A semifinal da quarta divisão do futebol brasileiro entre Brasil de Pelotas e Londrina ficou marcada por uma briga generalizada entre jogadores e comissão técnica das duas equipes. A confusão foi parar na delegacia, três jogadores foram expulsos, vários membros das comissões técnicas também, e o massagista do clube paranaense levou tantos chutes na cabeça que recebeu 15 pontos na região da boca. Enquanto essa barbárie tomava conta do gramado do Estádio do Café, nas arquibancadas, torcedores do Londrina tentavam invadir a cabine da Rádio Pelotense para agredir o narrador Eduardo Costa.

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“Foi o período mais tenso pelo qual já passei na minha vida”, afirma o jornalista, funcionário da rádio de Pelotas desde 2012. O problema começou a partir do segundo gol do Brasil, logo nos primeiros minutos da etapa final. Eduardo acredita que os torcedores rivais, que ficavam a apenas um ou dois metros de distância, acharam a sua narração parcial demais a favor do time visitante. Ele próprio admite que se excedeu um pouco. “Estou transmitindo o jogo para uma rádio de Pelotas, para torcedores do Brasil, que estão emocionados. Você acaba se envolvendo, se emocionando”, justifica. Se quiser tirar sua própria conclusão, segue o áudio daquele momento:

A primeira reação de Eduardo foi pegar os bancos que estavam ao alcance e usá-los para bloquear a porta e impedir qualquer tentativa de invasão. Acabou sendo apenas uma prevenção porque o foco dos xingamentos e das agressões verbais era a parte de frente da cabine. Torcedores subiam nas muretas para ameaçá-lo fisicamente, xingá-lo de “gaúcho viado” e cobrar que narrasse os gols do Londrina com a mesma emoção que os do Brasil de Pelotas. Para tentar se proteger, deu alguns passos para trás, desceu degraus que estavam às suas costas e perdeu um pouco da visão do campo. Sua narração foi prejudicada para preservar a sua integridade.

O momento mais tenso foi quando o jogo estava empatado em 2 a 2, e o Brasil de Pelotas teve um pênalti a seu favor. Nena partiu para a cobrança, em busca do seu terceiro gol na partida, mas Eduardo Costa, apesar de apoiar o time gaúcho, torceu com todas a suas forças para que ele errasse. Avisou os ouvintes no ar que não gritaria gol caso o artilheiro convertesse a penalidade. Por sorte, Nena errou. “Falei que não gritaria o gol. Não queria fazer isso, porque era um momento épico para o Brasil, mas eu seria agredido naquela cabine”, garante.

A partida terminou, e Eduardo Costa se agachou para fugir da ira dos torcedores rivais. Ficou mais uma hora no estádio fazendo a repercussão da classificação do Brasil para a decisão da Série D e conseguiu sair das premissas sem nenhum problema. Nesse momento, já era impossível identificar quem o estava ameaçando, e nenhum registro foi feito junto às autoridades. “Eu preferi deixar passar e seguir para a próxima”, explica. Durante a partida, relata que não viu nenhum policial nas proximidades, apenas alguns seguranças que perceberam a situação e retiraram os adesivos que identificavam a Rádio Pelotense da porta da cabine.

Eduardo lembrou-se de um outro episódio, quando narrava uma partida de futsal, e torcedores no ginásio tentaram invadir a cabine para agredir o seu comentarista. Mas desta vez, a ameaça foi muito mais real, porque ele estava ao alcance dos punhos e pontapés dos mais raivosos. E eles poderiam ter ido ao seu encontro caso Nena convertesse aquele pênalti. “Se ele convertesse, eu provavelmente não estaria aqui para contar a história. Depois, o repórter disse que o Nena salvou a minha vida, e eu falei no ar que pagaria uma cerveja para ele quando chegasse a Pelotas”, encerra.

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