Estava tudo decidido antes mesmo do jogo que encerrou a campanha do Napoli na fase de grupos da Champions League, na última terça-feira, contra o Genk. A goleada por 4 a 0 foi irrelevante. Como havia sido informado pela imprensa italiana, Carlo Ancelotti recebeu a carta de demissão e foi substituído por Gennaro Gattuso, anunciado oficialmente nesta quarta. O primeiro trabalho do ex-jogador de Ancelotti desde a saída do Milan, ao fim da última temporada.

Gattuso não passa de uma aposta. Seus trabalhos como treinador não foram particularmente bons, nem mesmo no Milan. Assumiu o time das mãos de Montella, em novembro de 2017, em mais uma tentativa rossonera com ídolos no banco de reservas, e duas vezes lutou para se classificar à Champions League, sem sucesso. Embora tenha tido um bom aproveitamento de pontos, seu time não funcionava tão bem coletivamente e sofria para vencer.

Era possível ao Napoli buscar um profissional promissor que já tivesse mostrado mais trabalho, mas Gattuso tem uma característica que no atual contexto apela ao presidente Aurelio de Laurentiis. Uma das causas do desgaste com Ancelotti foi o treinador ter ficado ao lado dos jogadores quando o clube exigiu que o elenco se concentrasse para tentar melhorar os resultados.

Enquanto o veterano tem um perfil conciliador e é conhecido por ser um ótimo gestor de vestiários, Gattuso não tem medo de uma boa bronca. Tem personalidade forte, presença e renome, nas quais De Laurentiis aposta para colocar ordem no vestiário que se rebelou contra a concentração e para liderar o provável processo de reformulação pelo qual o Napoli deve passar.

Pilares do sucesso dos últimos anos, Mertens e Calléjon têm contratos apenas até o fim desta temporada e não devem renová-los – especula-se, inclusive, que o belga saia já na janela de transferências de janeiro. De Laurentiis admitiu que um dia teria que aceitar uma “proposta indecente” por Koulibaly. Relatos da imprensa italiana também apontam que ele estaria aberto a vender o capitão Insigne e já houve forte interesse pelo meia Allan, que recebeu a maior multa do clube pelo motim.

De Laurentiis recusou-se a responder perguntas na entrevista coletiva de apresentação de Gattuso, mas fez questão de dizer que não houve confitos com Ancelotti e que ambos seguem como bons amigos. No entanto, não resistiu a dar uma cutucada. Gattuso pediu para não ser comparado a Ancelotti e que ficaria satisfeito se ganhasse 10% do que o seu ex-chefe alcançou na carreira. “Não 10% do que ele alcançou no Napoli, senão estaríamos em apuros”, interrompeu o dirigente.

Gattuso também afirmou que deve retornar o time ao 4-3-3, formação tática que deu muito certo com Maurizio Sarri, em contraste ao 4-4-2 que Ancelotti vinha utilizando. “Há imensa qualidade neste grupo. Claro, algumas coisas não deram certo, mas eu não estava aqui. Não quero que me digam quem fez o que ou disse o quê. Quero me comunicar direto com a alma das pessoas. Rancores e situações pessoais não nos levarão a lugar nenhum. Temos que levar o Napoli de volta aonde ele merece”, disse.

Segundo o Sport Mediaset, Gattuso será uma opção muito mais barata para o Napoli. Receberá € 1,5 milhões por esta temporada, um quarto do que o Ancelotti ganhava, e terá seus vencimentos dobrados se alcançar o objetivo de ficar entre os quatro primeiros do Campeonato Italiano. Atualmente, está em sétimo lugar, a oito pontos do objetivo. O Napoli terá dois jogos contra Parma e Sassuolo antes da pausa para as festas de fim de ano, quando Gattuso terá oportunidade de desenvolver seus métodos.