A estreia da atual campeã europeia na Copa do Mundo Feminina era contra uma adversária teoricamente fraca, mas quem esperava moleza, mais uma vez se enganou. Mais uma vez porque tirando a estreia da anfitriã e uma das favoritas, França, que goleou a Coreia do Sul, ninguém está tendo vida fácil nesta Copa do Mundo. No primeiro jogo deste grupo E, nesta segunda-feira, o Canadá já tinha sofrido contra Camarões, mas venceu. Desta vez, a Holanda também teve dificuldades nesta quarta, mas arrancou a vitória por 1 a 0 diante da Nova Zelândia, de forma dramática, com gol nos acréscimos.

Posse de bola holandesa

Como esperado, a Holanda teve a posse de bola com tranquilidade, no seu estilo bastante característico e técnico. Só que a Nova Zelândia estava preparada exatamente para esse tipo de jogo. As holandesas tinham a bola e sem espaço. Chegar à área do time da Nova Zelândia era uma missão dura. A defesa do time da Oceania se fechava com cinco jogadoras com a bola, mas se fechava com cinco sem a bola. Com isso, a missão da atual campeã europeia, Holanda, era complicada.

Mais do que isso, a Nova Zelândia não era um time apenas enfiado na defesa e torcendo para o tempo passar. A equipe da Oceania estava preparada para contra-atacar e o fez várias vezes, com perigo. Ainda que com estilos de jogo bem diferentes, opostos até, ambas equipes criaram chances para marcar.

Chumbo trocado não dói

A zagueira Bloodworth se complicou na saída de bola e Olivia Chance, da Nova Zelândia, chutou de fora, a bola bateu no travessão. A jogadora neozelandesa levou às mãos à cabeça, até porque era uma chance contra uma seleção favorita. Uma bobeada da defesa da Holanda, que foi pressionada. E a Nova Zelândia ainda teria mais uma chance em um chute de fora da área, perigoso, de Rosie White. A bola passou muito perto e deixou as holandesas assustadas.

Logo no primeiro lance do jogo, Martens deu um drible bonito na ponta esquerda, que já assustou a zaga da Nova Zelândia. Aberta pelo lado do campo, a jogadora do Barcelona era o principal perigo da Holanda com a bola.

Já os acréscimos do primeiro tempo, a Holanda perdeu a melhor chance que teve no primeiro tempo. Lance da camisa 9 pela esquerda, a bola sobrou para Bloodworth, dentro da área, depois de bater em Martens, e ela finalizou mal, de canela para fora. E quase da pequena área.

Holanda pressiona – e dá espaço

No início do segundo tempo, a Nova Zelândia teve uma chance clara, com Sarah Gregorius. E olha, foi uma chance incrível, em um cruzamento que ela chutou fraco, a goleira conseguiu defender e evitar o gol.

Aos nove minutos do segundo tempo, Martens recebeu no mano a mano com a defesa, fez o drible e chutou de perna esquerda, mas a bola foi por cima. Alguns minutos depois, a Holanda conseguiu uma nova boa chance com uma bola recuperada e acelerada, com lançamento para Miedema. Ela avançou e chutou, mas a bola foi para fora.

O jogo se desenhava para que a Holanda vencesse. O time europeu pressionava, tinha a bola e começou a conseguir entrar na área mais vezes, ainda que muito congestionada de jogadoras. A técnica, Sarina Wiegman, colocou o time no ataque. Colocou uma jogadora alta para tentar a bola aérea, em companhia à centroavante Miedema. E a pressão foi aumentando.

É verdade que os espaços também apareceram para a Nova Zelândia. E que as neozelandesas tentaram o ataque algumas vezes em velocidades, mas se enrolaram. Satchell, que foi quem teve a melhor chance em um contra-ataque que ganhou no corpo, demorou a finalizar e acabou pressionada. Chutou para fora.

A Holanda chegava, e a atacante Miedema era o foco. Ela recebeu a bola dentro da área algumas vezes, mesmo muito pressionada, e deixava as defensoras da Nova Zelândia de cabelo em pé. A boa atuação defensiva do time da Oceania parecia que não permitiria um gol. Mas nos acréscimos, a história mudou.

Mais uma vez, Miedema conseguiu dominar dentro da área, girar, buscar uma opção e, depois de dar um pouco de sorte ao tentar passar a bola, bater na defesa e voltar para ela, ela abriu no lado esquerdo para Van Dongen. Ela cruzou e Jill Rood, que tinha entrado no segundo tempo, tocou de cabeça para marcar, já para lá dos 45 minutos. Go da vitória da Holanda, que vibrou muito em campo. Uma vitória apertada, como a do Canadá no dia anterior, contra Camarões, mas ainda mais sofrida, porque o gol só saiu nos últimos segundos do jogo.

Tudo indica que ninguém terá vida mansa neste grupo, ainda que Canadá e Holanda, as favoritas, tenham vencido na primeira rodada. Quem esperava Camarões e Nova Zelândia como meras figurantes pode se surpreender e ver uma dessas seleções dando trabalho também no mata-mata.

Ficha técnica

Nova Zelândia 0x1 Holanda

Local: Stade Océane, em Le Havre
Árbitra: Edina Alves Batista (Brasil)
Gols: Jill Roord aos 47’/2T (Holanda)
Cartões amarelos:
nenhum

Nova Zelândia: Erin Nayler; C. J. Bott, Rebekah Scott, Abby Erceg e Ali Riley; Betsy Hassett (Annalie Longo), Katie Bowen, Ria Percival, Rosie White (Hannah Wilkinson) e Olivia Chance; Sarah Gregorius (Paige Satchell). Técnico: Tom Sermanni

Holanda: Sari van Veenendaal; Desiree van Lunteren, Stefanie van der Gragt, Dominique Bloodworth e Kika van Es (Merel Van Dongen); Jackie Groenen (Jill Roord), Danielle van de Donk e Sherida Spitse; Shanice van de Sanden (Lineth Neerensteyn), Vivianne Miedema e Lieke Martens. Técnica: Sarina Wiegman