonato Brasileiro 2017: alcançou a sua melhor média de público na era dos pontos corridos. Com as 61.142 pessoas no Morumbi neste domingo, no empate por 1 a 1 com o Corinthians, a média de público do São Paulo chegou a 34.805, a segunda melhor do torneio atrás justamente do líder Corinthians (38.698). Nas arquibancadas, desempenho de campeão. Em campo, as atuações melhoraram, é verdade, mas ainda estão aquém do que se espera do time e do necessário para escapar do rebaixamento.

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Nem mesmo nos anos dos três títulos consecutivos (2006, 2007 e 2008) o São Paulo teve uma média de público tão alta como em 2017. Aliás, a melhor média de público do time na era dos pontos corridos do Brasileirão é de um ano que foi segundo colocado, em 2014: 29.202. Nos anos do tri brasileiro, o time conseguiu 22.948 em 2006, 28.662 em 2007 e 21.333 em 2008. Em 2009, quando disputou o título até a última rodada, teve média de 26.268.

As piores média de público do São Paulo foram justamente os três primeiros anos dos pontos corridos. Em 2003, 10.960; em 2004, 8.586; e em 2005, 9.805. Desde o tricampeonato, o São Paulo aumentou a sua média de público e só uma vez ficou abaixo das 20 mil pessoas: em 2010 a média de público foi de 14.623 (com 16 dos 19 jogos no Morumbi). Nas arquibancadas, o desempenho do São Paulo é o melhor deste período de pontos corridos. Bem diferente do que se vê em campo.

Em campo o desempenho melhorou, mas ainda falta

Com o ambiente no Morumbi, o São Paulo tirou proveito e fez uma das suas melhores partidas no ano. O fato de não ter ganhado é também simbólico nesse sentido: mesmo quando o time tem um bom desempenho, como foi contra o Palmeiras e contra o Corinthians, não conseguiu o resultado. Falta o time ser mais eficiente em todos os setores e isso é crucial para o time ver pontos descerem pelo ralo.

No ataque, o São Paulo ainda sofre demais. Controlou mais o jogo no jogo contra o Corinthians com Lucas Fernandes e Cueva, que tiveram boa atuação, além de Hernanes, que vem sendo o melhor do time. Petros também fez ótima partida. O primeiro tempo muito bom do time teve pouco de Lucas Pratto. Menos por um desempenho individual – ele não vem bem mesmo -, mas muito porque há pouca aproximação, tabelas.

Poderia ter feito mais gols, especialmente no primeiro lance do jogo: um lançamento longo para a área, Pratto ajeitou perfeitamente de cabeça e Hernanes chutou errado, para fora. Foi um dos poucos momentos de aproximação entre os dois.

Cueva e Lucas Fernandes, de ótimas partidas, estiveram mais perto de meio-campistas do que do centroavante são-paulino e aproveitar o que ele tem de melhor. O camisa 9 brigou, lutou, disputou muito, mas muitas vezes pegou a bola longe da área e tendo que partir para jogadas individuais, um sinal que o coletivo ainda precisa ser aprimorado.

Pensando nos próximos jogos, o time precisa saber concluir melhor suas chances. Porque mesmo sem Pratto no seu melhor, e isolado em boa parte do jogo, as chances vieram. O time até cria mesmo bons lances, mas precisa ser mais capaz de finalizar melhor. Desperdiçar chances contra um time que é defensivamente forte, como o Corinthians, acaba sendo perigoso, como foi.

Tomou um gol em uma falha individual de Junior Tavares, que quis proteger a bola e viu Rodriguinho ser mais esperto e tomar a bola. O gol de Cleysson foi uma das raras chances do time alvinegro na partida, apesar da melhora no segundo tempo. As substituições de Dorival também não ajudaram o time. Lucas Fernandes eu lugar a Denílson e o jogador entrou mal. Cueva, cansado, foi substituído por Jucilei. As duas mudanças pioraram o time. Marcos Guilherme deu lugar a Maicossuel, mas esse não teve muita chance de fazer alguma diferença.

Jogar bem é importante e é o caminho para começar a ganhar jogos com mias frequência. Não há dúvidas disso. Só que falta ainda muito mais. Para um time na 17ª posição, na zona do rebaixamento, não há tanto tempo para evoluir. Será preciso ganhar mais jogos. Contra o Corinthians, houve a chance, que foi desperdiçada, como tantas outras antes no Morumbi.

O futebol do São Paulo melhorou. Falta o desempenho no jogo todo também melhorar e ter mais capacidade de decidir jogos. Vencer, acumular pontos e começar a tirar o pé da lama. Por enquanto, o desempenho em campo ainda é insuficiente para um time que luta contra o rebaixamento.

Assim como Corinthians, por um lado, se beneficia do desempenho pífio dos concorrentes ao título para manter uma distância muito confortável na briga pelo título, o São Paulo também se beneficia do mau desempenho dos rivais. Apesar de ainda vencer pouco, a diferença de pontos entre os times na parte de baixo da tabela é pequena. Só três pontos separam o São Paulo, 17º com 28, da Chapecoense, 9ª com 31. Uma sorte que o time precisa começar a aproveitar. Por enquanto, os outros também estão com sorte que o São Paulo segue derrapando e desperdiçando pontos.